Moradores de bairro da Zona Norte de Niterói relatam rotina de tiroteios e medo
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March 9, 2026
Moradores do Fonseca relatam uma rotina marcada por tiroteios frequentes e medo dentro de casa desde o fim do ano passado. A escalada da violência começou após o avanço de disputas entre facções criminosas na região, que passaram a provocar confrontos recorrentes em comunidades como Santo Cristo, Palmeira, Coreia e Pimba, na Zona Norte. Abuso infantil: Mãe denuncia caso em escola municipal em Niterói 30 anos do MAC: Com quatro exposições simultâneas, museu dá a largada nas comemorações pelo aniversário A sensação de insegurança ganhou ainda mais repercussão semana passada após um caso de violência que chocou moradores da região. A advogada criminalista Thaís da Silva Borges, de 31 anos, foi baleada no pescoço durante uma tentativa de assalto na Rua Riodades, no Fonseca, na última quarta-feira. Ela foi socorrida e levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima, onde estava internada em estado grave até a última sexta-feira. Segundo relatos de testemunhas, Thaís estava ao volante e teria tentado fugir da abordagem de criminosos. Policiais militares do 12º BPM foram acionados e encontraram a advogada ferida dentro do carro. O caso é investigado pela 78ª DP (Fonseca), que analisa imagens de câmeras de segurança e realiza diligências para esclarecer as circunstâncias do crime. Amigos e familiares iniciaram nas redes sociais uma campanha de doação de sangue para a advogada, que perdeu muito sangue após ser atingida. A intensificação dos confrontos tem sido percebida por quem vive perto das comunidades da região. Em um condomínio vizinho a uma comunidade da Riodades, vizinho ao condomínio onde reside Thaís, uma moradora que preferiu não se identificar conta que os disparos se tornaram praticamente diários, principalmente à noite. — Todos os dias tem tiroteio. Não tem mais hora, mas à noite é certo. Nas últimas semanas, tenho dormido com meu marido e minha filha na sala porque é o lugar em que nos sentimos mais seguros no apartamento. Se precisamos sair, ficamos nos comunicando o tempo todo para saber se dá para voltar para casa — diz. O receio tem afetado até a rotina das famílias. A moradora conta que, em um dos dias de tensão recentes, preferiu não mandar a filha para a escola por medo do trajeto da van escolar. — Saí cedo de casa e fui para a casa da minha mãe. Nem mandei minha filha para a escola porque fiquei com medo dos lugares por onde a van passa — afirma. Os relatos ocorrem em meio ao aumento de alguns dos principais indicadores de violência na cidade. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que Niterói registrou 14 casos de letalidade violenta em janeiro deste ano, contra cinco no mesmo mês de 2025, um aumento de 180%. No mesmo período, os roubos de veículos passaram de 28 para 49 registros, alta de 75%. Por outro lado, o roubo de rua apresentou queda de 45%, passando de 146 para 78 ocorrências, enquanto os roubos de carga permaneceram estáveis, com um caso em cada período. Sete mortes violentas No recorte por delegacias, os números mostram que o Fonseca concentra boa parte desses registros. A área da 78ª DP, responsável pelo bairro e por parte da Zona Norte da cidade, respondeu por 31 dos 49 roubos de veículos registrados em Niterói em janeiro, o equivalente a 63% dos casos na cidade. No mesmo mês do ano passado, haviam sido 14 ocorrências na delegacia, o que representa um aumento de 121%. A região também concentra metade das mortes violentas registradas no município no primeiro mês de 2026. Dos 14 casos de letalidade violenta em Niterói, sete ocorreram na área da 78ª DP. Em janeiro de 2025, haviam sido dois registros, o que significa um aumento de 250%. Outro dado que chama a atenção é o avanço das mortes decorrentes de intervenção policial. Em janeiro deste ano, foram seis registros na área da delegacia do Fonseca, enquanto no mesmo período do ano passado não houve casos. Questionada sobre o que vem fazendo para melhorar a segurança dos moradores na região, a Polícia Militar diz que “dentre as principais metas do atual comando da corporação estão o combate direto aos grupos criminosos organizados que promovem disputas territoriais”. Procurada para comentar os dados e a atuação da 78ª DP diante do aumento dos crimes na região do Fonseca, a Polícia Civil disse que realiza ações diárias e atua de forma permanente e baseada em inteligência para combater ações delituosas na região. “A respeito do aumento de tiroteios no bairro Fonseca, a 78ª DP (Fonseca) realiza diligências contínuas no combate às disputas territoriais em comunidades da área, realizadas entre grupos criminosos que atuam no tráfico de drogas e em outros delitos. Todos os casos são apurados; e os envolvidos, responsabilizados”. Initial plugin text
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