Caso Master: defesa de Ciro Nogueira repudia ‘ilações de ilicitude’ e diz que senador vai esclarecer fatos investigados
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May 7, 2026
A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou nesta quinta-feira que o parlamentar vai colaborar com as investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e repudiou o que chamou de “ilações de ilicitude” envolvendo sua atuação parlamentar no caso do Banco Master. Em nota divulgada após a operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados afirmam que Ciro está comprometido em contribuir com a Justiça “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. A manifestação também faz críticas à decisão que autorizou medidas de busca e apreensão, citando o uso de mensagens mencionadas na investigação. Segundo a defesa, “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas”. A decisão, no entanto, não se baseia apenas nesses elementos e considera um conjunto mais amplo de indícios reunidos pela Polícia Federal, como a suspeita de pagamento de vantagens indevidas, registros de transferências e benefícios financeiros, além de elementos que indicariam a atuação do parlamentar em favor de interesses do banco. Os advogados dizem ainda que esse tipo de medida “merece a devida reflexão e controle severo de legalidade” e afirmam que a discussão deverá chegar às Cortes Superiores “muito em breve”, em comparação ao debate travado anteriormente sobre o uso de delações premiadas. Em coletiva após a operação, o advogado do senador, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a equipe pretende ter acesso integral ao material apreendido antes de uma avaliação mais detalhada do caso. — A próxima medida é ter acesso a tudo que tem lá. O que foi apreendido não tem nenhuma preocupação — afirmou. O advogado defendeu ainda que a relação entre o senador e o banqueiro era “natural” e negou irregularidades nos vínculos citados pela investigação. Ele afirmou que as empresas citadas pela PF não foram criadas para repasses e que havia uma relação comercial entre elas, além de defender a apresentação de propostas legislativas por parlamentares. — É uma relação natural de um grande banqueira na época com senador, assim como existe com vários outros banqueiros e senadores. Não foram criadas para esse repasse. A empresa é há muito tempo da família. Havia um negócio entre as duas empresas, agora vamos saber exatamente do que se trata — afirmou. Segundo Kakay, foram apreendidos uma BMW, celulares, um tablet e documentos durante a operação. Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirma que investigadores apontam o senador como suposto “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco. Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta apelidada nos bastidores do Senado de “emenda Master”. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto foi elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador. Em uma das conversas citadas na investigação, o banqueiro Daniel Vorcaro comemora a apresentação da proposta afirmando: “Saiu exatamente como mandei”. A emenda ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC, mecanismo que garante parte dos investimentos em caso de quebra de instituições financeiras. A proposta não chegou a ser aprovada.
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