Chanceler da China pede paz e reabertura do Estreito de Ormuz após reunião com ministro de Relações Exteriores do Irã
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May 6, 2026
A China pediu a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim imediato das hostilidades durante uma reunião em Pequim com o ministro das Relações Exteriores do Irã, em meio à pressão dos Estados Unidos para que Pequim ajude a encerrar o bloqueio iraniano à importante rota marítima. O encontro ocorreu nesta quarta-feira entre o chanceler chinês Wang Yi e seu homólogo iraniano Abbas Araghchi. Nova ameaça: Trump ameaça bombardear o Irã com 'intensidade' após secretário de Estado dizer que operação ofensiva acabou Narrativa em disputa: Irã reivindica vitória após Trump suspender operação em Ormuz em meio a sinais de avanço diplomático Segundo um resumo oficial divulgado pela agência estatal Xinhua, Wang afirmou que interromper a guerra é uma questão urgente. “China acredita que uma cessação abrangente das hostilidades não deve ser adiada, qualquer reinício das hostilidades é ainda menos desejável, e insistir em negociações é particularmente importante”, disse o chanceler. Wang evitou atribuir culpa ao Irã pela crise no estreito, rota estratégica para petróleo, gás natural e cargas globais, mas reforçou a preocupação de Pequim com o bloqueio. O impasse elevou os preços do petróleo e ampliou impactos econômicos globais. Initial plugin text “A comunidade internacional compartilha uma preocupação comum com a restauração de uma passagem normal e segura pelo Estreito de Hormuz”, afirmou Wang, acrescentando que a China “espera que as partes envolvidas respondam aos fortes apelos da comunidade internacional” pela reabertura da rota. Chanceler do Irã, Abbas Araghchi Ahmed HASAN / AFP Araghchi é o primeiro alto representante iraniano a visitar a China desde o início da guerra entre Irã e Israel, no fim de fevereiro. O encontro faz parte dos esforços de Pequim para incentivar o fim do conflito, ao mesmo tempo em que busca evitar envolvimento direto. O posicionamento chinês indica continuidade dessa estratégia, mesmo diante da crescente preocupação com os impactos econômicos do bloqueio. Análise: Bloqueio naval e sanções agravam crise econômica e podem forçar concessões do Irã, mas sem a rendição esperada por Trump Wang também reiterou o apoio da China ao direito do Irã ao desenvolvimento pacífico da energia nuclear, afirmando que o país “deve ter o direito ao desenvolvimento pacífico da energia nuclear, sem adquirir armas nucleares”. Ele acrescentou: “China apoia os esforços do Irã para salvaguardar sua soberania e segurança nacionais”. Araghchi afirmou que Teerã segue comprometido com a diplomacia. Em nota, seu gabinete informou que ele detalhou a Wang o andamento das negociações de paz, incluindo mediações do Paquistão. Segundo o comunicado, o Irã está tão “sereno e firme” nas negociações quanto em sua defesa militar. Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP Pequim se prepara para sediar uma cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês Xi Jinping na próxima semana, quando devem ser discutidos o conflito no Irã e a reabertura do estreito. O Estreito de Ormuz está parcialmente bloqueado há dois meses desde o início da guerra. Além disso, a Marinha dos EUA mantém restrições a embarcações ligadas ao Irã. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou em Washington que a China deveria pressionar o Irã durante a visita de Araghchi. “Espero que os chineses digam a ele o que precisa ser dito, e isso é que o que você está fazendo no estreito está levando você ao isolamento global”, disse Rubio. “É do interesse da China que o Irã pare de fechar o estreito. Isso está prejudicando a China também.” Leia também: Mídia do Irã retrata suspensão de operação militar de Trump como derrota dos EUA Na terça-feira, Trump anunciou uma pausa temporária na operação de escolta de navios comerciais no estreito, citando avanços em negociações com o Irã. Apesar do bloqueio, navios com petróleo iraniano, inclusive destinados à China, continuam passando pela região. Ainda assim, o aumento dos preços globais de energia já afeta a economia chinesa. Autoridades afirmam que Pequim teve papel indireto na negociação do cessar-fogo frágil firmado em abril. Mesmo buscando manter estabilidade nas relações com os EUA antes da cúpula, a China tem resistido à pressão americana sobre o Irã. Após sanções dos EUA contra uma refinaria chinesa independente que compra petróleo iraniano, Pequim orientou empresas a não cumprir as medidas.
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