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"O Globo"
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"textContent": "\nEx-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Silvio Almeida declarou ser um \"homem inocente\" na primeira manifestação pública desde que a Procuradoria-Geral da República (PGR) o denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Num vídeo publicado nas redes sociais, nesta terça-feira, ele disse que as acusações são \"mentira\", sugeriu que teriam usado uma luta legítima das mulheres para \"distorcer\" a realidade com fins políticos e ainda criticou a forma como foi demitido, segundo ele, sem poder se defender. O processo está sob sigilo na Corte e tem como relator o ministro André Mendonça. Assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, a denúncia foi apresentada em 4 de março. Silvio Almeida sempre negou as acusações. Nesta terça-feira, num vídeo publicado nas redes sociais, o ex-ministro disse que resolveu se pronunciar em respeito a quem o acompanha. — Eu fiquei em silêncio até aqui por responsabilidade, por respeito à dor da minha família, por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo, e eu respeito isso. E porque eu sabia também que qualquer palavra dita fora de hora seria usada para intensificar a violência a que estamos sendo submetidos — disse ele. Almeida afirmou que sua versão será dada \"no lugar certo, na Justiça\", onde, segundo ele, poderá se defender \"de verdade\" e mostrar \"como uma causa tão importante foi usada para me tirar da vida política\". No vídeo, o ex-ministro afirmou que, durante o inquérito, não pôde se defender, mas agora, apresentada à denúncia, poderá fazê-lo. Sem citar nomes, ele sugeriu que o caso tem motivação política ou eleitoral. — Mas fiquemos atentos porque há movimentações muito previsíveis. Há quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que, por isso, chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral — destacou. Initial plugin text Almeida classificou a luta das mulheres contra a violência como uma das causas \"mais importantes do nosso tempo\" e que, até por isso, \"sua distorção funcionou tão bem nesse caso\". E criticou a forma como foi demitido pelo governo Lula. À época, o presidente considerou \"insustentável\" a permanência do então ministro diante da gravidade das denúncias. — A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção, a situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole. Valeu-se, portanto, de uma indignação legítima de muitas pessoas para fazer uma mentira circular como se fosse uma verdade. Homens e meninos pretos são vistos com suspeita permanente. Sobre nós, é mais fácil projetar o mal que se quer expurgar — disse. O ex-ministro ainda rebateu a imagem que foi criada, segundo ele, de que seria um \"homem poderoso\". — Um homem poderoso, convenhamos, não é demitido em 24 horas e sem direito à defesa. E antes de qualquer investigação formal, com base numa nota sem nenhum critério jornalístico e totalmente irresponsável. Um homem poderoso não é submetido ao linchamento público que eu sofri. O caso foi divulgado em 2024. Em novembro do ano passado, a Polícia Federal indiciou o ex-ministro por importunação sexual. Almeida é investigado em um inquérito que apura se ele cometeu o crime contra algumas mulheres, entre as quais ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Em depoimento à PF na condição de vítima, Anielle relatou aos investigadores que foi alvo de atitudes desrespeitosas e importunações desde a época da transição de governo, no fim de 2022. O ato mais ousado teria ocorrido em uma reunião oficial ocorrida em maio de 2023 na qual Almeida se sentou ao lado de Anielle. Ela afirmou que o então ministro colocou a mão nas suas pernas por baixo da mesa. O encontro contou com a participação de pelo menos outras onze pessoas, entre elas o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Tiago Pereira. O depoimento de Anielle ocorreu em outubro de 2024. Em setembro de 2024, a organização Me Too Brasil divulgou um texto, confirmando ter recebido denúncias de mulheres contra Almeida. Elas não quiseram se identificar. \"Elas foram atendidas por meio dos canais de atendimento da organização e receberam acolhimento psicológico e jurídico\", dizia a nota da entidade.",
"title": "Silvio Almeida quebra silêncio após ser denunciado por importunação sexual contra Anielle Franco: 'Inocente'"
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