Pesquisa de empresa farmacêutica aponta demanda por tratamentos que entreguem naturalidade
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February 23, 2026
Ainda com trauma daquelas bocas enormes, maçãs do rosto desproporcionais e traços artificiais das harmonizações faciais? Pode ficar tranquila pois a tendência na estética para 2026 é a naturalidade. De queridinhos, injetáveis como ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno passaram a ser temidos por mulheres que buscavam uma aparência mais jovem, mas não uma transformação artificial. No entanto, especialistas são unânimes em garantir que essas substâncias são excelentes ferramentas para os cuidados estéticos, desde que usadas com conhecimento e parcimônia. Uma pesquisa apresentada pela Allergan Aesthetics, empresa da AbbVie e líder global em tratamentos de estética médica, em evento em seu Centro de Excelência em Roma, na Itália, comprova o que profissionais já veem nos seus consultórios: 78% dos consumidores concordam que “as pessoas querem uma aparência mais natural”, sem mudanças drásticas no rosto. Foram ouvidos participantes do Brasil, Canadá, China, Alemanha, Tailândia e Reino Unido. Para o cirurgião plástico Marcel Vinícius de Aguiar Menezes, membro do corpo docente da Allergan, “a pesquisa marca um momento crucial para os injetáveis de ácido hialurônico e uma profunda mudança de atitude em relação aos tratamentos estéticos. Como profissionais da área estética, podemos esclarecer que eles continuam sendo uma base indispensável para uma jornada estética moderna e contínua”, afirma. “É preciso buscar a melhor versão da paciente.” O boom da harmonização facial começou há cerca de seis anos, quando houve um excesso de injetáveis, principalmente preenchedores, de acordo com a dermatologista Paula Bellotti. Mas, de uns dois anos para cá, teve início um movimento de diminuição gradativa, culminando, agora, com a tendência da naturalidade. Para os brasileiros, um look natural significa “autenticidade e harmonia facial, ligadas à autoestima e à natureza”, segundo o levantamento. O médico dermatologista André Braz reforça que hoje essa fase de exagero passou — pelo menos para quem busca um visual mais elegante. “A tendência para o futuro é um step back, um passo atrás. Existem resultados muito ruins nas mídias sociais, não naturais, muita quantidade de produto no rosto e na boca. Os lábios que vemos na internet não são anatômicos, é uma coisa muito fake.” É o chamado resultado indetectável. Ou seja, você faz o procedimento, mas ele não aparece. Fica apenas aquela impressão de que a pessoa está mais bonita, rejuvenescida. “Tem pacientes que falam: ‘Você pode fazer tudo no meu rosto, menos a boca, porque nunca vi resultado bonito’”, conta Braz. “Não viu, porque o bom resultado de preenchimento de lábio é aquele que ninguém percebe que foi feito! Está natural. Quando a gente vê que foi feito alguma coisa, é porque não está bom.” O ácido hialurônico é uma substância produzida naturalmente pelo corpo, crucial para a hidratação e sustentação da pele, que retém água e mantém o colágeno, mas com o envelhecimento, sua produção diminui. As injeções para reposição podem ser aplicadas nas têmporas, bochechas, linha do maxilar, queixo, olheiras, linhas de expressão e lábios. O tempo de duração depende de vários fatores, como metabolismo individual, tipo do preenchedor, técnica e profundidade da aplicação, área da aplicação e estilo de vida. De acordo com a Allergan, a substância pode durar até 18 meses, mas, muitas vezes, embora sem apresentar os efeitos, o produto permanece sob a pele. “Hoje, os produtos à base de ácido hialurônico são bem diferentes do que quando comecei, há mais de 25 anos. Antes, tinham um peso molecular muito menor, duravam pouco, então não faziam reações imunoalérgicas. Atualmente, você coloca no rosto do paciente, e pode durar até cinco anos, mesmo que ele não esteja mais visível”, explica Paula Bellotti. O efeitos do ácido hialurônico são reversíveis graças a uma enzima que chama hialuronidase, aplicada para “dissolvê-lo”. Além disso, é um produto reabsorvido com o tempo. Já os bioestimuladores de colágeno ajudam a deixar a pele mais grossa, dar firmeza e diminuir a flacidez. “São o adubo para a gente otimizar os nossos resultados, principalmente em mulheres maduras, que já têm a baixa de estrogênio e dificuldade de estímulo para a produção de colágeno. São muito bem-vindos, de forma harmônica, em determinadas áreas do rosto”, afirma Paula. “Mas feito de maneira errada, volumiza o rosto do paciente.” O levantamento da Allergan também mostra que as canetas emagrecedoras estão afetando o universo da estética facial. Na pesquisa, 33% dos profissionais dizem considerar que a perda de peso está levando a um aumento dos injetáveis. “Ao emagrecer, alguns pedaços de estrutura diminuem. Já era uma realidade com a bariátrica, mas agora é epidêmico”, avalia o cirurgião plástico Marcel. * A jornalista viajou a convite da Allergan Aesthetics.
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