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"publishedAt": "2026-05-17T07:31:09.000Z",
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"O Globo"
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"textContent": "\nO período pós-parto tem ampliado discussões sobre maternidade, saúde emocional e a pressão estética imposta às mulheres após o nascimento dos filhos. Em meio às transformações físicas e à adaptação de uma nova rotina, muitas mães relatam dificuldade em se reconhecer no próprio corpo, ao mesmo tempo em que seguem expostas a expectativas sociais relacionadas à aparência. Estudos recentes indicam que essa percepção negativa cresce justamente nos meses posteriores à gestação, revelando impactos que vão além da estética. Gestação e pós-parto: entenda o que muda nos cuidados com o corpo Flacidez, pele e pós-parto: veja por que os bioestimuladores estão ganhando espaço entre as mães Levantamentos internacionais apontam que a insatisfação corporal tende a aumentar no pós-parto. Uma pesquisa realizada na Alemanha mostrou que o índice sobe de 2,9% no fim da gravidez para 11% poucos meses após o nascimento do bebê. Os dados também indicam que até 48% das mulheres apresentam elevada insatisfação com o corpo nesse período, enquanto mais de 90% relatam mudanças físicas ao longo da maternidade. Para a médica Nívea Bordin Chacur, CEO das clínicas Leger, a questão está diretamente ligada às expectativas criadas em torno da mulher após a chegada dos filhos. \"A mulher não deixa de se cuidar porque não quer. Ela deixa de se cuidar porque não consegue. E ainda assim existe uma cobrança para que ela mantenha uma imagem que não acompanha a realidade dela\", afirma. Segundo especialistas, o pós-parto costuma concentrar uma sobrecarga física e emocional que muitas vezes entra em conflito com os padrões de aparência reforçados socialmente. Ao mesmo tempo em que a mulher é incentivada a dedicar atenção integral ao bebê, permanece exposta a referências estéticas difíceis de sustentar em uma rotina marcada por privação de sono, alterações hormonais e mudanças na dinâmica familiar. Os impactos desse cenário não se limitam à relação com a imagem. Estudos também associam a insatisfação corporal no pós-parto ao aumento de sintomas depressivos, indicando reflexos diretos na saúde emocional. Nesse contexto, especialistas observam um descompasso entre as demandas impostas à maternidade e as condições disponíveis para que a mulher consiga atender, simultaneamente, a todas essas expectativas. As redes sociais também aparecem como um fator relevante nesse processo. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam que o consumo passivo de conteúdo pode intensificar percepções negativas sobre o corpo, especialmente diante da exposição frequente a padrões idealizados. Já estudos conduzidos na Turquia indicam que o uso excessivo dessas plataformas tende a ampliar esse impacto em um período considerado mais vulnerável emocionalmente. A discussão em torno do pós-parto também tem provocado mudanças na forma como o mercado de bem-estar e estética passou a abordar a maternidade. Em vez de reforçar padrões estéticos ou cobranças relacionadas à aparência, cresce um movimento que busca colocar a mulher no centro do próprio cuidado, considerando as transformações físicas e emocionais desse período. Segundo Nívea, essa percepção surgiu a partir da observação frequente do comportamento das pacientes nos consultórios. \"Quando você olha para esses dados, fica claro que essa mulher não precisa de mais cobrança. Ela precisa de espaço. Não é sobre mudar o corpo dela, é sobre devolver o lugar dela\", explica. Galerias Relacionadas Mais do que uma discussão sobre aparência, o tema evidencia transformações na forma como maternidade, autocuidado e saúde mental vêm sendo debatidos. Em meio às exigências sociais e às mudanças impostas pela nova rotina, cresce a percepção de que o cuidado com a mulher no pós-parto também envolve acolhimento, tempo e condições reais para atravessar esse período.",
"title": "Por que tantas mulheres não se reconhecem no próprio corpo após o parto? Entenda"
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