Netanyahu diz que Israel controla 60% da Faixa de Gaza, mais do que o previsto em acordo de cessar-fogo
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May 15, 2026
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que suas tropas controlam 60% da Faixa de Gaza, o que sugere que avançaram para uma zona do território palestino mais ampla do que previsto no plano de cessar-fogo de outubro. Entrevista: 'Se nos esquecermos de Gaza, abandonaremos parte de nós mesmos', diz escritor 'Fomos jogados na rua, como cachorros', contam palestinos de Gaza que vivem desde começo da guerra em vestiário de estádio na Cisjordânia "Houve quem dissesse: vão embora, vão embora! Não fomos. Hoje controlamos 60%; amanhã veremos", declarou Netanyahu em uma cerimônia por ocasião do Dia de Jerusalém. Segundo os termos do cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o grupo palestino Hamas, em vigor desde outubro, as forças israelenses deveriam retirar-se até uma chamada "Linha Amarela" em Gaza, o que deixava sob seu controle mais de 50% do território palestino. No entanto, vários meios de comunicação noticiaram recentemente o avanço das tropas em direção a uma nova "Linha Laranja". Análises a partir de imagens de satélite apontam violações territoriais, tanto observando a localização dos blocos de concreto posicionados por Israel para servir como uma demarcação física da linha, quanto por meio da análise de zonas destruídas desde o cessar-fogo. Uma das análises, realizada pela iniciativa BBC Verify, da rede britânica, indica que o Exército israelense posicionou um total de 16 blocos de concreto para demarcar a linha e posteriormente voltaram para alterar as posições em Beit Lahia, Jabalyia e al-Tuffah. A análise ainda aponta que cada bloco foi movido em média 300 metros para o interior da faixa. Em outra averiguação, feita pelo jornal israelense Haaretz, com base em imagens do PlanetLab, observou-se a destruição de infraestrutura em áreas dentro e fora dos limites da linha amarela. As imagens mostram que tanto em Jabalyia quanto no bairro de Shujaiyeh, na Cidade de Gaza, áreas dentro e fora da área de atuação foram atingidas. Initial plugin text A primeira fase da trégua permitiu a libertação dos últimos reféns capturados nos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 em solo israelense, que desencadearam a guerra em Gaza, em troca de palestinos detidos por Israel. A segunda fase inclui o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, se o Hamas se recusar a desarmar-se, os militares podem retomar os combates. Em meio às tratativas políticas, fontes palestinas e organizações internacionais denunciam agressões reiteradas ao enclave, enquanto militares israelenses estabelecem novas bases e alteram a realidade no terreno — o que ativistas temem ser o indício de uma ocupação permanente.
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