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O fenômeno das 'novelas de frutas' e como a inteligência artificial está mudando o entretenimento digital

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo April 22, 2026
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Nos últimos meses, um tipo de conteúdo inusitado começou a ocupar espaço nas redes sociais: vídeos de frutas com rostos humanos, vozes sintetizadas e regras próprias sobre como devem ser cortadas, armazenadas ou consumidas "corretamente". O que inicialmente tinha um tom quase didático evoluiu rapidamente para narrativas seriadas, com enredos que incluem conflitos, relações e desfechos em sequência. Protagonista de 'A Nobreza do Amor', Ronald Sotto fala sobre trajetória e representatividade na TV: 'Não quero ser exceção' Lázaro Ramos vê moda como espaço de autoestima e afirmação: 'Um lugar de fortalecimento' A partir dessa expansão, o formato conhecido como "novelas de frutas" passou a extrapolar o universo da brincadeira e ganhou novas camadas de circulação nas plataformas. Em diferentes versões que viralizam nas redes, personagens inspirados em celebridades brasileiras são incorporados às tramas, ampliando o alcance e o interesse do público. Um dos núcleos que mais chamou atenção é o inspirado na influenciadora Virgínia Fonseca. Nos vídeos, situações do cotidiano são transformadas em roteiro dramatizado, com referências a temas que já circularam na vida pública da criadora de conteúdo, como críticas feitas por Zé Felipe sobre viagens frequentes dos filhos, Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo. O relacionamento com Vini Jr., que vive em Madri, também aparece adaptado na narrativa, incluindo menções a presentes enviados às crianças, como tênis para uso na escola. Outro universo que ganhou tração foi o baseado na modelo Karoline Lima, que chegou a reagir à brincadeira em suas redes sociais: "Não estou acreditando que virei novela de fruta. Estão me chamando de Cenourine. É tanta coisa que já aconteceu na minha vida, a que ponto chegamos". O que explica a viralização desse formato Criados com apoio de inteligência artificial, esses conteúdos se apoiam em narrativas curtas e sequenciais, pensadas para estimular o consumo contínuo nas plataformas. A combinação entre humor, exagero e referências facilmente reconhecíveis ajuda a explicar a rápida disseminação desse formato nas redes sociais. Para especialistas, o fenômeno vai além da curiosidade e reflete a forma como o entretenimento digital vem sendo moldado por algoritmos e pela lógica de retenção de atenção. Para Mohamad Rabah, CEO da Multiverso Experience, o sucesso está na simplicidade estrutural. "É um conteúdo pensado para ser consumido sem esforço. Você entende a história em segundos e já é levado para o próximo episódio. Esse encadeamento é o que sustenta a viralização", afirma. Ele destaca ainda que, mesmo em cenários absurdos, há um fator de proximidade com o público. "Mesmo em um contexto absurdo, os temas são familiares, conflitos, relações, intrigas. Isso aproxima o público, ainda que a abordagem seja exagerada", observa. Já para Gabriela Moreira, Head de Marketing da Multiverso Experience, o formato é resultado direto da interação entre comportamento do usuário e estratégia das plataformas. "Esses vídeos são estruturados para reter atenção. Eles entregam conflito rápido, despertam curiosidade e criam expectativa de continuação. Isso aumenta o tempo de permanência e favorece a entrega nas plataformas", explica. Ela acrescenta que o elemento de surpresa é determinante para o alcance: "Existe um elemento de surpresa muito forte, que faz o usuário parar o scroll. E como é um conteúdo fácil de entender, ele se espalha com rapidez." O efeito das 'novelinhas' no digital O crescimento das "novelinhas" já começa a impactar o conteúdo digital, com marcas e criadores passando a explorar o formato para ampliar alcance e engajamento. Ao mesmo tempo, especialistas apontam para discussões sobre o tipo de narrativa que ganha visibilidade nesse ambiente, com conteúdos que frequentemente combinam simplificação e exagero. "Quando a produção se torna mais acessível com a inteligência artificial, a responsabilidade também aumenta. O desafio agora é equilibrar escala com qualidade", conclui Rabah.

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