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Universidades ampliam investimento em inteligência artificial e discutem limites éticos

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 23, 2026
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Até poucos anos atrás, a inteligência artificial ocupava espaço quase exclusivo nos laboratórios de computação e nos centros de pesquisa avançada. Atualmente, ela atravessa os corredores das universidades, influencia currículos, cria novas graduações, transforma métodos de ensino e impulsiona pesquisas em áreas tão diversas quanto saúde, marketing, negócios, engenharia e ciência de dados. De ioga a forró ao pôr do sol: quiosques têm atividades com foco em saúde e diversão Polêmica: Companhia religiosa responsável pelo antigo Colégio da Providência vê projeto de residencial no local como 'solução de revitalização' A velocidade da transformação tem levado instituições brasileiras a repensarem a formação acadêmica. Se antes a discussão estava concentrada em como utilizar a tecnologia, agora a questão passa a ser outra: como formar profissionais capazes de criar, supervisionar e compreender os impactos sociais, econômicos e éticos da IA. No Rio, universidades e escolas de negócios já respondem a esse desafio com novos cursos, centros de pesquisa especializados, projetos de inovação e iniciativas voltadas ao uso responsável da tecnologia. Uma dessas instituições é a PUC-Rio, que lançou seu primeiro bacharelado em IA e criou o Instituto PUC-Behring de Inteligência Artificial, um centro dedicado exclusivamente à pesquisa e à inovação nessa área. 75 anos do Tablado: Para financiar estátua de Maria Clara Machado, Edgar Duvivier vende miniaturas da escultura Veiga de Almeida. Estudantes usam a inteligência artificial para criar casos clínicos inspirados em situações reais Divulgação A graduação surgiu em resposta à crescente procura por especialistas capazes de atuar em aprendizado de máquina, ciência de dados, automação e sistemas inteligentes. O curso reúne conteúdos de computação, matemática aplicada, estatística, ciência de dados, ética, filosofia da tecnologia e comunicação, numa proposta que busca integrar formação técnica e reflexão crítica. Na opinião do diretor do instituto, Renato Cerqueira, a principal característica do programa está na combinação entre diferentes áreas do conhecimento. — O diferencial do curso é sua natureza multidisciplinar. A inteligência artificial deixou de ser uma área restrita à computação e passou a dialogar com praticamente todos os setores da sociedade; da saúde à indústria, das finanças às ciências humanas. Formar profissionais capazes de compreender tanto os fundamentos técnicos quanto os impactos éticos, sociais e econômicos da IA é essencial para atender às demandas do mercado e da sociedade — analisa. ArtRio: Circuito ligado ao evento ocupa 16 galerias em seis bairros da Zona Sul A procura reflete uma tendência global. Segundo Cerqueira, a procura por especialistas cresce em praticamente todos os segmentos econômicos. — Hoje existe uma demanda global por profissionais qualificados em inteligência artificial. Empresas e instituições buscam pessoas capazes de desenvolver soluções inovadoras, mas também de atuar de forma crítica e responsável diante dos desafios trazidos por essas tecnologias. A universidade tem papel estratégico na formação dessa nova geração de profissionais — completa. Ibmec. Instituição tem curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial Divulgação A aposta da instituição não se limita ao curso de graduação. O Instituto PUC-Behring, que recebeu doação de R$ 35 milhões da Fundação Behring para a construção de sua sede, pretende reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros em projetos de pesquisa avançada. Segundo o reitor da universidade, Anderson Antonio Pedroso, a ideia é consolidar um centro de referência nacional. — A intenção foi criar um hub de IA, um centro de estudos e de pesquisas avançadas, contando com a colaboração do nosso corpo docente e de professores de outros países para dar cursos, seja na graduação, na pós ou no ensino continuado, além de conduzir relevantes projetos de pesquisa — afirma. Onde trocar figurinhas do álbum da Copa do Mundo 2026? Veja opções no Rio e em Niterói O reitor destaca ainda que a expansão da IA deve caminhar junto com a responsabilidade social: — A PUC-Rio vai manter sua marca