'Grande Muralha Verde' busca conter avanço da desertificação do Saara; conheça projeto
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May 22, 2026
A expansão do Deserto do Saara e a deterioração acelerada das terras férteis na África motivaram a criação da Grande Muralha Verde, um projeto ambiental que visa restaurar milhões de hectares degradados e conter o avanço da desertificação na região do Sahel. Tecnologia e preservação: Adolescente canadense cria tartaruga robótica com IA para monitorar ameaças nos oceanos Entenda fenômeno: Cientistas descobrem que a Península Ibérica pode estar girando e se deformando A iniciativa, lançada oficialmente em 2007, prevê a construção de uma faixa florestal com aproximadamente 8.000 quilômetros de extensão, que se estenderá do Djibuti, na África Oriental, até o Senegal, na costa oeste do continente. Principal objetivo: impedir que o Saara continue avançando para o sul Em 2021, durante a cúpula climática realizada em Paris, a União Europeia, o Banco Mundial e a União Africana anunciaram um investimento de 14 milhões de dólares para acelerar o desenvolvimento do projeto e expandir as plantações nos países participantes. A Grande Muralha Verde tem como objetivo restaurar 100 milhões de hectares degradados, capturar 250 milhões de toneladas de carbono e gerar 10 milhões de empregos verdes até 2030. A recuperação desses territórios permitiria a manutenção da produção agrícola em áreas afetadas pela perda de nutrientes e pela seca. Alguns dos recursos alocados ao programa foram afetados por problemas de corrupção Divulgação / Nasa Objetivos ambientais e sociais do projeto Entre os objetivos definidos estão a recuperação de terras férteis, a criação de oportunidades econômicas para a população jovem e o fortalecimento da segurança alimentar em uma região onde milhões de pessoas enfrentam dificuldades de acesso a alimentos. Veja também: Ossos expostos por seca levam à descoberta de dinossauro gigante na Tailândia O plano também visa melhorar a resiliência climática no Sahel, uma das regiões com aquecimento mais rápido do mundo. Dados das Nações Unidas indicam que as temperaturas nessa região aumentaram 1,5°C no último século, ultrapassando a média global. Segundo relatórios da ONU, a desertificação avança a uma taxa de 45 a 60 centímetros por ano na área que separa o Saara da savana africana. Essa situação aumenta o risco de deslocamentos populacionais em massa devido à perda de terras produtivas. Progresso parcial e estratégias locais A União Africana informou que aproximadamente 18% do projeto já foi concluído. Alguns países obtiveram progressos significativos por meio de estratégias de restauração ambiental. A Etiópia, por exemplo, recuperou 15 milhões de hectares protegendo e podando árvores que cresceram espontaneamente, além de combater a exploração madeireira ilegal. No Senegal, foram plantadas aproximadamente 12 milhões de árvores, enquanto a Nigéria conseguiu restaurar cinco milhões de hectares ao longo de sua fronteira norte. Essas ações ajudaram a conservar áreas agrícolas e a aumentar a produtividade do solo. Especialistas apontam que um único hectare de área florestal pode reter até 500 toneladas de dióxido de carbono e fornecer recursos suficientes para sustentar entre três e cinco famílias. Dificuldades e críticas do projeto Segundo uma reportagem da NPR, 18 anos após o início da iniciativa, os resultados obtidos continuam limitados em comparação com os objetivos originais. O meio de comunicação observou que alguns dos recursos alocados ao programa foram afetados por problemas de corrupção, instabilidade política e golpes de Estado em diversos países da região. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 135 milhões de pessoas dependem atualmente de terras degradadas para o seu sustento. Ao mesmo tempo, a insegurança alimentar, os conflitos por recursos e a migração continuam a aumentar. Em diversas comunidades do Sahel, as plantações começaram a murchar devido à falta de infraestrutura e manutenção. A escassez de bombas d'água, sistemas de irrigação e assistência técnica dificultou a continuidade do trabalho em inúmeras áreas. O projeto acumulou um orçamento estimado em US$ 31 bilhões até o ano passado. No entanto, diversos relatórios afirmam que grande parte desse investimento ainda não se traduziu em resultados visíveis em larga escala.
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