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OMS alerta para possibilidade de novos casos de hantavírus, mas diz que surto em cruzeiro deve ser 'limitado'

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 8, 2026
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu na quinta-feira que novos casos de hantavírus ainda podem surgir após o surto registrado a bordo do cruzeiro MV Hondius, que já deixou três mortos e oito infecções identificadas. Apesar disso, a agência avalia que o avanço da doença deve ser "limitado" se medidas sanitárias forem mantidas O que é o hantavírus letal e como ele se espalhou em um navio de cruzeiro? Hantavírus: Após crise em navio de cruzeiro, relembre surto de infecção nos anos 90 que causou mortes no Brasil No centro de um alerta sanitário internacional desde o fim de semana, o navio segue em direção à ilha espanhola de Tenerife, nas Canárias, onde, a partir da próxima semana, está prevista a retirada de cerca de 150 passageiros e tripulantes. Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, infecção geralmente associada ao contato com roedores. No caso do MV Hondius, exames identificaram a cepa Andes — a única variante conhecida com registros de transmissão de pessoa para pessoa em situações de contato muito próximo. — Até hoje, foram registrados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos — informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra. Como o período de incubação da cepa Andes pode chegar a até seis semanas, "é possível que mais casos sejam relatados", acrescentou. Os três mortos ligados ao cruzeiro — que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde — são um casal de holandeses e uma passageira alemã. Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul. 'Não é o começo de uma pandemia' A OMS fez questão de afastar comparações com a covid-19 e reiterou que o risco epidêmico global permanece baixo. — Não é o começo de uma pandemia — afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, na primeira coletiva da agência desde o início da crise. O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto será "limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre todos os países". — A situação está, em nossa opinião, amplamente sob controle — afirmou na noite de quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que um "relatório completo" seria divulgado nesta sexta-feira. Origem do contágio segue indefinida A origem do foco ainda é desconhecida. Segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes mesmo do início da expedição, já que o primeiro passageiro morto — um holandês de 70 anos — apresentou sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque. Ele e a esposa haviam viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes de entrar no navio. O Ministério da Saúde do Chile afirmou que é improvável que o casal tenha sido infectado em território chileno, já que a passagem pelo país ocorreu "em um período que não corresponde ao de incubação". Já as autoridades sanitárias argentinas disseram que, "com as informações fornecidas até o momento (...) não é possível confirmar a origem do contágio". O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, onde vêm sendo registrados cerca de 60 casos anuais nos últimos anos. Vida a bordo 'praticamente normal' Passageiros e tripulantes de cerca de 20 países continuam a bordo do MV Hondius. — Não há pessoas com sintomas a bordo — garantiu a companhia Oceanwide Expeditions, após a evacuação de três passageiros na quarta-feira. Segundo dois passageiros franceses, em comunicado enviado a veículos de imprensa, a vida a bordo segue "praticamente normal". Ao mesmo tempo, autoridades sanitárias rastreiam os deslocamentos de 30 passageiros que desembarcaram na ilha de Santa Helena entre 22 e 24 de abril, em busca de possíveis contaminados ou contatos próximos. Na pequena ilha britânica de 4.400 habitantes, no Atlântico Sul, cresce a apreensão. Ainda assim, autoridades locais afirmam que "mais de 95%" da população não teve contato próximo com passageiros do navio. Entre os que desembarcaram ali estavam o primeiro holandês morto, em 11 de abril, e sua esposa, que morreu em Johannesburgo em 26 de abril. Em Singapura, dois sexagenários que estiveram na ilha foram colocados em isolamento enquanto aguardam resultados de testes — um deles com secreção nasal. Um francês que viajou de avião com um caso confirmado e apresenta "sintomas leves" também está isolado. Segundo Tedros, o capitão do navio relatou que "o moral melhorou consideravelmente" desde que a embarcação retomou a rota para a Espanha. Nas Canárias, porém, a chegada do navio ainda desperta temor. — Não era nada e depois veja só — disse à AFP o aposentado Marco González, em Granadilla de Abona, localidade onde está prevista a operação de desembarque. O governo regional, contrário à chegada do MV Hondius a Tenerife, afirmou que o navio "não atracará", mas permanecerá fundeado diante da costa. A evacuação dos passageiros será feita "com uma lancha ou uma embarcação-mãe que possa ir, buscá-los, transportá-los e levá-los ao aeroporto de Tenerife Sul", detalharam as autoridades locais.

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