de ser uma universidade voltada para o bem da sociedade, buscando promover impacto socioambiental positivo no entorno e na cidade do Rio. Também apostou cedo nesse movimento a Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp). Uma das pioneiras do país ao criar uma graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, formou sua primeira turma em 2023. O curso combina fundamentos matemáticos, estatística e pensamento computacional com aplicações práticas em ciência de dados e IA. Para o coordenador do curso, Luiz Max Carvalho, o desafio está em acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas sem abrir mão da formação conceitual: — Ciência de dados e inteligência artificial são áreas dinâmicas, que exigem atualização constante. Para ele, compreender os princípios é tão importante quanto dominar ferramentas mais recentes. —Buscamos formar profissionais que entendam profundamente fundamentos matemáticos e estatísticos, mas que também sejam capazes de inovar com responsabilidade na aplicação da IA na sociedade. O reconhecimento confirma que seguimos na direção certa — diz. Da análise de dados aos estudos de casos clínicos A expansão da inteligência artificial não acontece apenas nos cursos tradicionalmente ligados à tecnologia. Na ESPM Rio, ela integra programas voltados a marketing e gestão. A instituição oferece uma pós-graduação em Inteligência Artificial Aplicada ao Marketing, que reúne conteúdos sobre IA generativa, modelos de linguagem, processamento de linguagem natural, liderança digital, ética em inteligência artificial e desenvolvimento de produtos apoiados por tecnologia. No Ibmec, a IA está presente na formação prática e na pesquisa acadêmica. Estudantes participam de competições realizadas em parceria com empresas, nas quais desenvolvem soluções para desafios reais usando análise de dados e ferramentas de IA. O curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial também incentiva a produção científica em áreas como visão computacional e modelos de linguagem, enquanto o Núcleo de Pesquisa Ideias reúne professores e alunos em projetos voltados ao desenvolvimento de soluções e pesquisas aplicadas. — O papel das universidades está passando por uma redefinição tão relevante quanto aquela que atinge o mercado de trabalho. Elas deixaram de ser transmissoras de conhecimento para se tornar plataformas de construção de capacidades adaptativas, críticas e interdisciplinares. É importante que a faculdade desenvolva a capacidade do aluno de aprender, decidir e se adaptar em um mundo em constante reinvenção tecnológica — afirma Samuel Barros, reitor do Ibmec-RJ. Caos no acesso ao Corcovado: obras para reorganizar trânsito no Cosme Velho começam até junho Enquanto algumas universidades criam cursos específicos sobre inteligência artificial, outras incorporam a tecnologia ao cotidiano acadêmico. É o caso da Universidade Veiga de Almeida (UVA), que adotou diretrizes para orientar o uso da IA e já utiliza a ferramenta em atividades de diferentes cursos. Um dos exemplos está na graduação em Medicina. Na disciplina Atividade Integrativa, docentes utilizam inteligência artificial generativa para criar casos clínicos inspirados em situações reais. Os estudantes recebem cenários médicos e hipóteses diagnósticas e precisam analisar informações, defender condutas e construir soluções clínicas. — Na disciplina de Atividade Integrativa, a inteligência artificial tem sido uma ferramenta importante e um diferencial no aprendizado. Os professores utilizam IA para estruturar casos clínicos muito próximos da realidade que vamos encontrar futuramente na prática médica. A grande vantagem é a possibilidade de variar os cenários e trabalhar diferentes doenças de forma mais dinâmica, o que estimula nosso raciocínio clínico antes mesmo do contato direto com a prática — afirma a estudante de Medicina Luiza Salatino. Segundo ela, a tecnologia complementa o ensino tradicional e amplia as possibilidades de aprendizagem. — Para mim, a IA não substitui o estudo ou o ensino tradicional, mas funciona como um facilitador, tornando as aulas mais ricas e desafiadoras. Continuamos utilizando os livros como base, mas a IA amplia as possibilidades de aprendizagem e aproxima os alunos da realidade da profissão — acrescenta. *Esta reportagem integra o especial Educação publicado no GLOBO-Zona Sul em 23/05/2026

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