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Durigan diz esperar cortes de juros como complemento ao Desenrola e nega que política fiscal atrapalhe BC

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 5, 2026
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de hoje que o governo espera conjugar os efeitos do Novo Desenrola Brasil com a queda da taxa básica de juros (Selic), que disse esperar seguir caindo nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro afirmou que a gestão das contas públicas pelo governo não é um obstáculo para que o BC mantenha o atual ciclo de queda dos juros iniciado há três meses. Horas depois de lançar hoje o Novo Desenrola Brasil, segunda edição do programa de renegociação de dívidas do governo federal, ao lado do presidente Lula, em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o convidado do Roda Viva nesta noite, em São Paulo. O objetivo do Novo Desenrola é reduzir o alto endividamento das famílias brasileiras, que preocupa o governo no ano em que o presidente Lula concorre à reeleição. Em sua primeira resposta no programa, Durigan afirmou que o governo "corrigiu o curso" no Novo Desenrola em relação à primeira versão do Desenrola, criado em 2023, e que não conseguiu deter o crescimento do endividamento dos brasileiros. Ele afirmou que, em 2023, o governo criou uma plataforma de leilões de descontos entre os bancos para a renegociação de dívidas gerais e contava com a queda dos juros como forma de reduzir o crescimento exponencial das dívidas. No entanto, ele admitiu que mudanças na política monetária dos EUA e o seu reflexo na condução dos juros pelo BC no Brasil atrapalharam esse cenário. — Agora estamos de novo às portas de um novo ciclo de queda das taxas de juros — afirmou Durigan, acrescentando que o governo optou agora por uma versão mais simples, sem plataforma única com acesso pelo gov.br e destacou o bloqueio dos participantes de jogarem em bets durante um ano como forma de que as pessoas voltem a se endividar. — Se a pessoa está recorrendo a um programa do governo para diminuir sua dívida, vai diminuir muito, me parece razoável que não jogue. Durigan afirmou que 1% de tudo o que será arrecadado pelos bancos com o Novo Desenrola será revertido em ações de educação financeira pelos próprios bancos e entidades de defesa do consumidor. O ministro afirmou que não vê linhas de crédito incentivadas pelo governo ou mesmo a renegociação de dívidas no Desenrola como um fator que atrapalha a política monetária do Banco Central. Ele afirmou que a dificuldade do BC agora de reduzir os juros está mais ligado à pressão inflacionária decorrente da guerra no Oriente Médio. Durigan foi incisivo ao dizer não concordar com a avaliação de economistas de que os gastos públicos são o principal fator que impede a queda dos juros no Brasil. — Não acho que seja o fiscal a razão do juro alto no país — afirmou o ministro, dizendo que a política fiscal pode ser um dos faturas, mas "pesa pouco". — O que houve em 2024 e 2025 foi uma melhora gradual do fiscal. Isso é indisputável. E continuou, dizendo que a situação fiscal não é a ideal, mas que vê uma evolução a partir do arcabouço fiscal aprovado em 2023: — Temos vários desafios pela frente, mas o que fizemos de esforço fiscal foi de dois pontos percentuais do PIB. O ministro afirmou que sua gestão na Fazenda é uma continuidade da proposta do ex-ministro Fernando Haddad (que deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo) para a economia, o que ele definiu como "gradualismo". O ministro disse não acreditar em uma "bala de prata" capaz de cortar gastos públicos e endividamento em pouco tempo. E criticou mecanismos como o teto de gastos, que impedia o crescimento das despesas públicas acima da inflação nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. O ministro afirmou que o aumento da dívida pública no país se deve principalmente à alta dos juros, não à forma como o governo vem buscando gradualmente o equilíbrio das contas públicas. — Temos um desafio no Brasil que é equilibrar a demanda social e de infraestrutura para o desenvolvimento com a redução do endividamento. Durigan destacou a aprovação no Congresso de um corte linear de 10% nos benefícios fiscais neste ano como um exemplo da efetividade da ação gradual do governo para a contenção de gastos. Ele afirmou que qualquer que seja o presidente em 2027 será necessário manter um esforço fiscal para aumentar a economia do governo da ordem de 2% do PIB, mas não vê necessidade de uma nova regra fiscal a partir do