E o show de Justin Bieber no Coachella, foi ruim mesmo? Longe disso
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April 13, 2026
Um dos grandes assuntos do fim de semana no pop foi a apresentação que o astro canadense Justin Bieber fez na noite de sábado, para cerca de 125 mil pessoas, no festival Coachella, na Califórnia. Afastado dos palcos desde o show do Rock in Rio de 2022, Bieber fez seu retorno sozinho em cena (ou seja, sem músicos, cantando por cima de bases musicais) e dedicou parte da sua performance a manipular um laptop, escolher vídeos seus no YouTube e dublar as músicas ou fazer comentários. Kid Abelha: Após hiato de 13 anos, banda se reúne para turnê em arenas no Brasil; saiba como comprar ingressos Anitta é elogiada pela crítica internacional após performance no SNL: 'Você não precisa entender o que ela está dizendo para curtir'; vídeos Houve quem chamasse o show de “caótico” ou “preguiçoso”. Mas, visto inteiro no vídeo, não parece ter sido nenhum desses o caso. Artista que muitas vezes demonstrou seu inconformismo com os percalços da fama, e que andou balançando em termos de saúde mental, o cantor de 32 anos já havia testado sua imagem no Grammy, em um número musical que executou apenas de cueca e meias, com uma guitarra em punho. A nudez do seu palco no Coachella não deveria, portanto, surpreender o seu público que, de resto, teve Justin Bieber por mais de uma hora e meia, passando a limpo com boa voz e bom humor, uma carreira de pelo menos 15 anos de hits. Em um palco bonito e imenso, com vastos telões, o cantor (quase disfarçado, com agasalho com capuz, bermuda, botinhas e óculos escuros) começou a noite com a exposição maciça do repertório de seus álbuns mais recentes, “Swag” e “Swag II”, do ano passado. Os telões cumpriram bem a função de amplificar para o público a sua imagem, em um palco muitas vezes escuro e esfumaçado, mas que ele ocupou com habilidade, cantando o suave r&b de canções como “All I can take”, “Speed demon”, “First place”, “Go baby” (na qual, bem à vontede, chegou a deitar no chão) e “Walking away”. Dança e interação com público Numa segunda parte do show, Bieber foi para uma espécie de palco B, no qual recebeu o primeiro convidado da noite (Kid Laroi, para “Stay”), dançou, saudou o público (“é uma noite com a qual sonhei muito, a de estar aqui”) e depois receceu dois violonistas para interpretações bem emocionadas de “Things you do”, “Glory voice memo”, “Zuma house”, “Dotted line” e “Everything Hallelujah”. Foi, ali, o artista de coração aberto que todos queriam ver. De volta ao palco principal, chegou a vez da polêmica parte do show. Ao laptop, o cantor começou a vasculhar o YouTube e chegou ao hit inicial, “Baby” (“vocês se lembram dessa canção?”), e depois “Favorite girl”, “That should be me” e “Beauty and a beat”, duetando consigo mesmo jovem. Na viagem pelo passado, encontrou-se criança fazendo covers de “With you” (Chris Brown) e “So sick” (Ne-Yo) e fez um pouco de DJ em “Sorry” e “Where are Ü now”. Podia ser só karaokê, mas Justin Bieber estendeu o set de laptop escolhendo vídeos em que dava cabeçada numa porta giratória, caía do palco (“esse vídeo aqui é bom!”) e fazia um desabafo diante dos paparazzi (“esses caras não me deixam em paz!”). Desabafo que ele repetiu ali, como se estivesse dublando uma de suas músicas. Entre o cômico e o trágico, foi um interlúdio incomum para o show de um popstar, mas repleto de significado. E a nudez do palco não implicou em pobreza do show. A celebração de Coachella aconteceu de fato mais para o fim, quando ele recebeu, em pessoa, convidados do calibre de Dijon (para “Devotion”), Tems (“I think you're special”), Wizkid (“Essence”) e Mk.gee (na guitarra em “Daisies”, muito bem escolhida faixa de encerramento). No fim das contas, a apresentação de Justin Bieber teve emoção, descontração, boa performance vocal, muitas músicas, roteiro bem montado... e até fogos ao fim. Ruim, não tinha como ter sido.
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