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Chefe da autoridade eleitoral do Peru renuncia após irregularidades nas eleições

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo April 21, 2026
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O chefe do órgão eleitoral que organizou as eleições gerais no Peru, Piero Corvetto, renunciou ao cargo nesta terça-feira, poucas horas antes de comparecer perante o Ministério Público para prestar depoimento sobre irregularidades no processo. Além da lenta apuração eleitoral, que já dura mais de uma semana, o pleito de 12 de outubro também enfrentou diversos problemas logísticos, o que provocou a desconfiança do eleitorado e reações públicas de candidatos. Contexto: Peru vai às urnas com Keiko Fujimori na liderança em meio a crise política e aumento da violência Reação dos candidatos: Ultradireitista pede anulação enquanto candidato de esquerda se encaminha para segundo turno "Espero que minha renúncia contribua para gerar um clima de maior confiança nas eleições", disse o funcionário em carta publicada em seu perfil na rede social X. A carta foi endereçada ao presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aceitou sua renúncia "por unanimidade". Corvetto estava à frente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) desde 31 de agosto de 2020. Ele havia sido reconduzido ao cargo em 2024. "Considero necessário e urgente renunciar à responsabilidade que me foi confiada, no interesse da organização e condução do segundo turno da eleição presidencial em um contexto de maior confiança pública no ONPE", acrescentou, explicando sua saída. Ele descreveu as irregularidades registradas na distribuição de material eleitoral em Lima durante o dia 12 de abril como "problemas técnicos operacionais". A Junta Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país, descreveu as irregularidades na distribuição do material eleitoral em Lima, em 12 de abril, como "problemas técnicos e operacionais". Esses problemas causaram atrasos na abertura das seções eleitorais na capital peruana e impediram que mais de 50 mil pessoas votassem, forçando uma prorrogação de 24 horas do horário de votação — uma medida sem precedentes no Peru. A missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) mencionou "sérias deficiências", mas esclareceu que não encontrou "nenhuma evidência objetiva" de fraude, como alegado pelo candidato ultraconservador Rafael López Aliaga. A Junta Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país, estima que os resultados finais não serão conhecidos antes de 15 de maio devido aos atrasos na apuração dos votos realizada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) Corvetto deve comparecer perante o Ministério Público esta tarde para responder a perguntas no processo contra ele, juntamente com outros três funcionários da ONPE, por suposta interferência no direito ao voto. — Esperamos ter os resultados presidenciais pelo menos até meados de maio, o que é necessário para determinar o segundo turno — disse neste sábado Yessica Clavijo, secretária-geral do Conselho Nacional Eleitoral, à rádio RPP. Segundo Clavijo, das mais de 15 mil cédulas sob revisão após terem sido contestadas, 30% correspondem à eleição presidencial e o restante à votação para deputados e senadores. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE) informou que contabilizou 93,9% das atas até terça-feira, restando apenas cerca de 15.000 votos incontestados. As 5.600 atas restantes, que podem representar um total de até um milhão de votos, ainda estão sendo contestadas. Initial plugin text Cédulas encontradas em um contêiner de lixo, registros eleitorais contestados e acusações de fraude lançaram uma sombra sobre o dia da eleição e dificultaram a contagem dos votos presidenciais, alimentando ainda mais a desconfiança em instituições já fragilizadas. Os peruanos ainda não sabem quem enfrentará a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do falecido ex-ditador Alberto Fujimori, no segundo turno, em 7 de junho, a única candidata com vaga garantida. O esquerdista radical Roberto Sánchez e López Aliaga estão praticamente empatados na disputa pelo segundo lugar, com Sánchez mantendo uma ligeira vantagem de 14 mil votos, com quase 94% das cédulas apuradas. As autoridades precisarão analisar cada ata contestada, e os candidatos poderão contestar as decisões e até mesmo solicitar uma recontagem. Esse processo pode levar semanas, e com apenas uma pequena margem de votos separando os concorrentes, a disputa é acirrada. Turbulência política Um eventual segundo turno entre Sánchez e Fujimori seria semelhante ao de 2021, quando Fujimori perdeu a eleição presidencial por cerca de 40.000 votos para o ex-presidente de esquerda Pedro Castillo. Castillo foi destituído do cargo em 2022 sob acusações de tentativa de golpe e atualmente está preso. Sánchez, que foi um dos ministros de Castillo, prometeu dar continuidade aos seus planos de reformular a Constituição e sugeriu que não reconduziria o presidente do Banco Central, Julio Velarde, amplamente considerado um pilar da economia peruana. Essas posições já irritaram os investidores. Quem vencer o segundo turno será o 10º presidente do Peru desde 2016 e sucederá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho, para um mandato de cinco anos. Nos últimos anos, o Peru teve mais presidentes do que praticamente qualquer outra nação do mundo. O país já teve quatro chefes de Estado desde a última eleição, em meio a uma turbulência política persistente e um Congresso cada vez mais poderoso em relação ao Executivo. Quem quer que vença o segundo turno presidencial não terá maioria no novo Congresso bicameral, o que significa que o Legislativo representará o mesmo desafio à governança que atormentou todos os líderes da história recente do Peru. (Com AFP e Bloomberg)

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