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  "textContent": "\nCampeão do carnaval e na peculiar condição de “enredo vivo”, Mestre Ciça festejou merecida e intensamente a conquista da Viradouro na apuração das notas do Grupo Especial, na Quarta-feira de Cinzas. Ergueu troféu, foi levantado nos ombros por colegas da escola, desdobrou-se em selfies e abraços. Ontem, voltou ao papel que é sua marca: o de operário da folia. Após a gravação de quatro programas de TV e entrevistas por telefone, já haviam passado 18 horas desde o anúncio da vitória quando encarou a primeira refeição completa, um almoço. Ali, já estava com a cabeça no próximo desfile. União de Maricá: escola vence a Série Ouro e vai desfilar no Especial Mestre Ciça: quatro vezes campeão do carnaval, músico faz parte da fase vitoriosa da Viradouro Ele ainda se deu ao luxo de um cochilo, antes do compromisso da tarde: Moacyr da Silva Pinto tinha encontro com outros componentes da Viradouro para apresentar duas propostas que podem virar surpresa amanhã, no Desfile das Campeãs. — Se eu disser alguma coisa, posso ficar mal se não acontecer. Ou estragar a surpresa — desliza o mestre, do alto de seus 69 anos e 55 carnavais, antes de deixar um recado: — Tem muita gente pedindo camisa para desfilar. É amigo de amiga pedindo ingresso também... Mas eu não tenho acesso a isso, não! Amanhã já vou voltar ao barracão. O mestre e a musa. Ciça oferece o troféu a Juliana Paes: um telefonema dele a levou de volta à Viradouro Marcelo Theobald/18-02-2026 Pelas ruas do Estácio, bairro onde mora, o mestre foi tietado como celebridade. No celular, também não paravam de chegar mensagens. A euforia causada pela Viradouro na Avenida, na noite de segunda-feira, levou ao título do carnaval de 2026, com notas 10 do início ao fim da apuração na Cidade do Samba. Polêmica: jurada penaliza Mocidade Independente de Padre Miguel por associar Rita Lee ao título de 'padroeira' Aplausos e banho de chuva O complexo de barracões do Grupo Especial foi cenário de um momento inédito no dia da apuração: integrantes das 12 agremiações concorrentes deixaram a rivalidade de lado e aplaudiram mestre Ciça de pé. Ali mesmo, durante uma volta de trio elétrico, parte dos festejos, a chuva molhou os campeões em cima do carro e a torcida no entorno. Ritmistas de diversas escolas se juntaram aos da Viradouro. — Foi água para lavar a alma e tirar qualquer impureza — disse o quase setentão, que foi acompanhado pela mulher, Tânia Domingos, em seus compromissos ontem. Os dois estão juntos há 33 anos, e ela também é do carnaval: é ritmista, já foi passista e cuida da página do bamba na internet. O ano era 1971, e o então adolescente Moacyr iniciava sua trajetória no carnaval. Começou como passista da Unidos do São Carlos (antigo nome da Estácio de Sá). Agora, 55 anos depois, desfilou como mestre de bateria e enredo da escola campeã. Na Viradouro, esteve presente em três dos quatro títulos da vermelho e branco de Niterói. O mais recente ainda não entrou em seu perfil no Instagram, onde consta: “Mestre de bateria da Unidos do Viradouro. Campeão do carnaval 2020. 2024. Vascaíno”. À espera da nova vitória, aliás, Ciça prometeu que pararia de fumar se a taça viesse para a escola. Ontem, adiantou que isso não será do dia para a noite. — São muitos anos fumando. Vai ser aos pouquinhos. Se Deus quiser, vou conseguir! — afirma ele, que ainda planeja uma viagem com a família nas próximas semanas e outra para Portugal, em maio. No Estácio, Ciça foi ritmista da escola do bairro, onde tocou agogô de duas bocas. Em 1989, passou a reger a bateria da agremiação — época em que era difícil conciliar o emprego de mecânico com os compromissos de mestre. Ali permaneceu até 1997, conquistando o único título da escola, em 1992 (“Pauliceia desvairada: 70 anos do Modernismo”), o primeiro de seu currículo. Vascaíno, o mestre participou ainda do desfile sobre o centenário do rival Flamengo (Estácio, 1995), assim como, em sua passagem pela Unidos da Tijuca (1998), acabou rebaixado quando o enredo foi seu clube do coração. Seu terceiro trabalho como mestre de bateria foi na Viradouro, com a primeira passagem entre 1999 e 2009. No período, partiu dele a ideia de colocar a bateria sobre um carro alegórico, em 2007: o feito inédito marcou a história do Sambódromo e foi repetido no desfile campeão de 2026. Este ano, a Viradouro gabaritou em todos os quesitos (levou apenas duas notas 9,9, que acabaram descartadas). Torcedores da escola gritaram pelo mestre desde o início dos trabalhos na Cidade do Samba: “Olê, olê, olê, olá, Ciça, Ciça!”, dizia o coro. O clima também era de empolgação com Juliana Paes, rainha de bateria da vermelho e branco — convidada por ele para voltar ao posto —, que viralizou com dezenas de memes por conta do choro e do nervosismo durante a apuração. — Foi um desfile catártico, pelo menos para mim e para o Ciça — afirmou a atriz. Obra de muitas mãos Um desfile histórico é obra de muitas mãos. Como as de Ciça, de Juliana e do carnavalesco Tarcísio Zanon. O realizador do enredo campeão da Viradouro concilia competência e pé-quente. Esse foi o quinto título conquistado pelo carnavalesco desde sua estreia, em 2015 — contando trabalhos na Série A, como era chamada a Série Ouro até 2020, e no Grupo Especial.",
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