{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreiecagvxasj4a2ywxpvxg7ncoairwsyue2yvsw5f4tmljxlm2grrqu",
    "uri": "at://did:plc:jyxhsywpmmdp5j2fxziceuc7/app.bsky.feed.post/3mfqr5v54erj2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreibh23xr7qoowecwaatb6ljpincdqse4vozo7stbacstssrvth573q"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 171305
  },
  "path": "/rio/noticia/2026/02/26/do-crime-a-condenacao-dos-mandantes-no-stf-veja-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-caso-marielle.ghtml",
  "publishedAt": "2026-02-26T07:30:56.000Z",
  "site": "https://oglobo.globo.com",
  "tags": [
    "O Globo"
  ],
  "textContent": "\nProferida na quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal, a condenação dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco marca o desfecho do capítulo mais recente de um dos casos de maior repercussão da história recente do país. O crime, que completará oito anos em março, passou por fases de avanço e paralisia, denúncias de obstrução, operações policiais, acordos de delação e condenações. Do homicídio à sentença no STF, veja tudo o que é preciso saber sobre o caso. Caso Marielle: STF condena por unanimidade irmãos Brazão a 76 anos e três meses de prisão pelo assassinato da vereadora Mandantes do crime: condenação dos irmãos Brazão por morte de Marielle repercute de forma distinta entre esquerda e direita Os cinco réus condenados pelo STF são: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro e ex-chefe da corporação; Ronald Paulo Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar fluminense e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor parlamentar conhecido como “Peixe”. O crime Carro em que Marielle Franco e Anderson Gomes foram alvejados no Estácio Uanderson Fernandes Na noite de 14 de março de 2018, por volta das 21h30, o carro em que Marielle estava foi alvejado na região central do Rio. Ela havia participado de um debate na Casa das Pretas, no Centro, e seguia para casa, na Tijuca. No veículo estavam ainda a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu, e Anderson Gomes, que também morreu no local. 'Matar uma de nós é muito mais fácil': as frases do voto de Cármen Lúcia no julgamento do caso Marielle O automóvel foi atingido por disparos de uma submetralhadora HK MP5. Marielle foi atingida por quatro tiros; Anderson, por três. O crime provocou comoção internacional e transformou o caso em símbolo da luta contra a violência política. As primeiras investigações e a tentativa de desvio A apuração começou imediatamente, mas, dois meses depois, sofreu um abalo. Três delegados da Polícia Federal apresentaram à Delegacia de Homicídios da Capital uma testemunha que atribuía o crime ao miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, e ao então vereador Marcello Siciliano. A versão se mostrou falsa. 'Queima de arquivo, misoginia e racismo': as frases do voto de Moraes no julgamento do caso Marielle A própria Polícia Federal desvendou a farsa, em episódio que ficou conhecido como “investigação da investigação”. O suposto delator era o policial militar Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha. Posteriormente, concluiu-se que o objetivo seria atingir os interesses da milícia rival. Traficantes ocupam região que ex-PM diz que receberia pelo assassinato da vereadora Prisão dos executores Em 12 de março de 2019, após denúncia anônima, a Polícia Civil prendeu Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz na Operação Lume. Eles foram acusados de executar o crime — Lessa como atirador, Élcio como motorista do Cobalt prata usado na emboscada. Na casa de um amigo de Lessa, no Méier, foram apreendidos 117 fuzis M-16 incompletos. Apesar das prisões, a identificação dos mandantes avançou lentamente nos anos seguintes. Um episódio que ganhou repercussão envolveu o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, que afirmou que Élcio teria pedido para ir à casa do então presidente Jair Bolsonaro. A perícia concluiu, porém, que o visitante buscava o endereço de Lessa, que morava no mesmo condomínio. Armas no mar e buscas frustradas Embarcação da Marinha entre as Ilhas Pontuda e Tijucas Roberto Moreyra / Agência O Globo Quatro meses depois, um pescador relatou que um aliado de Lessa teria contratado seu barco para lançar armas ao mar, próximo às Ilhas Tijucas. A Marinha do Brasil utilizou sonar para tentar localizar o material. Estruturas compatíveis com metal foram identificadas, mas a retirada não foi possível. Nem a submetralhadora usada no crime nem o Cobalt foram recuperados. Federalização negada e novas estratégias Em maio de 2020, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou, por