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"textContent": "\nConsiderados os piores bombardeios desde 1982, os ataques israelenses no Líbano da última quarta-feira, que deixaram mais de 300 mortos, incluindo 33 crianças, levaram o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) a afirmar que a intensificação da ofensiva tem um impacto catastrófico sobre crianças e adolescentes no país. Segundo o Unicef, o novo episódio de violência se soma a um total “estarrecedor” de cerca de 600 crianças mortas ou feridas no Líbano desde 2 de março. Nesta sexta-feira, um ataque aéreo israelense no sul do Líbano matou oito membros das forças de segurança do Estado, segundo a agência de notícias estatal. Em resposta ao que classificou como uma \"violação\" do acordo de cessar-fogo, o grupo político-militar Hezbollah, aliado do Irã, afirmou ter lançado foguetes contra cidades no norte de Israel. 'Mais rápido possível': Israel ordena negociações com Líbano após relato de que Trump pediu a Netanyahu que reduzisse ataques para ajudar cessar-fogo Entenda: EUA e Irã se preparam para negociações no Paquistão com três impasses que ameaçam acordo Desde o início da guerra, quando Israel aproveitou o conflito no Irã para continuar seus ataques no Líbano — que dizem mirar o Hezbollah —, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas em todo o país, incluindo cerca de 390 mil crianças, segundo a Unicef. \"O direito humanitário internacional é claro: civis, incluindo crianças, devem ser protegidos em todos os momentos\", afirmou a agência, em comunicado, acrescentando que há relatos de crianças sendo retiradas debaixo de escombros, além de outras desaparecidas, separadas de suas famílias e sofrendo traumas. A agência da ONU alertou que o uso de armas explosivas em áreas densamente povoadas coloca as crianças em extremo risco e apelou a todas as partes para que respeitem o direito internacional. Israel e o Hezbollah continuaram a trocar ataques desde o início do instável cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, na última terça-feira. Initial plugin text Os ataques no Líbano vêm pressionando o frágil acordo. Os EUA e Israel afirmam que o Líbano não estava incluído na pausa das hostilidades, enquanto o Irã e o Paquistão, que é mediador, disseram que sim, e países europeus e a Rússia apelaram para inclusão do país na trégua. Na quinta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou a abertura de negociações diretas com o Líbano para discutir o \"desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas\" entre os dois países, mas sem cessar os ataques contra o país. O anúncio foi feito um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, ligar para o líder israelense e pedir, segundo as redes americanas CNN e NBC News, que iniciasse um diálogo e reduzisse os ataques para ajudar a garantir o sucesso do acordo de cessar-fogo temporário com o Irã, que trouxe uma relativa calma ao Golfo Pérsico desde então. Beirute, por sua vez, quer um cessar-fogo antes do início de negociações. Citado pelo jornal israelense Haaretz, um funcionário libanês afirmou que realizar conversas nas condições atuais poderia prejudicar seriamente a legitimidade pública do governo, especialmente considerando o amplo apoio popular ao fim dos combates e ao retorno dos deslocados internos. Israel mantém ataques No entanto, o chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Eyal Zamir, afirmou que as operações de combate no sul do Líbano continuam e que “não estão em cessar-fogo” com o Hezbollah. — Estamos em estado de guerra, não estamos em cessar-fogo. Seguimos lutando neste setor. Este é nosso principal front de combate — afirmou Zamir, que também assegurou que Israel pode retomar combates no Irã “a qualquer momento e de forma muito poderosa”, apesar do atual acordo de cessar-fogo de duas semanas. Entrevista: ‘Chegamos a atender cerca de 60 pacientes em poucas horas’, diz médico libanês após ataques israelenses O chefe militar acrescentou que as Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) atingiram alvos na capital e no leste do Líbano, afirmando que o Hezbollah está “em profundo choque”. As IDF, por sua vez, informaram que as operações continuam em todo o sul do Líbano, com ataques e ações terrestres voltados a eliminar ameaças às comunidades israelenses próximas à fronteira. Na cidade de Hanawya, um ataque aéreo israelense matou uma pessoa e feriu outra, de acordo com a agência de notícias estatal. 'Resposta' do Hezbollah Também nesta sexta, o Hezbollah anunciou que lançou mísseis contra uma base naval militar na cidade de Ashdod, no sul de Israel, em \"resposta\" aos bombardeios de quarta-feira e afirmou: \"essa resposta continuará até que a agressão pare\". Segundo o jornal israelense Haaretz, os ataques do Hezbollah danificaram uma escola vazia em Deir al-Asad, no norte de Israel. Não há, até o momento, informação sobre vítimas. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, prometeu continuar lutando contra Israel \"até o último suspiro\", de acordo com um comunicado lido na Al Manar TV, emissora do grupo, nesta sexta-feira. — Não concordamos em retornar à situação anterior e apelamos às autoridades para que ponham fim aos compromissos sem justificativa — disse ele, acusando Israel de lançar novos ataques, apesar do cessar-fogo estabelecido em novembro de 2024 com o grupo. Análise: Ação militar no Irã é percebida nos EUA como maior desastre geopolítico do país desde o Vietnã, e não só pela oposição a Trump O Irã, por sua vez, afirma que não tolerará a continuidade dos ataques no Líbano. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, exigiu o fim dos \"massacres no Líbano\", e outras autoridades iranianas alertaram que os ataques constituem uma violação do cessar-fogo. Negociações diretas Sob pressão também de outros países, que pedem a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo, o premier israelense disse que instruiu seu Gabinete a iniciar \"negociações diretas\" com Beirute “o mais rapidamente possível”. O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, vai liderar liderar as negociações em nome de Israel, que devem começar na próxima semana, em Washington. A embaixadora libanesa na ONU, Nada Hamadeh Mouawad, representará Beirute. Initial plugin text As negociações entre Israel e o Líbano enfrentam enormes obstáculos, em parte porque o governo não tem controle direto sobre o Hezbollah, que resiste ao desarmamento. Nesta quinta, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, ordenou ao Exército e às forças de segurança libanesas que intensificassem os esforços para estabilizar o controle do Estado sobre a região de Beirute, exigindo que apenas \"forças legítimas\" tivessem permissão para portar armas, em uma sinalização contra o Hezbollah. Por causa da situação no Líbano, o Irã também mantém fechado o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial. Na quinta, apenas oito embarcações com carga iraniana tiveram permissão de Teerã para cruzar a passagem, bem abaixo das 135 diárias. No X, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, alertou que a continuidade dos ataques israelenses contra o Hezbollah acarretará \"custos explícitos e respostas enérgicas\".",
"title": "ONU alerta para impacto 'devastador' da ofensiva israelense sobre crianças e adolescentes no Líbano, que segue sob ataques"
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