O que a Geração Z procura no amor? Pesquisa revela mudança no comportamento afetivo
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May 17, 2026
Em meio às discussões sobre novos formatos de relacionamento e mudanças no comportamento afetivo entre os mais jovens, uma pesquisa do aplicativo happn aponta que a Geração Z brasileira mantém uma visão mais tradicional sobre vínculos amorosos do que muitas vezes se imagina. Embora temas como não-monogamia e relações abertas tenham ganhado espaço nas redes sociais e no debate público, os dados mostram que a maioria dos entrevistados ainda se identifica com relações monogâmicas e demonstra interesse por conexões construídas com clareza e intenção. Veja: Ghosting, orbiting e outras dinâmicas amorosas que estão redefinindo os relacionamentos Confira: Uso intenso de redes sociais está ligado a mudanças no desejo entre jovens, aponta estudo Segundo o levantamento, 55% dos participantes afirmam ser estritamente monogâmicos, enquanto 53% dizem não enxergar benefícios em relacionamentos abertos. Ao mesmo tempo, a própria geração demonstra uma percepção crítica sobre a forma como lida com o amor e os vínculos afetivos: 36% dos entrevistados consideram os jovens pouco interessados em compromisso, e 30% os definem como confusos em relação aos relacionamentos. Mais do que buscar definições rígidas, os dados indicam uma geração que valoriza transparência e alinhamento de expectativas desde os primeiros contatos. Para 34% dos participantes, saber com clareza o que a outra pessoa procura é tão importante quanto a aparência física na hora de demonstrar interesse em alguém. Esse comportamento também aparece na rejeição a dinâmicas consideradas desgastantes nos aplicativos de relacionamento. Entre as atitudes mais mal avaliadas está a demora proposital para responder mensagens como forma de parecer desinteressado, apontada por 35% dos entrevistados. Linguagem agressiva ou preconceituosa também aparece entre os principais fatores de afastamento, especialmente entre as mulheres. Apesar da valorização da clareza, a pesquisa indica que os jovens não estão necessariamente focados em relações tradicionais ou casuais. O principal objetivo apontado pelos participantes foi o desejo por conexões "sem pressão", mencionado por 35% dos entrevistados, permitindo que os vínculos se desenvolvam de maneira mais espontânea. O levantamento também chama atenção para o impacto das redes sociais na percepção sobre o amor e os relacionamentos. Quase metade dos jovens ouvidos — 47% — afirma que o ambiente digital influencia negativamente sua visão afetiva, principalmente pela exposição constante a expectativas consideradas irreais ou idealizadas. Essa relação mais cautelosa com o ambiente online também se reflete no uso da inteligência artificial dentro da vida amorosa. Embora 83% dos entrevistados afirmem ainda não utilizar IA nos relacionamentos, parte dos usuários já recorre à tecnologia como ferramenta de apoio emocional ou comportamental. Entre eles, 47% usam recursos de IA para buscar conselhos sobre comportamento, enquanto 21% utilizam funcionalidades dos aplicativos para ajudar no planejamento de encontros. Para Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente do happn, os resultados revelam uma geração marcada por contradições entre hiperconectividade e desejo por relações mais autênticas. "Esses resultados nos mostram uma geração que está navegando em um paradoxo profundo: eles estão digitalmente sobrecarregados, mas são profundamente tradicionais em seus desejos centrais. Os solteiros da Geração Z são muito intencionais em suas escolhas e querem que sua experiência de relacionamento permaneça transparente e humana, priorizando a responsabilidade no mundo real em vez do 'hype' de novos rótulos", afirma.
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