Erika Hilton diz que nomeação para Comissão da Mulher foi contaminada por 'discursos odiosos'
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March 31, 2026
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou, nesta segunda-feira, que as críticas sofridas por ela devido à nomeação como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher foram movidas por uma tentativa de gerar "distração", a partir de "discursos odiosos", com as reais pautas que necessitam ser debatidas em relação às mulheres, especialmente em meio ao aumento de casos de feminicídio. Uma das principais críticas foram feitas pelo apresentador de televisão Ratinho, durante seu programa no SBT, que questionou a legitimidade da parlamentar no cargo. A empresária Silvia Abravanel (PSD) — filha de Silvio Santos, fundador da emissora, e pré-candidata a deputada federal — afirmou, em entrevista divulgada nesta terça-feira pelo portal Metrópoles, ter considerado "normal" o posicionamento de Ratinho contra Erika. Eleições: Caiado mira em Lula ao assumir candidatura e testa discurso para não ser visto como 'linha auxiliar' de Flávio Leia também: CPI do Crime pode aprovar quebra de sigilos no caso Master e vota convocações de ex-BC, Castro e Ibaneis — Tentaram transformar em uma distração o que de fato era importante para a Comissão da Mulher — disse Erika, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. — Um debate que poderia ser muito produtivo, do ponto de vista "do que esta deputada tem de políticas públicas para as mulheres? Qual a contribuição da deputada para a defesa dos direitos das mulheres?", foi completamente contaminado por um discurso odioso, que, talvez por eu ser uma mulher trans, eu fosse menos mulher e menos capaz — completou. Erika foi eleita para o cargo no dia 11 de março, sob críticas de deputadas da oposição. No mesmo dia, Ratinho ressaltou "não ter nada contra" a deputada, mas disse que a escolha foi "injusta". Ele também se referiu à parlamentar como "a deputada ou o deputado, não sei", e afirmou que o nome escolhido para o cargo em questão "deveria ser uma mulher". — Nosso desafio vai ser não permitir que essa onda horrorosa que se levantou, de mentiras, desinformação, ódio e ataques pessoais possam continuar a protagonizar — afirmou Erika. — As mulheres brasileiras esperam respostas contundentes diante do aumento do feminicídio, dos casos de estupro e dos debates misóginos. 'Não ofendeu dignidade' Questionada sobre o assunto em entrevista divulgada pelo Metrópoles, a empresária e pré-candidata Silvia Abravanel minimizou as críticas feitas por Ratinho. Segundo ela, o apresentador "não ofendeu a dignidade e nem a moral" de Erika ao questionar a legitimidade da deputada em ocupar tal posto enquanto uma mulher transgênero. — Eu acho que não foi um crime o que ele fez, que ele não ofendeu a dignidade nem a moral dela. Como ela (Erika Hilton) é uma pessoa que está aberta, está na política, aberta para a televisão, ela tem que aceitar também as críticas que vêm de qualquer pessoa — argumentou Abravanel. Erika protocolou uma ação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na qual acusa Ratinho de proferir declarações transfóbicas. A ação requer a instauração de inquérito policial para apurar a possível prática dos crimes de transfobia (até cinco anos de prisão), violência política de gênero (até seis anos de prisão) e injúria transfóbica (até quatro ano de prisão). — Será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. E se fosse ao contrário? — questionou Ratinho. — Temos que ter inclusão, mas não vamos exagerar. Você vai em restaurante, se tiver um "casal normal", homem e mulher, eles ficam normais. Agora, se for dois homens ou duas mulheres, eles ficam se beijando para provocar os outros. É isso que não concordo, esses exageros — completou o apresentador. A deputada apontou que os ataques, por serem proferidos em rede nacional, possuem um "aumento significativo" em seu alcance. Segundo o documento, o posicionamento questiona a legitimidade da deputada para assumir o posto na comissão, com a "negação" de sua identidade de gênero. Desde a escolha de Erika para liderar o colegiado, marcada por votos em branco em protesto, deputadas da oposição intensificaram a contestação. Após a primeira sessão presidida pela deputada, o grupo anunciou a apresentação de recurso para tentar anular a eleição e uma representação no Conselho de Ética da Câmara. Mesmo após a ação judicial, Ratinho disse que críticas a suas falas foram alvo da “lacração” e declarou que continuará com seu estilo direto: — Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja — afirmou, reiterando a mesma posição.
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