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"textContent": "\nPortugal endureceu as regras para concessão de cidadania e aumentou de cinco para sete anos o tempo mínimo de residência exigido para brasileiros pedirem a nacionalidade. A nova Lei da Nacionalidade, que entrou em vigor nesta terça-feira, também altera a forma de contagem do prazo, restringe critérios para filhos de imigrantes e pode ampliar ainda mais o tempo de espera — cenário que impacta diretamente milhares de brasileiros que vivem ou planejam viver no país. As mudanças refletem um movimento mais amplo do governo português de restrição da política migratória. Contexto: Brasileiros correm para tirar cidadania de Portugal antes das regras apertarem hoje Portugal Giro: Novas regras para tirar cidadania de Portugal valem a partir de hoje A nova lei foi promulgada no início de maio, após revisão de trechos considerados inconstitucionais, e inaugura uma fase de incertezas sobre a aplicação prática das novas regras, especialmente para quem já tem processos em andamento. A principal alteração atinge quem busca a cidadania por tempo de residência. O prazo mínimo passou de cinco para sete anos para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), grupo do qual o Brasil faz parte, e pode chegar a dez anos para estrangeiros de outras nacionalidades. Initial plugin text Além disso, a contagem do tempo passa a considerar apenas o período após a emissão da autorização de residência, desconsiderando a fase inicial de regularização migratória. Na prática, isso pode prolongar ainda mais o caminho até a cidadania. As mudanças afetam diretamente brasileiros, que formam a maior comunidade estrangeira em Portugal, com mais de 500 mil residentes. Uma década: Em Portugal, conclusão de novos pedidos de cidadania pode levar dez anos Para o advogado Wilson Bicalho, professor de pós-graduação de direito migratório, o novo cenário altera o planejamento de quem pretende se naturalizar. — O aumento do prazo muda completamente a estratégia de quem pretende obter a nacionalidade. Não é apenas esperar mais tempo, mas manter a regularidade migratória por um período mais longo, o que exige mais organização e segurança jurídica — afirma. Corrida por pedidos Antes da entrada em vigor da nova lei, houve uma corrida de brasileiros para antecipar pedidos de cidadania. 18 horas de espera: Brasileiros passam madrugada na fila para tirar cidadania em Portugal Escritórios de imigração relataram aumento significativo na demanda, e o próprio Instituto de Registos e Notariado (IRN) confirmou a alta nos processos. O advogado Diego Mayer, especialista em direito migratório, afirma que chegou a trabalhar em cerca de 300 pedidos de cidadania em duas semanas. — O escritório viveu uma corrida contra o relógio. Trabalhamos até de madrugada para submeter todos os processos antes da entrada em vigor das novas regras — conta. — Para as famílias que chegaram até nós, agir antes da publicação no Diário da República significou anos a menos. Atrasos: Pedidos de cidadania à espera de decisão em Portugal disparam quase 1000% Mayer também ressalta que houve pedidos de cidadania de descendentes de judeus sefarditas, grupo que deixou de ter direito à obtenção da cidadania com as novas regras. Casos como o da profissional de TI Andrea Amaral ilustram o movimento. A brasileira se encaixava nas exigências e diz que resolveu entrar logo com o processo por tempo de residência em junho de 2025, temendo possível retroatividade. — Entrei com o processo antes da alteração, uma vez que já cumpria os requisitos da época. E para não ser prejudicada por uma mudança legislativa — explica. Endurecimento das regras A nova legislação também endurece as regras para filhos de estrangeiros nascidos em Portugal. Agora, o reconhecimento da nacionalidade passa a exigir vínculo mais claro dos pais com o país, incluindo residência legal por um período mínimo de cinco anos. As mudanças também acendem um alerta entre brasileiros que planejavam usar a cidadania europeia como estratégia de mobilidade internacional e como porta de entrada para negócios na Europa. Entenda: Pedidos submetidos antes ficam livres das novas regras para tirar cidadania de Portugal Segundo Marcial Sá, advogado internacionalista do Godke Advogados, as mudanças podem afetar estratégias empresariais. — Com o aumento do prazo para obtenção da cidadania, será necessário rever estratégias migratórias, societárias e tributárias para evitar insegurança jurídica durante esse período maior de residência — destaca. Para o advogado, embora a abertura de empresas no país continue possível mesmo sem cidadania portuguesa, o novo prazo pode afetar vantagens práticas e operacionais para empresários brasileiros. — A cidadania facilita acesso a crédito, circulação plena dentro da União Europeia, segurança sucessória e até expansão empresarial para outros países do bloco. Agora, o investidor terá um ciclo mais longo até alcançar esse status — diz. Veja: Pedidos de cidadania portuguesa por judeus sefarditas disparam no Brasil Apesar das novas regras, ainda há dúvidas sobre como ficarão os processos já em andamento. A expectativa é que pedidos protocolados sigam a legislação anterior, mas especialistas alertam para riscos jurídicos caso haja mudanças na aplicação das normas. A nova lei faz parte de um movimento mais amplo de endurecimento das regras migratórias em Portugal e já provoca reações no meio jurídico. Além do aumento de prazos, o texto prevê critérios mais rigorosos para concessão da nacionalidade e discute até a possibilidade de perda do direito em casos específicos, pontos que ainda podem ser analisados pelo Tribunal Constitucional. Com as novas regras em vigor, o acesso à cidadania portuguesa se torna mais longo e complexo. O cenário pode redefinir planos de vida de brasileiros que veem o país como porta de entrada para a Europa. O que muda na prática Veja, ponto a ponto, o que muda com a nova lei de cidadania portuguesa: Prazo maior de residência: o tempo mínimo de residência legal passou de 5 para 7 anos para brasileiros e imigrantes de nações africanas de língua portuguesa (CPLP) solicitarem a cidadania; Mais rigor para outras nacionalidades: estrangeiros fora da CPLP podem precisar comprovar até 10 anos de residência; Nova contagem do prazo: o tempo só começa a contar após a emissão da autorização de residência, desconsiderando o período de espera por regularização migratória; Regras mais duras para filhos de imigrantes: crianças nascidas em Portugal passam a depender de comprovação de residência legal dos pais por um período mínimo, reforçando a exigência de vínculo formal com o país; Fim de algumas possibilidades de acesso: foram restringidas modalidades de obtenção da nacionalidade, como vias ligadas a descendência específica (como a de judeus sefarditas); Critérios mais rigorosos no geral: a lei amplia exigências e pode tornar o processo mais longo e burocrático; Impacto para empresários: prazo maior pode adiar acesso a benefícios como crédito e circulação no mercado europeu.",
"title": "Cidadania de Portugal: Entenda regras que endurecem lei que afeta brasileiros"
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