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Depois de dez anos, chega ao fim a revolução de Pep Guardiola no comando do Manchester City

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 23, 2026
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Principal nome de uma era vencedora e histórica para o Manchester City, o técnico Pep Guardiola encerrará seu casamento com o clube inglês ao fim da atual temporada. Foram 10 anos do técnico espanhol no comando da equipe inglesa, que chegarão ao fim amanhã, no apito final da última rodada da Premier League. — Quando você mora aqui por 10 anos, conhece todos os corredores da cidade, inclusive os ruins. Você não é apenas parte da Etihad. Você vive na cidade, você a conhece. Tentarei refletir o que isso significa. Dei tudo de mim até a última gota. Saio com uma paz de espírito incrível. Dei tudo por este clube — afirmou Guardiola, ontem, em tom emocionado. A parceria entre clube e treinador neste período deu tão certo que a recém-reformada arquibancada norte do Etihad Stadium passará a se chamar "Arquibancada Pep Guardiola". Além disso, o Manchester City fará uma estátua de Guardiola, que ficará exposta na entrada do estádio do clube. Todas as homenagens ao técnico espanhol são justas. Afinal, o Guardiola conquistou seis Premier Leagues, uma Liga dos Campeões, três Copas da Inglaterra, cinco Copas da Liga Inglesa, um Mundial de Clubes, uma Supercopa da Uefa e três Supercopas da Inglaterra com o Manchester City. Ao todo, foram 592 jogos, com 423 vitórias, 77 empates e 92 derrotas — um aproveitamento de 75,8% —, com 1422 gols marcados e somente 520 sofridos. Guardiola diz que Manchester City aprendeu lições após duelos contra o Real Madrid, próximo adversário na Liga dos Campeões Oli Scarff/AFP Os números, de fato, são impressionantes e, por si só, fariam com que o treinador já fosse considerado um dos maiores da história do Manchester City. Contudo, eles contam apenas parte do impacto que o treinador teve desde que desembarcou em Manchester, em julho de 2016. — Jogar bem. E depois vencer um jogo, depois outro. Mas o mais importante é o espírito do time e jogar bem — disse Pep Guardiola em sua primeira entrevista como treinador do Manchester City, no dia 3 de julho de 2016. E o time jogou bem sob o comando de Guardiola. Durante a estadia do treinador na Inglaterra, o City conseguiu construir uma hegemonia raramente vista na era mais competitiva da Premier League. O clube passou a dominar temporadas inteiras com campanhas superiores a 90 pontos — em 2017/18 alcançou os 100 pontos — e sua pior colocação no Campeonato Inglês foi o terceiro lugar (em 2016/17, sua primeira temporada, e 2024/25). A grande revolução, no entanto, foi cultural. Durante décadas, a identidade do futebol inglês esteve associada ao jogo vertical, físico e às transições rápidas. Mas o City de Guardiola não seguia essas regras. O treinador inseriu a posse de bola como mecanismo de controle na Inglaterra e seu time passou a sufocar adversários pela ocupação dos espaços e por uma pressão pós-perda. A influência foi tanta que os rivais passaram a investir em treinadores com perfil cada vez mais parecido com o de Pep, tendo como principal característica as construções desde a defesa. O principal exemplo é o de Mikel Arteta, técnico do Arsenal desde 2019 e ex-auxiliar de Guardiola no Manchester City. Mas como toda boa história, sempre existe o momento em que o protagonista encontra percalços no caminho. E para Pep Guardiola, seu principal obstáculo era a Liga dos Campeões, título que o Manchester City mais almejava. Ao longo dos anos, tiveram eliminações dolorosas, mas depois de tanto bater na trave, a "orelhuda" chegou em Manchester em 2023. Era a cereja que faltava no bolo. Guardiola está de saída do Manchester City Paul ELLIS / AFP Depois de dez anos e 20 títulos na bagagem, pode-se afirmar que a união entre Manchester City e Guardiola já pode ser colocada entre as maiores parcerias da história do futebol de clubes — comparável a Alex Ferguson e Manchester United, Arsène Wenger e Arsenal e Cruyff e Barcelona. Além de, claro, ter mudado o patamar do lado azul de Manchester. — Há uma frase que me vem à memória agora, de uma conversa com Noel Gallagher (vocalista do Oasis e torcedor apaixonado do Manchester City) há dois anos. Ele disse que éramos um time incapaz de vencer quatro jogos seguidos, e agora estamos ganhando quatro Premier Leagues consecutivas — refletiu Guardiola. Amanhã será a despedida do "porto seguro" do Manchester City, contra o Aston Villa, na última rodada da Premier League, no Etihad Stadium. Quando a bola rolar, o espanhol se tornará o técnico que mais tempo esteve no cargo no City, ultrapassando Les McDowall, com 593 partidas. É quase impossível cravar que algum treinador irá superar os feitos de Pep, mas é certo de que levará tempo para que alguém consiga. Enzo Maresca, ex-Chelsea, é apontado pela imprensa inglesa como provável substituto, já que trabalhou como auxiliar de Guardiola no próprio Manchester City antes de seguir sua carreira como treinador. Ele foi demitido do Chelsea em janeiro de 2026, e ainda não assumiu um novo trabalho.

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