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Liderada por Paes, oposição anuncia boicote à eleição da Alerj em protesto contra voto aberto

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo April 17, 2026
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Pouco antes do início da votação que definirá o novo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), partidos de oposição anunciaram que vão boicotar a eleição. Deputados de legendas como PSD — partido do ex-prefeito Eduardo Paes —, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL já sinalizaram que não participarão da votação. A estimativa entre parlamentares é de que ao menos 25 deputados deixem de votar, o que deve reduzir o quórum e ampliar o peso da base governista no resultado. Para a eleição aconteça é preciso 36 deputados presentes, maioria absoluta. A decisão de não participar do pleito ocorre em meio à insatisfação com o modelo de votação adotado. A eleição será realizada com voto aberto, o que, segundo deputados da esquerda, expõe os parlamentares a possíveis pressões e retaliações políticas. Nos bastidores, integrantes da oposição afirmam que a ausência é também uma forma de esvaziar politicamente o processo e reforçar a contestação jurídica que já está em curso. Do outro lado, a base aliada trabalha para consolidar a vitória do deputado Douglas Ruas (PL), apontado como favorito. A avaliação predominante entre aliados é de que, mesmo com o boicote da oposição, ele deve alcançar maioria confortável entre os presentes. A expectativa é que Ruas tenha ao menos 40 votos. Ainda pela manhã, deputados de partidos de direita se reuniram no gabinete do presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), em um encontro para alinhar o discurso e a estratégia para a votação. Segundo interlocutores da presidência da Casa, o grupo discutiu não apenas a eleição em si, mas também os desdobramentos possíveis após a escolha do novo comandante do Legislativo. Entre os cenários analisados, já há um plano traçado para a hipótese de Douglas Ruas enfrentar impedimentos jurídicos que o impeçam de assumir o governo do estado em eventual linha sucessória — ponto sensível nas discussões internas. Nesse caso, a estratégia seria a de que, mesmo eleito presidente da Alerj, Ruas se licencie do cargo para se dedicar à campanha eleitoral, evitando riscos jurídicos e políticos. Com isso, Guilherme Delaroli permaneceria no comando da Casa como presidente em exercício, garantindo continuidade administrativa e preservando o arranjo político construído pela base. A alternativa é vista como uma forma de contornar incertezas jurídicas sem abrir mão do controle político da Alerj. Na oposição, além do boicote, houve recuo na tentativa de apresentar uma candidatura competitiva. O deputado Vitor Junior (PDT) retirou seu nome da disputa após a confirmação de que a votação seria aberta. A avaliação de aliados é de que não haveria ambiente para uma disputa equilibrada nessas condições. O PDT ingressou com uma ação judicial pedindo que a eleição seja realizada com voto secreto na madrugada desta sexta-feira. A legenda argumenta que o modelo aberto compromete a independência dos deputados e fere princípios do processo legislativo ao expor publicamente as escolhas individuais. A disputa, no entanto, deve ultrapassar os limites da Alerj. Deputados de esquerda afirmam que, caso a eleição seja mantida com voto aberto e o resultado confirmado, a estratégia será recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o pleito. A ideia é pedir a convocação de uma nova eleição, desta vez sob a regra do voto secreto. Segundo esses parlamentares, o argumento central será o de que o formato atual não garante liberdade plena de voto, uma vez que parlamentares poderiam sofrer retaliações políticas por suas posições — seja dentro da própria Casa, seja em suas bases eleitorais ou relações com o Executivo. O ambiente de incerteza jurídica se soma a um momento de rearranjo político no estado do Rio. A eleição para a presidência da Alerj ganhou peso estratégico diante da possibilidade de desdobramentos na linha sucessória do governo e da influência que o comando da Casa exerce sobre pautas e articulações no Legislativo.

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