Sem representantes da prefeitura, audiência pública na Câmara reúne denúncias de violência contra ambulantes nas praias do Rio
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May 5, 2026
Uma audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (5) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro colocou em debate a situação dos ambulantes que atuam nas praias da cidade. O encontro teve como principal foco denúncias de violência praticada por agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal durante fiscalizações na orla — tema que voltou à tona após o caso da abordagem a uma artesã em Ipanema que gerou protestos de banhistas e viralizou nas redes sociais, no mês passado. Também entraram na pauta reivindicações ligadas às condições de trabalho, como a instalação de banheiros químicos, a criação de pontos de apoio para regularização da atividade, além da oferta de cursos de primeiros socorros e da padronização da categoria. Redescoberta: Praia da Glória vive efervescência cultural Mais barracas e chance de crescer: Ambulantes ganham cursos no Rio — Muitos são espancados de forma arbitrária. Eu já levei tiro de borracha nas costas. Todos os dias nós estamos batalhando, correndo e apanhando para ter sustento em casa — disse Elenice Cristina Moreira, vendedora de caipirinha em Copacabana. Agentes da Seop puxam artesã pelo braço durante abordagem na Praia de Ipanema: caso, em abril, teve grande repercussão Reprodução/Instagram Idison José da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal de Rua do Rio de Janeiro (Sindinformal), afirmou que gostaria que a ordem pública fosse encarada como uma forma de organizar, e não coibir o trabalho dos ambulantes. — Não tem que ser criminalização. Nós não somos estúpidos. Hoje, nós conhecemos as nossas questões e sabemos o quanto representamos na economia. Não vamos abrir mão da nossa história— disse. Organizada pelo vereador Leonel de Esquerda (PT), presidente da Comissão Especial do Trabalho Informal da Câmara, a audiência contou com os vereadores vereador Deangeles Percy (PSD), Márcio Ribeiro (PSD), Rodrigo Vizeu (MDB) e Maíra do MST (PT), com o deputado federal Reimont (PT) e com representantes de diferentes entidades, como Maria dos Camelôs, do Movimento Unido dos Camelôs (Muca-RJ). Embora Leonel informe que convidou autoridades como o prefeito Eduardo Cavaliere, o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, e o subprefeito da Zona Sul, Pedro Angelito, a reunião não contou com representantes do Executivo municipal. Durante o debate, o parlamentar afirmou que o tema do comércio ambulante tem sido influenciado por pressões externas e se referiu à rejeição a seu projeto de tornar os ambulantes que trabalham na orla patrimônio cultural imaterial da cidade, iniciativa vetada pela maioria dos vereadores na semana passada. — A gente vive em uma plutocracia. Uma falsa democracia que, na verdade, é uma democracia de quem tem dinheiro. Aquela classe média elitista que não representa a maioria das pessoas em Copacabana, Ipanema e Leme fez lobby empresarial para a maioria dos vereadores. Muitos ficaram com medo da pressão que essa classe média poderia fazer nos seus redutos eleitorais — disse. Ainda de acordo com o vereador, está marcada para esta quarta (6) uma reunião com os secretários de Ordem Pública (Seop), Marcus Belchior, e de Fazenda, Andrea Riechert Senko, às 11h, na Sala das Comissões da Câmara, para discutir a situação dos ambulantes. A reunião com os secretários estava prevista anteriormente para o dia 30 de abril, mas foi remarcada para acontecer após o debate desta terça-feira. A Seop afirmou que enviará representantes para a reunião extraordinária agendada nesta quarta-feira. Leonel de Esquerda diz que dados obtidos por seu mandato junto à prefeitura em 2025 indicam que há descompasso entre oferta de licenças e demanda: em Copacabana, são 596 vagas para 943 trabalhadores na fila, enquanto na Lagoa há 397 vagas para 538 interessados. Procurada para comentar o assunto, a prefeitura não respondeu até a publicação desta reportagem. Initial plugin text
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