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"textContent": "\nEm \"Natal amargo\", filme de Pedro Almodóvar em competição no Festival de Cannes, o argentino Leonardo Sbaraglia interpreta um cineasta com problemas de inspiração, em um retrato pouco amável do veterano diretor espanhol. Jafar Panahi: Tribunal iraniano julgará esta semana o caso contra o cineasta 'Matando milhares': Em Cannes, Javier Bardem critica 'comportamento masculino tóxico' de Trump, Putin e Netanyahu Sbaraglia se diz encantado por ter encarnado Raúl Durán, um famoso diretor de cinema que, para compensar a falta de boas ideias, se alimenta dos problemas de seus amigos para escrever seus roteiros. \"A primeira coisa que [Almodóvar] me disse quando me ofereceu o papel foi: 'não quero um retrato amável'\", lembra o ator de cabelos grisalhos encaracolados, em entrevista à AFP em Cannes. \"Ele queria se ver como uma espécie de [...] vampirizador\", como um personagem o acusa no filme, explica o ator de 55 anos. Para Sbaraglia, o dilema é saber se vale a pena se aproveitar das experiências dos amigos, e às vezes sacrificar essas relações, para fazer uma obra de arte que possa ter um impacto maior. \"Estou pegando algo da vida e do meu entorno ou da vida de alguém muito querido e levando isso para inspirar o coração de milhões de pessoas\" no cinema, afirma o ator, explicando como vê esse dilema. Em sua opinião, é evidente que os 24 filmes de Almodóvar contribuíram para \"inspirar, revolucionar, dar coragem a grupos marginalizados\". Com seu cinema, \"ajudou muito para que o mundo, de maneira muito concreta, tivesse uma voz e uma coragem\". 'Exigência' Esta é a segunda vez que Sbaraglia filma com o cineasta espanhol. Na colaboração anterior, em \"Dor e glória\" (2019), também um filme introspectivo sobre seu trabalho de diretor, o ator argentino interpretava um amante do protagonista. Agora, o ator de \"Relatos selvagens\" foi mais longe e encarna o próprio diretor. \"Foi uma experiência muito exigente, muito demandante e, ao mesmo tempo, arrebatadora\", explica. \"É um homem arrebatador, um homem com convicções profundas e com uma espécie de consistência criativa tremenda\", diz Sbaraglia sobre Almodóvar. \"Sinto sempre como se fosse um Dalí, um Picasso que está tecendo, pintando, construindo cores, construindo mundos\". \"A gente é como se fosse mais uma peça dentro de um grande mosaico\", prossegue, e \"é muito interessante fazer parte de seu mundo\". Em \"Natal amargo\", Sbaraglia divide o elenco com Bárbara Lennie, que interpreta uma das personagens fictícias da história que Raúl Durán está escrevendo, e com Aitana Sánchez-Gijón, a assistente do diretor. Na filmagem, \"a maior dificuldade foi a própria exigência\", diz Sbaraglia, porque, quando Almodóvar \"te diz quero que você faça isto... o primeiro inimigo é você mesmo\". O ator saboreia um ano excepcional de trabalho. Além de \"Natal amargo\", também está em Cannes com outro filme, \"Karma\", no qual interpreta o companheiro da francesa Marion Cotillard. Talvez seja um momento de boa fase que possa levar a uma nova colaboração com o autor de \"Tudo sobre minha mãe\" e \"Volver\". Questionado se já se sente um 'garoto Almodóvar', responde entre risadas: \"Não sei, com uma terceira talvez\".",
"title": "Leonardo Sbaraglia vive alter ego de Pedro Almodóvar em novo filme do cineasta espanhol"
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