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Assembleia de Especialistas do Irã anuncia Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto, como novo líder supremo do país

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo March 8, 2026
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A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou neste domingo Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como o novo líder supremo do país. Sua ascensão sinaliza o desejo do governo iraniano de manter a continuidade no poder, enquanto o Irã enfrenta ataques crescentes dos Estados Unidos e de Israel, nove dias após o início da guerra. O anúncio ocorre em meio às ameaças das Forças Armadas de Israel sobre matar quem quer que sucedesse o aiatolá morto, e do presidente americano, Donald Trump — que anteriormente disse que o filho de Khamenei era uma escolha "inaceitável" —, que alertou em uma entrevista à ABC News mais cedo neste domingo, antes da nomeação, que o próximo líder supremo não "duraria muito" sem a aprovação dos Estados Unidos. Contexto: Sob intensos ataques, Irã anuncia que escolheu sucessor de Ali Khamenei pelo critério de que seja 'odiado pelo inimigo' Poder bélico como disfarce do improviso: Trump mantém objetivos movediços no Irã para criar miragem de vitória Em um longo comunicado, a assembleia afirmou que "após estudos cuidadosos e extensivos... na sessão extraordinária de hoje, o aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei (que Allah o proteja) é nomeado e empossado como o terceiro líder do sagrado sistema da República Islâmica do Irã, com base no voto decisivo dos respeitados representantes da Assembleia de Peritos." Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei foi nomeado após o pai, a maior autoridade do país por mais de três décadas, ter sido morto em um ataque aéreo americano-israelense em 28 de fevereiro. Ele é conhecido por ter laços estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e assume o comando não apenas como a nova autoridade religiosa e política do país, mas também como comandante-em-chefe das Forças Armadas. — O candidato mais adequado, aprovado pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi determinado — disse mais cedo neste domingo Mohsen Heydari, membro do órgão de seleção, segundo a agência de notícias iraniana Isna, antes do anúncio acontecer. Mohammad Mehdi Mirbagheri, também integrante, confirmou em um vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars mais cedo que "se chegou a uma opinião firme que reflete o ponto de vista da maioria". Já o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir disse que o "Grande Satã" — termo usado pelo Irã para se referir aos EUA — havia, inadvertidamente, prestado "uma espécie de serviço" à Assembleia ao criticar publicamente certos candidatos. Seus comentários pareciam se referir às declarações de Trump, que afirmou na quinta-feira que seria inaceitável a escolha de Mojtaba, filho de Khamenei, como sucessor. — Alguém que se opõe ao inimigo tem maior probabilidade de beneficiar o Irã e o Islã — disse Alekasir. "Israel continuará perseguindo o sucessor e todos que tentarem nomeá-lo", escreveu nas redes sociais o porta-voz militar israelense Avichay Adraee antes do anúncio de que um nome havia sido escolhido. "Alertamos todos que planejam participar da reunião para nomear um sucessor: não hesitaremos em atacá-los também." Na semana passada, as Forças Armadas israelenses bombardearam escritórios ligados à Assembleia de Especialistas, sem registro de vítimas. Figura misteriosa Diferentemente de seu pai, o novo líder supremo tem todas as credenciais religiosas de um aiatolá no momento de sua ascensão. Ele era conhecido por ministrar aulas populares em seminários xiitas. Mas sua personalidade e suas posições políticas fora do círculo íntimo de seu pai são desconhecidas. Ele raramente fala ou aparece em público. O falecido aiatolá Khamenei havia indicado a conselheiros próximos que não desejava que seu filho o sucedesse, pois não queria que o cargo se tornasse hereditário, segundo três altos funcionários iranianos familiarizados com Khamenei e com o processo de seleção. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos internos sensíveis. Mais de 170 mortos: Perícia sugere que EUA foram responsáveis por bombardeio à escola no Irã Afinal, a Revolução Islâmica de 1979 derrubou uma monarquia com a promessa de acabar com a transmissão hereditária do poder e devolvê-lo ao povo. Mas a ascensão de Mojtaba Khamenei sugere que aqueles nos círculos de poder do Irã — os clérigos de alto escalão, a Guarda Revolucionária e políticos influentes, como o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani — fecharam fileiras em um momento de grave crise e guerra. Larijani, um político veterano e pragmático que assumiu um papel central na administração do país, e o Mojtaba Khamenei são antigos aliados e amigos. Ambos também exercem influência dentro das Forças Armadas iranianas. A Guarda Revolucionária foi fundada como uma força ideológica encarregada de defender a república islâmica e suas fronteiras, além de fornecer uma camada de segurança contra deserções e golpes de Estado no exército. Desde então, a Guarda se transformou em uma potência política, militar e econômica. Ela está coordenando ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel, países árabes no Golfo Pérsico e bases e embaixadas americanas na região, enquanto os ataques aéreos massivos dos EUA e de Israel continuam. Guerra no Oriente Médio: Imagens de satélite mostram antes e depois da destruição em áreas do Irã após ataques de EUA e Israel Desde o início da guerra, os ataques aéreos dos EUA e de Israel mataram não apenas o pai de Mojtaba Khamenei, mas também sua esposa, Zahra Adel; sua mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh; e um filho; disse o governo iraniano. Outros candidatos considerados finalistas para o cargo de líder supremo foram Alireza Arafi, clérigo e jurista que fazia parte do conselho de transição de liderança composto por três pessoas, nomeado após o assassinato do aiatolá Khamenei, e Seyed Hassan Khomeini, neto do pai fundador da revolução islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Tanto Arafi quanto Khomeini são vistos como moderados, sendo este último próximo da facção política reformista marginalizada no Irã. Com New York Times.

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