Super drones, IA militar e armas autônomas: quem lidera a nova corrida da defesa europeia
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May 16, 2026
A corrida militar pela inteligência artificial entrou definitivamente na agenda estratégica da Europa. O que há poucos anos era tratado como um campo experimental passou a ocupar o centro dos investimentos em defesa de países como Alemanha, França, Reino Unido e Ucrânia, que aceleram programas de drones, sistemas de combate e plataformas de tomada de decisão movidas por inteligência artificial. Como é o drone militar de papelão lançado pelo Japão que voa a mais de 100 km/h e custa até 20 vezes menos O movimento ganhou novo capítulo nesta semana com o anúncio do programa “Brave Germany”, parceria entre Alemanha e Ucrânia para produzir cerca de 5 mil drones de ataque de médio alcance equipados com sistemas de IA. O projeto simboliza uma transformação mais ampla nas forças armadas europeias: a transição da inteligência artificial de ferramenta de apoio para elemento central das estratégias militares. Drones, guerra eletrônica e IA no campo de batalha De acordo com a Euronews, os investimentos europeus hoje se concentram em duas áreas principais: sistemas de armas semi-autônomos; plataformas de apoio à decisão militar baseadas em IA. Nos sistemas semi-autônomos, a inteligência artificial auxilia na navegação, identificação de alvos e execução tática, mas ainda existe um operador humano responsável pela autorização final do ataque. Já os sistemas de apoio à decisão funcionam como plataformas capazes de cruzar enormes volumes de dados para ajudar comandantes militares em planejamento operacional, gestão de combate e análise estratégica. Galerias Relacionadas A Alemanha é hoje um dos países mais avançados nessa corrida. Em 2023, Berlim assinou contrato com a empresa Helsing para desenvolver sistemas de IA ligados ao Future Combat Air System (FCAS), o caça europeu de próxima geração. O país também firmou acordos para integrar inteligência artificial aos sistemas de guerra eletrônica do Eurofighter e autorizou a produção de drones kamikaze destinados às forças alemãs e à Otan. Reino Unido e França aceleram disputa tecnológica No Reino Unido, o governo lançou o programa Asgard, uma rede digital que conecta sensores, sistemas de reconhecimento, ferramentas de análise e armamentos inteligentes com foco em aumentar a velocidade de resposta militar. Londres também ampliou sua parceria com a Palantir Technologies, em um acordo que pode chegar a 1,5 bilhão de libras. Já a França tenta construir um modelo mais independente dos gigantes tecnológicos americanos. O governo francês fechou acordos com a Mistral AI, considerada a principal rival europeia de empresas como OpenAI e Anthropic. O objetivo francês é criar sistemas militares “soberanos”, reduzindo a dependência tecnológica dos Estados Unidos. Ucrânia virou laboratório de guerra com IA Grande parte dessa aceleração europeia foi impulsionada pela experiência da guerra na Ucrânia. Desde o início do conflito com a Rússia, os ucranianos passaram a utilizar inteligência artificial em áreas como: análise de inteligência; monitoramento de tropas; drones de ataque; reconhecimento de alvos; gestão de combate. Um dos exemplos mais avançados é o sistema Delta, plataforma integrada à Otan que combina dados de satélites, radares, rastreamento e mapas digitais para auxiliar oficiais no campo de batalha. Segundo especialistas, o diferencial do Delta é justamente a camada de IA responsável por interpretar grandes volumes de informação em tempo real. Galerias Relacionadas A Ucrânia também passou a operar drones kamikaze capazes de navegar e localizar alvos automaticamente. Embora ainda exista autorização humana para o disparo final, especialistas afirmam que o país já testa sistemas com níveis maiores de automação. O debate sobre armas autônomas O avanço acelerado da IA militar reacendeu um debate global sobre os limites éticos da automação em guerras. Pesquisadores alertam que alguns comandantes militares já enxergam o operador humano como um “gargalo” operacional, especialmente em cenários onde decisões precisam ser tomadas em segundos. Segundo analistas, quanto maior o grau de automação, mais rápida e resiliente tende a ser a resposta militar. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação internacional sobre sistemas capazes de selecionar ou atacar alvos com mínima intervenção humana.
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