unanimidade, pedido da Procuradoria-Geral da República para federalizar o caso. A relatora, ministra Laurita Vaz, afirmou que não havia indícios de omissão das autoridades estaduais. Mesmo assim, o caso inaugurou métodos inéditos. Pela primeira vez, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de usuários que realizaram buscas por palavras-chave na internet, a pedido do Gaeco. O Supremo Tribunal Federal validou a medida, diante da gravidade do crime. A virada com as delações Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz no julgamento do caso Marielle Franco e Anderson Gomes Reprodução / YouTube / TJRJ Um erro de Lessa acabou sendo decisivo: uma anotação com login e senha do site CCFácil, usada para rastrear informações. A partir dessa prova, investigadores confirmaram pesquisas feitas sobre Marielle e sua filha. O material foi determinante para convencer Élcio a firmar acordo de delação em 2023. Ele detalhou a execução, a rota de fuga e o desmanche do carro. Sem margem para negar, Lessa também aderiu à colaboração, em março de 2024. Em sua delação, Lessa apontou como mandantes os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além do ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. Citou ainda o major Ronald Paulo e Robson Calixto, o Peixe. Segundo ele, receberia como pagamento uma área na Zona Oeste para exploração de serviços ligados à milícia. Prisões dos acusados de mando Os irmãos Domingos Brazão (à esq.) e Chiquinho Brazão, presos acusados de mandarem matar a vereadora Marielle Franco Reprodução Em 24 de março de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Murder Inc., que prendeu Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa. Dias depois, foram detidos Ronald Paulo e Robson Calixto. Como Chiquinho era deputado federal à época em que foi indiciado e o processo foi enviado ao STF. O relator, ministro Alexandre de Moraes, recebeu a denúncia. O caso será julgado pela Primeira Turma, composta ainda por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Todos permanecem em presídios federais. A condenação dos executores Em 31 de outubro de 2024, o 4º Tribunal do Júri do Rio condenou Lessa a 78 anos e 9 meses de prisão, e Élcio a 59 anos e 8 meses. A sentença foi recebida sob aplausos por familiares e amigos das vítimas. O que dizem acusação e defesa RIO_22-02_teses-caso-marielle A acusação sustenta que o crime teve motivação ligada a disputas fundiárias em Jacarepaguá, área de influência política dos Brazão. Segundo a Procuradoria-Geral da República, a execução teria sido articulada para proteger interesses de grilagem. As defesas negam as acusações e afirmam que o caso se apoia essencialmente na palavra de Lessa. O advogado de Chiquinho Brazão, Cleber Lopes, argumenta que não há provas independentes que confirmem a delação e questiona contradições no relato, como o destino da arma. Com as alegações finais apresentadas, o processo entra em sua etapa decisiva. O julgamento desta terça-feira é aguardado não apenas pelas famílias de Marielle e Anderson, mas por uma sociedade que acompanha o caso desde 2018 como símbolo da luta contra a impunidade. Condenação dos mandantes no STF A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou na quarta-feira, por unanimidade, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, pela acusação de planejar o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018. Ambos foram sentenciados a 76 anos e três meses de prisão. Os ministros condenaram ainda Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e o homicídio tentado. Robson Calixto, conhecido como Peixe, também foi condenado por organização criminosa. O quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva. As penas definidas pelo STF Domingos Brazão — duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa armada - 76 anos e três meses de reclusão em regime inicialmente fechado e 200 dias-multa no valor de dois salários mínimos cada Chiquinho Brazão — duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa armada - 76 anos e três meses de reclusão em regime inicialmente fechado e 200 dias-multa no valor de dois salários mínimos cada Ronald Paulo Alves Pereira — duplo homicídio e tentativa de homicídio - 56 anos de reclusão Robson Calixto — organização criminosa - 9 anos de reclusão e 200 dias-multa no valor de um salário mínimo cada Rivaldo Barbosa — corrupção passiva e obstrução à Justiça - 18 anos de reclusão em regime inicialmente fechado e 360 dias-multa no valor de um salário mínimo cada Initial plugin text",
  "title": "Do crime à condenação dos mandantes no STF: veja tudo o que você precisa saber sobre caso Marielle"
}