Trump dá 48 horas ao Irã para chegar a acordo sobre Ormuz e ameaça 'inferno'; 'ultimato' já foi adiado duas vezes pelo presidente
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April 4, 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que o Irã tem 48 horas para chegar a um acordo sobre a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz ou enfrentará o que chamou de “inferno”. Resposta iraniana: após Trump ameaçar bombardeios por semanas, Irã promete ataques 'devastadores' e nega enfraquecimento militar Guerra no Oriente Médio: especialistas explicam quais os riscos para os EUA se Trump decidir lançar ação terrestre no Irã “Lembrem-se de quando dei ao Irã dez dias para FECHAR UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ”, escreveu Trump na rede Truth Social, em referência ao ultimato feito em 26 de março. “O tempo está se esgotando: 48 horas antes que todo o inferno se desate sobre eles”, disse o presidente, acrescentando “Glória a Deus!”. Initial plugin text Na semana passada, Trump havia anunciado o adiamento para 6 de abril da ameaça de destruir a infraestrutura elétrica do Irã, afirmando ser um pedido de Teerã e que as negociações estavam “indo muito bem”. O movimento ocorreu em meio à pressão sobre a Casa Branca, diante da alta dos preços do petróleo e da desaprovação da população americana em relação à guerra. “De acordo com o pedido do governo iraniano (...) esta declaração serve para anunciar que suspendo por 10 dias o período de destruição de usinas de energia, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h”, disse Trump. “As conversas continuam e, apesar das declarações equivocadas da mídia de notícias falsas, estão indo muito bem”, acrescentou. Análise: Sem a 'derrota decisiva' esperada por Trump, Irã se vê mais empoderado do que antes da guerra Neste sábado, o Irã reforçou que só aceitará um cessar-fogo sob “condições claras” para uma paz definitiva. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a posição do país tem sido distorcida pela mídia americana e destacou que a República Islâmica não rejeitou a mediação do Paquistão ou de outros países, mas busca garantias concretas para o fim da guerra. — Somos profundamente gratos ao Paquistão por seus esforços e nunca nos recusamos a ir a Islamabad. O que nos interessa são as condições claras para um fim definitivo e duradouro à guerra ilegal que nos está sendo imposta — disse Araghchi, em declaração à imprensa. Apesar do recuo de Trump, EUA e Israel mantêm operações militares contra alvos iranianos. Autoridades americanas indicam que opções mais agressivas seguem em análise, incluindo ações contra a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país. O Irã também mantém ações militares. Na sexta-feira, o país afirmou ter atingido duas aeronaves militares dos EUA: um F-15E no território iraniano, com dois tripulantes, e um A-10 Warthog no Estreito de Ormuz. Até o momento, apenas um dos tripulantes do F-15 e o piloto do A-10 foram resgatados. O Brigadeiro-General Alireza Elhami, chefe do Comando Conjunto de Defesa Aérea do Irã, afirmou que os incidentes são fruto de “táticas, equipamentos modernos e inovações nos sistemas de defesa aérea da República Islâmica”, sem detalhar as tecnologias envolvidas. Segundo ele, as forças iranianas estão preparadas para emboscar jatos e drones inimigos, provocando confusão e desorientação nas tropas adversárias. Nesta semana, a Guarda Revolucionária iraniana reforçou que ataques americano-israelenses não dizimaram os centros de produção de mísseis, drones de longo alcance, sistemas de defesa aérea ou de guerra eletrônica do país. O comando militar Khatam al Anbiya afirmou que a guerra continuará “até a humilhação, arrependimento e rendição” dos inimigos e prometeu ações “devastadoras, amplas e destrutivas”. No contexto internacional, enquanto a guerra se intensifica, Rússia e China mantêm esforços diplomáticos. Moscou afirmou estar pronta para mediar caso necessário, e Pequim exigiu cessar-fogo imediato, responsabilizando EUA e Israel por “interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz”. Apesar das tentativas de diálogo, autoridades iranianas reagem com ceticismo. O Ministério das Relações Exteriores afirma que as falas do presidente americano fazem parte de uma estratégia para conter a alta dos preços de energia e ganhar tempo para possíveis ações militares. (Com AFP)
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