Drogas recreativas podem mais que dobrar o risco de AVC, mostra novo estudo
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March 9, 2026
O uso de drogas recreativas pode mais que dobrar o risco de AVC, sendo que alguns dos impactos mais preocupantes são observados entre os mais jovens. A conclusão é de um novo estudo publicado na revista científica International Journal of Stroke. Quais os efeitos do abacate no organismo e quem não deve consumi-lo? Canadense que terá morte assistida diz: 'Saber que haverá um fim e que posso escolher o momento é um alívio' "Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre o uso de drogas recreativas e o risco de AVC e fornece evidências convincentes de que drogas como cocaína, anfetaminas e cannabis são fatores de risco causais para AVC. Essas descobertas nos dão evidências mais robustas para orientar pesquisas futuras e estratégias de saúde pública.", diz Megan Ritson, do Grupo de Pesquisa de AVC da Universidade de Cambridge. O acidente vascular cerebral (AVC) é um grande desafio global de saúde – a terceira principal causa de morte e incapacidade combinadas. Mas também é uma condição que, na maioria dos casos, resulta de fatores de risco modificáveis, como má alimentação, falta de exercícios e outros fatores relacionados ao estilo de vida. Há evidências crescentes de que o uso recreativo de drogas podem aumentar o risco da condição, mas as evidências são frequentemente de qualidade variável e apenas observacionais, o que significa que é impossível afirmar se o uso dessas drogas em si aumenta o risco de AVC ou se trata apenas de uma correlação. Para investigar isso mais a fundo, uma equipe do Departamento de Neurociências Clínicas da Universidade de Cambridge realizou uma meta-análise de estudos que abrangeram mais de 100 milhões de pessoas. Uma meta-análise é um método para reunir e analisar dados de coortes de todas as evidências publicadas. Essa abordagem permite que os pesquisadores reúnam estudos que, individualmente, podem não fornecer evidências suficientes e, às vezes, divergem entre si, para chegar a conclusões mais robustas. Os resultados mostraram que o uso de cocaína e anfetaminas estava associado a um risco aproximadamente duas vezes maior de AVC (a cocaína aumentou o risco em 96% e as anfetaminas em 122%), enquanto o uso de cannabis aumentou o risco em cerca de 37%. A equipe não encontrou nenhuma ligação estatisticamente significativa entre o uso de opioides e o risco de acidente vascular cerebral. Quando os pesquisadores restringiram sua análise a indivíduos com menos de 55 anos, descobriram que o uso de anfetaminas quase triplicou o risco de AVC (um aumento de 174%); o uso de cannabis aumentou o risco de acidente vascular cerebral, mas em menor grau (14%), enquanto o uso de cocaína aumentou o risco em 97%. Uma segunda análise mostrou que os transtornos por uso de cocaína estavam particularmente associados a hemorragia cerebral e AVC cardioembólico (no qual um coágulo sanguíneo se forma no coração e viaja até o cérebro, bloqueando o fluxo sanguíneo e causando danos ao tecido cerebral). Os transtornos por uso de cannabis foram associados ao AVC em geral, particularmente AVC de grandes artérias. Essas evidências genéticas sugerem uma ligação causal, e não apenas correlação. O uso problemático de álcool foi associado a um risco aumentado de AVC cardioembólico e AVC de grandes artérias, enquanto o alcoolismo aumentou o risco de AVC em geral. As possíveis razões para essa associação, de acordo com os autores, incluem picos repentinos de pressão arterial, espasmos e constrição dos vasos sanguíneos, problemas de ritmo cardíaco, aumento da coagulação sanguínea (especialmente com cannabis) e inflamação ou vasculite (especialmente com anfetaminas). Todas essas são vias bem estabelecidas que causam tanto AVC isquêmico, resultante de coágulos sanguíneos, quanto AVC hemorrágico. "Nossa análise sugere que são essas próprias drogas que aumentam o risco de AVC, e não apenas outros fatores de estilo de vida entre os usuários. Em conjunto, nossas descobertas enfatizam a importância de medidas de saúde pública para reduzir o abuso de substâncias como forma de também ajudar a reduzir o risco de AVC.", afirma Eric Harshfield, pesquisador da Alzheimer's Society no Departamento de Neurociências Clínicas.
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