Trump diz que resposta iraniana a plano dos EUA para a guerra é 'inaceitável'
O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo
May 10, 2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou de "inaceitável" a resposta iraniana a uma nova proposta dos EUA para encerrar a guerra lançada pelo republicano no final de fevereiro, e que hoje está em relativa pausa para dar espaço à diplomacia. Segundo relatos na imprensa do Irã, o governo em Teerã enfatizou a necessidade em pavimentar o fim do conflito e fez exigências sobre sanções e a liberação de dinheiro congelado no exterior, sem apresentar compromissos sobre o programa nuclear. "Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!", escreveu o republicano em sua rede social, o Truth Social. Horas antes, o Paquistão, que atua como mediador, confirmou o recebimento da contraproposta iraniana, sem revelar seu teor. De acordo com a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, o plano de Teerã põe ênfase no fim da guerra e em garantias para que ela não seja retomada, exige o fim das sanções e pede que os iranianos tenham algum papel na gestão do Estreito de Ormuz, hoje fechado por dois bloqueios — um do Irã, outro dos EUA. Em outro ponto, afirma a Tasnim, citando representantes do governo, os negociadores cobram a liberação de ativos financeiros congelados no exterior, que somariam cerca de US$ 100 bilhões. Mas a proposta estipula que, neste momento, os iranianos não querem discutir o futuro do programa nuclear. De acordo com o portal Axios, um ponto crucial do plano americano era o congelamento por até 20 anos das atividades de enriquecimento no país, além de algum tipo de compromisso para que jamais fosse desenvolvida uma bomba atômica. Inicialmente, o Irã sugeriu uma pausa de aproximadamente cinco anos, sem o desmantelamento das instalações existentes. Não está nítido se a declaração do presidente americano equivale à total rejeição do plano, ou se ela se encaixa em uma retórica agressiva adotada pela Casa Branca para forçar um acordo o quanto antes. No início da tarde deste domingo, Trump criticou o que vê como demora dos iranianos em responder às mensagens dos EUA durante as negociações — na semana passada, quando Washington apresentou sua nova proposta, disse esperar uma resposta até sexta-feira, o que não aconteceu. Em entrevista a uma jornalista, exibida neste domingo, destacou que os planos para retomar os bombardeios contra o Irã seguem sobre a mesa, estimando uma campanha de duas semanas para eliminar alvos que "ainda gostaria de atingir". Em artigo sobre as críticas do líder americano, a agência estatal Irna considera que "o presidente dos EUA está tentando redefinir a atmosfera política em torno das negociações no contexto de máxima pressão e concessões, uma abordagem que tem sido observada consistentemente na política externa de Washington em relação ao Irã nos últimos meses". "Tais posições de Washington não apenas não ajudam a esclarecer o rumo das negociações, como também podem aumentar a complexidade do ambiente diplomático e limitar a possibilidade de se chegar a entendimentos graduais", acrescenta o texto. De acordo com a rede CNN, citando fontes no governo americano, Trump conversou com o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, neste domingo, mas o teor do diálogo não foi revelado. Em entrevista à rede CBS, Netanyahu reiterou sua preocupação com os estoques de urânio enriquecido dentro do Irã, cerca de 400 kg, sem descartar uma ação militar para retirar o material do país, mas alegou preferir que um acordo seja firmado.
Discussion in the ATmosphere