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Especialistas debatem estratégias com foco no crescimento compartilhado do país

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo April 10, 2026
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Os desenvolvimentos econômico e social precisam andar juntos e, para isso, dependem de impulsionamento. A articulação entre poder público, entidades privadas e sociedade civil é fundamental para avançar em políticas públicas que acelerem o crescimento de um país, ajudando na solução de desafios. Esse foi o mote central do seminário Parcerias de Impacto — Cooperação entre Governo e Iniciativa Privada para Impulsionar Soluções para o País, que aconteceu em 26 de março, no Rio de Janeiro. Patrocinado pela Ambev e realizado pela Editora Globo, reuniu lideranças governamentais, empresariais, acadêmicas e da sociedade civil para apresentar experiências concretas e discutir a capacidade da colaboração público-privada na criação de soluções para problemas sociais do país. O evento contou com abertura de Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), e com participação remota de Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil. Consumo responsável O primeiro painel, “Parcerias de Impacto na Promoção do Consumo Responsável”, destacou o efeito positivo de iniciativas de prevenção do consumo nocivo de bebidas alcoólicas a partir da colaboração entre setores, com destaque para os resultados do estudo da Universidade de Georgetown sobre o Plano Global Smart Drinking Goals (GSDG), estratégia da AB InBev orientada pela premissa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir o uso nocivo de álcool em até 10% até 2025. Acesse os resultados do estudo da Universidade de Georgetown O objetivo da AB InBev com o plano foi incentivar o consumo responsável de álcool por meio de iniciativas de marketing, promovendo transformações de normas sociais e intervenções em seis cidades em todo o mundo. A companhia aplicou US$ 1 bilhão no trabalho, que aconteceu entre 2015 e 2025. — Quando a OMS trouxe o objetivo de baixar o nível do consumo nocivo de bebida alcoólica para 10% em todo o mundo, não poderia fazer isso de forma isolada. Quando se assume algum tipo de mudança social, é preciso que todos os setores se envolvam — comentou Ladan Manteghi, autora do estudo, assessora sênior e professora adjunta de Business for Impact da Universidade de Georgetown. A pesquisadora destacou o papel da iniciativa privada nesse sentido: — Vimos o quão importante é que as empresas se comprometam para fazer diferença. A AB InBev fez isso alavancando a capacidade do mercado, o desenvolvimento de produtividade e a cadeia de fornecimento. Isso também pode fazer outras empresas se engajarem — comentou. Entre as ações desenvolvidas pela companhia estão a aplicação de rótulos com mensagens e figuras de conscientização sobre o consumo nocivo de álcool em 26 países onde alertas como esses não eram obrigatórios, o trabalho para que equipes incorporassem mudanças de comportamento em práticas de mercado e ações para uma meta de aumento de consumo das cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool. John Blood, vice-presidente global jurídico e de relações corporativas AB InBev, afirmou que está contente com o resultado do estudo e explicou que as iniciativas implementadas fortalecem o negócio: — Oferecemos escolhas equilibradas para o nosso consumidor para que ele possa socializar. Quando há opções de cer vejas com baixo teor alcoólico e sem álcool, é bom para a sociedade, para os consumidores e para o negócio — destacou ele. Blood falou sobre a necessidade de alinhamento de estratégia dentro da companhia, para que as campanhas de conscientização sobre o consumo nocivo do álcool sejam eficazes em qualquer lugar do mundo. O treinamento das equipes, de acordo com ele, é o que garante que a mensagem vai ser passada da maneira correta para todos os consumidores, mas também foram essenciais as parcerias entre governos e sociedade para garantir o apoio a ações efetivas: — Nesses dez anos de trabalho [do plano global], aprendemos que não podemos fazer tudo sozinhos. Precisamos trabalhar com parceiros e oferecer o que nós conseguimos fazer. E também aproveitar a disponibilidade dos governos para atuar em conjunto, porque só assim é possível ter um impacto prático na vida das pessoas — avaliou. Manteghi destacou a importância das parcerias quando há um compromisso com mudanças sociais. Para ela, Estado e iniciativa privada têm habilidades diferentes que se complementam na hora de implementar um projeto. — Quando governos, setores civis e empresas se juntam para entender o que é melhor para aquela localidade, eles alavancam o projeto e podem fazer muito melhor. É assim que se move. O governo, por exemplo, tem responsabilidade com serviços essenciais. Mas, muitas vezes, não tem recursos suficientes. É um lugar onde as empresas podem intervir e oferecer tecnologia. É uma forma mais efetiva de alcançar mais objetivos — apontou ela. App integra ação de saúde em São Paulo No Brasil, uma das iniciativas que receberam o apoio da Fundação ABI e da Universidade de São Paulo (USP) foi um aplicativo que é usado pela Secretaria Municipal de Saúde da capital paulista em atendimentos a usuár ios consu m idores de bebidas alcoólicas. A plataforma alcança atualmente 3,2 milhões de usuários. — Durante a pandemia, identificamos um aumento muito grande do consumo de álcool, principalmente nas mulheres. E sabemos que elas têm mais sensibilidade aos efeitos deletérios do álcool. Era uma preocupação nossa interv ir — explicou Sandra Sabino, secretária executiva de Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde do município. A implementação da plataforma começou em 2023 , no bairro de São Miguel Paulista , z ona leste da cidade. Em 2024, o projeto se expandiu e hoje está presente nas 481 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. Já são 103 mil usuários utilizando o aplicativo e 37 mil triagens realizadas pelas equipes de saúde. — O usuário precisa responder a algumas perguntas. O avatar guia o paciente e o classifica em quatro zonas de risco: consumo baixo, moderado, alto e provável dependência. As UBSs recebem a notificação de classificação do usuário e do território, então podem fazer a busca ativa daqueles apontados com possível dependência — detalhou a secretária.

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