ano que vem: — Eu não acho que uma nova regra fiscal seja necessária. O arcabouço funcionou, permite ajustes, não envelheceu. Está no começo dos seus efeitos. O ministro defendeu a ação do governo para aumentar a arrecadação entre segmentos privilegiados que não são tributados como prevê a lei e previu que, no longo prazo, a Reforma Tributária dará maior racionalidade e previsibilidade ao ambiente de negócios no país. Vagas na diretoria do BC Sobre as duas vagas que estão abertas na diretoria do Banco Central, o ministro afirmou que não conversou com o presidente Lula sobre as indicações a serem feitas pelo governo. Ele indicou que o tema já foi definido pelo antecessor, Fernando Haddad, com o presidente Lula. Haddad avia apontado o então secretário de Política Econômica da Fazenda e atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Melo, e o economista Tiago Cavalcanti. Durigan disse não ter conversado com Lula sobre esses nomes, mas indicou que Melo, que também assumiu recentemente a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, deve ficar fora da lista. Master: responsabilidade de Campos Neto Sobre o caso do Banco Master, Durigan afirmou que é muito grave, o maior escândalo financeiro já registrado no país. O ministro da Fazenda afirmou que a "responsabilidade primordial" é da gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. — Acho que a responsabilidade primordial é de quem acompanhou esse processo no Banco Central, da autorização (de operação do Master) do BC até a ultima autorização (de aquisição de outras instituições), entre 2019 a 2024, na gestão do presidente anterior do BC, Roberto Campos Neto. O ministro defendeu que as leis sejam "exercidas e aplicadas com rigor" neste caso e lamentou o rombo financeiro causado pelo ressarcimento dos clientes do Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que lembrou ser, no fundo "dinheiro do sistema financeiro, dos próprios poupadores". Correios: 'Não defendo estatal deficitária Sobre a crise dos Correios, Durigan afirmou que é preciso encontrar alguma saída para a estatal, mas lembrou que a empresa tem uma obrigação de universalizar seus serviços, o que tem uma natureza deficitária. Disso não ser contra privatização em si, mas afirmou que não é uma "bala de prata" e precisa ser avaliada com atenção. Afirmou ser favorável a algum tipo de "flexibilização", como a crição de parcerias da estatal com o setor privado por meio de uma joint venture. — Não defendo estatal deficitária, tem que ter solução. Reação à crise no Oriente Médio Durigan defendeu o projeto de lei proposto pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), que reduz a alíquota de impostos federais, como PIS/Cofins, sobre combustíveis, como gasolina e etanol, com a arrecadação extra esperada no setor de petróleo com a disparada da cotação internacional do barril no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio. Ele afirmou que o objetivo do governo é manter uma "neutralidade fiscal" no enfrentamento dos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio, que desencadeou uma alta da cotação internacional do petróleo e pressiona o preço dos combustíveis. Ele afirmou que, a exemplo do que foi proposto no projeto, todas as medidas relacionadas a este tema serão planejadas para serem revistas a cada dois meses, dada a incerteza sobre o fim do conflito entre EUA e Irã. — O Brasil não pode ser sócio da guerra. Não vou fazer mais fiscal por causa da guerra, mas também não vou fazer menos. Temos que cumprir o compromisso de neutralidade fiscal para cumprir o Orçamento aprovado para 2026 — afirmou Durigan. Taxa das blusinhas Durigan disse não ter conversado com o presidente Lula sobre uma eventual revogação da chamada taxa das blusinhas, a cobrança de impostos sobre encomendas importadas abaixo de US$ 50. O ministro defendeu o Remessa Conforme, que regulou esse comércio, e disse que "não tenho nenhuma novidade quanto a isso". O ministro afirmou que tem um olha especial para a comunicação e que considera importante falar diretamente com a audiência do país, por exemplo, por meio das redes sociais. A bancada de entrevistadores do Roda Viva que entrevistou o ministro da Fazenda foi formada por Thais Barcellos, repórter do GLOBO; Sergio Lamucci, editor-executivo do Valor Econômico; Christiane Pelajo, âncora do Times Brasil/CNBC; Luiz Guilherme Gerbelli, repórter de Economia do Estadão; Mariana Brasil, repórter da Folha de S.Paulo; e Thais Herédia, âncora da CNN Brasil.

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