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Artes marciais ganham espaço como ferramenta de disciplina e saúde mental fora do tatame

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo March 6, 2026
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Nos últimos anos, modalidades como jiu-jitsu e MMA deixaram de ocupar apenas o território do alto rendimento e passaram a integrar a rotina de um público que busca condicionamento, bem-estar e estrutura mental. A popularização de turmas para iniciantes, programas de treino funcional inspirados em lutas e a presença crescente do tema nas redes ampliaram a percepção de que a prática pode servir como ferramenta de disciplina, não apenas como esporte. É nesse recorte que se insere o trabalho do professor Robert Abu, faixa preta 5º grau de jiu-jitsu e co-fundador da equipe Abu Brothers, academia de artes marciais sediada em São Paulo. Ao longo da carreira, treinou atletas como Daniel Sarafian, Guilherme Uriel e Danny Abu, este último campeão mundial de grappling no-gi. Como atleta, Robert Abu também foi vice-campeão mundial de submission grappling pela CBJJE em 2016 e 2017. Além de iniciativas ligadas a academias e equipes. A lógica do treino de combate, na avaliação de especialistas do setor, tem uma característica particular: a evolução costuma ser facilmente mensurável no curto prazo, seja pela melhora técnica, pelo condicionamento ou pelo controle emocional em situações de pressão. Diferente de metas abstratas, o processo cria um ciclo claro de esforço, correção e repetição, com feedback constante. Na prática, isso tende a produzir um efeito colateral valioso para quem não vive do esporte: o treino vira um sistema de rotina. Frequência, pontualidade, progressão e disciplina alimentar entram no pacote, não como discurso motivacional, mas como exigência natural do método. Em ambientes urbanos de alta demanda, esse tipo de estrutura costuma ser percebido como antídoto para a dispersão e para a irregularidade de hábitos. Outro ponto é o componente emocional. O treino em dupla, o controle de respiração e o manejo de desconforto físico colocam o praticante em contato com respostas de estresse em um ambiente controlado. O objetivo não é a agressividade, e sim a capacidade de permanecer funcional sob pressão, com técnica e autocontrole. Robert Abu é citado em registros e entrevistas como professor e praticante ligado ao universo do jiu-jitsu e do MMA, com histórico de atuação em São Paulo e participação em iniciativas e eventos do segmento. Também aparece relacionado à inauguração de uma academia voltada a artes marciais na cidade, em um contexto de consolidação de equipe e estrutura de treinamento. Dentro desse cenário, Abu sustenta que a principal entrega das artes marciais para o aluno comum não é o “aprender a lutar”, mas aprender a sustentar um processo. A melhora técnica, segundo essa leitura, é consequência de um modelo que premia consistência e atenção a detalhes, do aquecimento à execução do movimento, do respeito ao parceiro ao cuidado com o corpo para treinar novamente no dia seguinte. Para ele, quando a prática é bem conduzida, a modalidade vira educação comportamental aplicada: o aluno aprende a chegar, repetir, errar, corrigir e permanecer. Essa lógica, argumenta, vale tanto para quem busca performance física quanto para quem procura reorganizar a rotina e foco. A expansão das artes marciais para além do nicho competitivo indica uma mudança de percepção: mais do que espetáculo, o combate passou a ser entendido como método. Para professores com atuação consolidada, como Robert Abu, o desafio central não está em intensificar o treino, e sim em transformá-lo em ferramenta segura, progressiva e acessível, preservando técnica, respeito e constância como pilares do processo.

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