Alcolumbre e Lula devem conversar nos próximos dias, dizem aliados
O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo
March 10, 2026
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira que ainda não se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma conversa esperada para os próximos dias. O gesto de aproximação ocorre em meio à pressão sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho de Lula, alvo de quebra de sigilo pela CPI do INSS, e a mobilização de parte da oposição pela investigação da atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master. Questionado por jornalistas se já havia conversado pessoalmente com o petista, o senador respondeu de forma direta nesta terça-feira: — Ainda não. Aliados relatam que Lula e Alcolumbre já conversaram por telefone na última quinta-feira, em um movimento interpretado como a primeira tentativa de distensão após a escalada de tensão entre Planalto e Congresso. A ligação ocorreu depois de declarações públicas do presidente do Senado sobre a relação entre os Poderes e abriu caminho para a possibilidade de uma conversa presencial. Na quarta-feira, Alcolumbre havia afirmado que espera ser procurado pelo presidente caso ele queira conversar, defendendo a necessidade de manter um canal de diálogo institucional. — A gente espera ser chamado por todas as pessoas por quem temos respeito e consideração. E, naturalmente, da mesma maneira que, em outras oportunidades, quando eu desejei conversar pessoalmente com o presidente da República, eu o procurei. É legítimo, inclusive, que, se ele desejar falar comigo, ele também me procure, para que possamos continuar numa relação de pacificação e de harmonia entre os Poderes. É isso que eu entendo da democracia — disse. O caso de Lulinha criou um mal-estar do Congresso com o governo. Parlamentares da base governista apresentaram um recurso pedindo a anulação da votação da quebra de sigilo pela CPI, sob o argumento de erro na contagem dos votos, mas o presidente do Senado decidiu não intervir na deliberação da comissão. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou então a suspensão da quebra, em decisão favorável a Lulinha. Além da tentativa de reduzir a tensão política, interlocutores envolvidos nas articulações afirmam que o encontro esperado entre Lula e Alcolumbre também deve tratar de temas pendentes na relação entre o Planalto e o Senado, entre eles a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. A sabatina e a votação do nome indicado para a Corte dependem do Senado, presidido por Alcolumbre. Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a definição do calendário para a análise da indicação também passa por uma recomposição política entre o Palácio do Planalto e o comando da Casa. Como noticiou o GLOBO, Alcolumbre desejava que o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse indicado nesta vaga. Faz quatro meses que o ex-ministro Luís Roberto Barroso deixou a Corte e, até agora, o governo ainda não enviou a mensagem oficial com a indicação de Messias.
Discussion in the ATmosphere