A pedido de Lula, imprensa só entrará no Salão Oval após encontro com Trump
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May 7, 2026
Jornalistas americanos e brasileiros que acompanham a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump na Casa Branca, em Washington, só poderão entrar no Salão Oval ao fim da conversa entre os dois líderes. É uma inversão de protocolo, já que, normalmente, a imprensa acompanha o início dos encontros diplomáticos do tipo. Ao vivo: Trump recebe Lula com tapete vermelho na Casa Branca Influência: Joesley Batista, da JBS, ajudou a intermediar econtro entre Lula e Trump, diz agência A inversão foi um pedido da comitiva de Lula a Trump, segundo a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto. Às vésperas da ida de Lula a Washington, havia uma preocupação no entorno do Planalto e entre analistas que acompanham negociações internacionais sobre a possibilidade de que o encontro com Trump acabasse virando uma “emboscada”. Bola da vez: Em meio ao tarifaço de Trump, investimento chinês no Brasil salta 45% e é o maior desde 2017 Isso porque o presidente americano já protagonizou diálogos constrangedores com outros líderes mundiais, como os da Ucrânia e da África do Sul. O estilo de Trump incluiu o risco de constrangimento perante as câmeras nos encontros diplomáticos. Bate-boca com Zelensky Em fevereiro de 2025, logo após a posse de Trump para seu segundo mandato na Casa Branca, o americano recebeu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que ganhou notoriedade global por causa da guerra travada desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, bate boca com Donald Trump, antes de reunião na Casa Branca, em fevereiro de 2025 Saul Loeb/AFP Minutos antes da reunião, Trump elevou o tom com o ucraniano, acusando o governo de Kiev de “jogar com a Terceira Guerra Mundial”, e afirmando que ele deve “ser grato” pela ajuda americana. Zelensky acabou batendo boca com Trump. África do Sul e o 'genocídio branco' Meses depois, em meio, a vítima do bullying de Trump foi o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Sob os olhos de jornalistas que acompanhavam o encontro, o americano interrompeu a conversa para pedir a exibição de um vídeo, com alegações sobre um suposto — e jamais comprovado — “genocídio” de fazendeiros brancos sul-africanos, que embasa as críticas da Casa Branca e de movimentos nacionalistas contra Pretória. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, discute teve que rebater falsas alegações de Trump, em encontro na Casa Branca em maio de 2025 Jim Watson/AFP Ramaphosa, mesclando expressões de riso e incredulidade, tentou rebater Trump, afirmando que não há indícios de ataques raciais contra brancos, alegação que foi chamada de “mito” por um tribunal sul-africano em fevereiro do ano passado. Trump começou o encontro dizendo que seu convidado “era considerado controverso”, e logo abordou a suposta violência direcionada à minoria branca na África do Sul. Tarifaço contra o Brasil No caso do Brasil, o temor entre analistas e no entorno do Planalto parte da proximidade de Trump e assessores da Casa Branca com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família. Em julho do ano passado, ao anunciar, em postagem nas redes sociais, a sobretaxa sobre as exportações brasileiras para os EUA, que levaria a taxação total a 50% para vários bens, Trump citou motivos políticos como justificativa para a medida — nos últimos vários anos, os EUA vinham registrando superávit comercial com o Brasil. Na carta publicada em sua conta nas redes sociais, Trump justificou a decisão “em parte pelos ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos.”
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