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Refilmada para evitar polêmicas, cinebio de Michael Jackson chega aos cinemas idealizando o Rei do Pop

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo April 23, 2026
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Em 1971, aos 9 anos, Fernanda Abreu entrou numa loja de discos para comprar o compacto que trazia a música “ABC”, de uma banda pop americana chamada The Jackson 5. O vocalista principal era um menino de 10 anos, tão criança como Fernanda. O nome dele era Michael Jackson (1958-2009). Crítica: cinebiografia de Michael Jackson evita polêmicas, mas emociona com recriação de shows e clipes 'Michael': cinebiografia do Rei do Pop teve de ser reescrita e refilmada por conta de acordo na justiça; entenda Duas semanas atrás, 55 anos depois, Fernanda era uma das centenas de fãs nas sessões de pré-estreia da cinebiografia “Michael”, dirigida por Antoine Fuqua (“Dia de treinamento”, “O protetor”) e produzida por Graham King (“Bohemian rhapsody”), que entra em cartaz nesta quinta-feira (23). — Fiquei tão alucinada pelo Michael naquele primeiro momento que passei a acompanhar absolutamente tudo o que ele fez, até o fim da vida. Michael Jackson é o maior cantor e bailarino pop de todos os tempos — decreta a garota carioca. Caso raro no pop Os números ajudam a sustentar os superlativos de Fernanda. Estima-se que Michael Jackson tenha vendido cerca de 500 milhões de discos. Dependendo do ranking, o Rei do Pop estaria emparelhado apenas com os Beatles e com Elvis Presley. E a popularidade do popstar não parece ter arrefecido com o tempo. As novas sessões de pré-estreia que aconteceram na terça-feira (210, no Rio, estavam quase todas lotadas (inclusive em cinemas VIP com ingressos a R$ 100). O GLOBO acompanhou uma das projeções, na qual o filme foi aplaudido entusiasmadamente por um público formado por representantes das gerações X e millennials, que acompanharam a carreira do artista, e também por adolescentes que só conheceram Michael depois de sua morte. — Acho que o sucesso dele é o sonho de todo artista. É impressionante ver esses jovens que conhecem as coreografias que viraram clássicas. Isso é raro no pop. Sem falar no canto dele, que é único — derrete-se Fernanda. Jaafar Jackson como o tio, Michael Jackson, na cinebiografia "Michael" Divulgação/Glen Wilson/Lionsgate Do The Jackson 5 a 1988 “Michael” conta de forma linear a trajetória do artista, desde a criação do The Jackson 5, formado pelos irmãos Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael, em 1966, até o início da turnê do álbum “Bad”, em carreira solo, em 1988. Segundo o New York Times, o recorte não foi por acaso. As primeiras denúncias de abuso sexual contra o cantor surgiram no início dos anos 1990, e um acordo jurídico entre o espólio de Michael e a produtora Lionsgate teria impedido que a polêmica fosse abordada na telona. Leia também: Veja quem é quem em "Michael", a cinebiografia do Rei do Pop Uma eventual parte 2, ainda não confirmada, deverá descrever a trajetória de Michael até sua morte, em 2009, duas semanas antes da estreia da turnê “This is it”, cujos ensaios viraram um documentário com o mesmo nome, lançado quatro meses após a tragédia. A ideia de transformar rapidamente as imagens dos bastidores da turnê frustrada em filme foi do agente e advogado de Michael, John Branca, peça-chave nas viradas artísticas do popstar. No filme, Branca é interpretado por Miles Teller. O patriarca Joe Jackson (1928-2018), responsável pela criação do The Jackson 5, é encarnado por Colman Domingo. E o papel-título ficou sob a responsabilidade de ninguém menos do que Jaafar Jackson, um dos sobrinhos do astro. Em entrevista ao programa de Jimmy Fallon, o filho de Jermaine Jackson explicou que nunca havia sequer pensado em atuar: “Eu estava me preparando para me tornar jogador profissional de golfe quando Graham (King, produtor do filme) me perguntou se eu gostaria de interpretar meu tio.” Ao todo, foram dois anos de preparação, treinando as coreografias e os vocais desafiadores. Jaafar e o ator mirim Juliano Krue Valdi, que faz Michael menino, cantam de fato nas cenas de gravação no estúdio, mas apenas dublam o cantor nas cenas dos shows. Jaafar Jackson interpreta o tio, o rei do pop Michael Jackson, na cinebiografia "Michael" Divulgação/Glen Wilson/Lionsgate Em carreira solo, pós-Jackson 5, Michael Jackson contabiliza dez álbuns de estúdio. Entre os maiores sucessos estão “Thriller” (1982), “Bad” (1987) e “Dangerous” (1991). Ainda que na fase solo o cantor talvez tenha consolidado a alcunha de Rei do Pop, o produtor musical e colunista da rádio CBN João Marcelo Bôscoli lembra que Michael já era poderoso nos tempos em que se apresentava com os irmãos. — Os meninos do The Jackson 5 lideraram paradas de sucesso, viraram desenho animado, fizeram publicidade até de cereal, o que não é pouco num país tão conflituoso nas questões raciais e políticas como os Estados Unidos — afirma. Foi a partir do primeiro disco solo, “Off the wall” (1979), que Michael apresentou ao mundo sucessos até hoje lembrados, como “Rock with you” e “Don’t stop till you get enough”, canções consagradas naquele período em que o popstar começou a criar a marca visual e musical pela qual até hoje é lembrado. — É um conjunto de assinaturas: o cabelo, a meia branca, a luva, a jaqueta brilhante, a calça com bainha curta, o chapéu Fedora... coisas que ele viu em outros ídolos e editou numa única pessoa — analisa João Marcelo. — Sem falar que ele construiu com (os produtores musicais) Rod Temperton e Quincy Jones uma maneira de gravar vocais de apoio, com a voz dele sobreposta várias vezes, que hoje em dia se percebe em vários outros artistas, de Britney a Alicia Keys — diz o produtor, que também cita Bruno Mars, The Weeknd e os artistas do K-pop como os atuais seguidores das pegadas musicais de Michael Jackson. Perguntada sobre o filme, Fernanda Abreu diz que “Michael” é uma “novelinha”. Talvez porque o longa opte por mostrar uma imagem idealizada do artista, sem contradições ou idiossincrasias. Há apenas um vilão, o pai Joe. A mãe protetora Katherine é interpretada por Nia Long, e a irmã La Toya Jackson (Amaya Mendoza e Jessica Sula) no filme parece já ter nascido usando a icônica faixa colorida na cabeça. A ausência de nuances e polêmicas não chega a ser uma surpresa. O filme é iniciativa dos agentes John Branca e John McClain, responsáveis pelo espólio do popstar, cujos beneficiários são a mãe e os filhos do cantor, Prince, Paris e Blanket Jackson. E quase todos querem que Michael seja apresentado como um homem acima do bem e do mal. Menos Paris. A filha de Michael disse num post nas redes sociais que o filme “está cheio de imprecisões”. Mas também afirmou entender que “trata-se de um filme feito para um tipo de fã que sairá do cinema bem feliz”. A julgar pelas primeiras reações, os fãs não apenas estão felizes como ansiosos pela parte 2. Nós, brasileiros, ficamos na torcida para que a continuação registre a filmagem do vídeo “They don’t care about us”, em 1996, em Salvador e no Rio, sob direção de Spike Lee. Por conta disso, erguemos até uma estátua do ídolo no Morro Dona Marta. Maior homenagem não há.

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