Durigan diz que não conversou com Lula sobre indicações ao BC
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May 5, 2026
A ata do Copom divulgada nesta terça-feira escancarou o esvaziamento da diretoria do Banco Central: o documento foi assinado por apenas cinco diretores, além do presidente, Gabriel Galípolo. O colegiado está com duas cadeiras vagas e, na última semana, durante a reunião do Copom, ainda teve a ausência do diretor Rodrigo Teixeira por motivo pessoal. O governo ainda não enviou ao Senado os dois nomes pendentes para sabatina. A indefinição ocorre após a rejeição de Jorge Messias ao STF, o que deixou em aberto quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará uma nova indicação. Com isso, as demais nomeações seguem travadas. Em entrevista ao programa Roda Viva, na noite de segunda-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ainda não se inteirou sobre o tema e não conversou com o presidente sobre o assunto, mas afirmou que o nome de Guilherme Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad, está "interditado", já que ele assumiu novas funções. Atualmente, é secretário-executivo do Ministério do Planejamento e também assumiu a presidência do conselho da Petrobras. O fato é que o nome de Mello não foi bem aceito no mercado financeiro nem pelo próprio BC. O outro nome indicado para a vaga é o economista Tiago Cavalcanti. — Antes de sair, o ministro Haddad conversou com o presidente e com o presidente Gabriel Galípolo também. Eu não tive oportunidade, até porque faz um mês que estou à frente do ministério. Nós tivemos a guerra, estive em Washington, no FMI, no Banco Mundial, agora estamos discutindo o Desenrola, uma série de outras coisas... Eu não tratei desse tema. Mas acho que, evidentemente, existe uma precedência da indicação do Supremo. Então, enquanto não se resolvesse a indicação do Supremo, as outras pautas estavam bloqueadas. Acho que a gente deveria encaminhar as indicações que estão previstas, seja do Banco Central, mas também da CVM, que precisa se reestruturar e de apoio, e também do Cade. Há uma série de indicações a serem feitas e, em prol de um funcionamento adequado da máquina pública, essas indicações devem ser feitas. Além de desfalcado em sua diretoria, o Banco Central também enfrenta restrições orçamentárias, enquanto não avança no Parlamento a PEC que dá autonomia financeira, orçamentária e administrativa à entidade. Nesta terça-feira, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), adiou a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC), que ocorreria nesta quarta-feira. Segundo o jornal Valor, como o Senado realizará sessões semipresenciais nesta semana, Alencar afirmou que uma PEC complexa como essa deve ser discutida de maneira presencial, com todos os senadores interessados presentes no plenário da CCJ. Em abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, esteve na CPI do Crime Organizado e pediu novamente ajuda do Legislativo para aprovação da PEC do Banco Central. — Desde a minha sabatina, eu já venho tratando disso. Pedi apoio de início, pedi ajuda e agora peço socorro. Tem um projeto que está aqui na Casa há bastante tempo, que é a PEC que busca nos equiparar ao arcabouço legal dos bancos centrais do resto do mundo. De forma alguma o Banco Central quer se esquivar da responsabilidade de prestar contas sobre qualquer centavo gasto. Pelo contrário: quanto mais instâncias de controle e fiscalização, melhor para o Banco Central.
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