Enredo da Viradouro, Ciça vira celebridade no bairro onde nasceu
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February 16, 2026
A Rua Sampaio Ferraz, no Estácio, é uma via curta, com menos de 200 metros de extensão, bem arborizada, predominantemente residencial e com alguns pequenos comércios, como loja de material de construção, lanchonete e salão de beleza, além da tradicional banca do jogo do bicho. Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos — completará 70 em 20 de julho —, já era uma figura conhecida na região, onde vive há 35 anos. Mas, desde que foi anunciado como enredo da Viradouro, foi alçado à condição de celebridade do lugar, principalmente à medida que o desfile se aproxima. Programe-se: Já decidiu onde vai pular carnaval? Confira a ferramenta de blocos do GLOBO Match dos blocos: faça o teste e descubra quem é você no carnaval de rua do Rio — Te vi na televisão ontem — diz uma vizinha que cruza com ele na portaria do prédio onde mora. Na rua, cumprimenta e é cumprimentado por todos. Também é abordado algumas vezes para um rápido bate-papo. No salão, onde vai fazer a barba, o cabelo e as unhas, é solicitado para selfie por uma jovem frequentadora. Da nudez ao topless, confira o que pode ou não no carnaval; julgamento muda em 2026, com subquesitos — Não consigo andar dez metros sem ser parado — afirma Ciça, pouco à vontade com a repentina fama, que sobrou até para Tânia Domingos, sua companheira de mais de 30 anos, que passou a ser conhecida na vizinhança como a mulher “do enredo”. Simples, mas assim O Estácio, na Zona Norte, berço da pioneira escola de samba Deixa Falar, viu Moacyr se transformar no celebrado mestre de bateria, que neste carnaval vive a situação inédita de ser, ao mesmo tempo, enredo e personagem do desfile. Ciça nasceu e cresceu no bairro de onde nunca saiu. A rua onde mora há praticamente metade de sua vida até aqui fica bem próxima de dois dos seus locais favoritos na cidade: o Sambódromo e a quadra da Estácio de Sá, agremiação onde se iniciou no carnaval, na década de 1970, quando ainda se chamava Unidos de São Carlos. Carnaval RJ 2026: conheça os enredos e ouça os sambas das escolas do Grupo Especial — Morei em vários endereços, mas sempre no bairro. Tive oportunidade de ir para outros lugares, mas não pretendo sair daqui. É um bairro muito bom. Aqui tem tudo. O metrô fica logo ali em frente e tem ônibus praticamente na porta. Para mim é ideal — garante. Expedito Alves faz a barba e corta o cabelo de Ciça há 15 anos Marcelo Theobald/Agência O Globo O GLOBO acompanhou na sexta-feira parte da rotina do homenageado da vermelho e branco de Niterói, que incluiu uma ida ao salão para os cuidados com a estética, como parte dos preparativos finais para o desfile que acontece já no começo da madrugada de terça-feira, na Sapucaí. A manicure Rosane Fidalgo, que há 12 anos cuida das unhas do mestre de bateria, diz que o cliente sambista é vaidoso, a ponto de visitar o salão semanalmente, e não esconde que é fã. —A gente até esquece que ele é celebridade, de tão gente boa — elogia. Barbeiro de Ciça há cerca de 15 anos, Expedito Alves Lopes já conhece de cor seu gosto e nem precisa perguntar como será o corte. — Ele senta e pede para “dar um grau”, e eu já sei o que fazer — conta. Considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade — na função há cerca de 40 anos —, Ciça, que já foi mecânico de automóveis, ingressou no carnaval carioca como passista, em 1971, para depois tornar-se ritmista na São Carlos, onde tocou agogô de duas bocas. Após o primeiro casamento, em 1977, fez uma pausa na folia a pedido da então esposa, que não se conformava em ter de passar as madrugadas longe do marido. Não suportou a distância de sua outra paixão e acabou voltando para o samba em 1986, já na Estácio e ainda como ritmista. Qual é a rainha de bateria mais icônica da história do carnaval? Júri elege lista das mais marcantes; você concorda? Dois anos depois foi convidado para virar mestre de bateria. Estreou no novo posto no desfile seguinte, cujo enredo era “Um, dois, feijão com arroz”. Em 1992, a escola foi campeã, com “Pauliceia Desvairada”. Amigos no desfile De lá para cá passou por outras escolas, como Unidos da Tijuca, Grande Rio e União da Ilha. Na Viradouro, são duas longas passagens: de 1999 a 2009, e de 2019 até hoje. Durante os últimos sete meses, Ciça se dedicou a uma rotina de ensaios semanais, com os 282 ritmistas sob seu comando. A emoção pela homenagem ainda é grande. Mas ele assegura que está relaxado na reta final para o desfile. A iniciativa da escola, para o mestre, é o reconhecimento de anos de trabalho dedicados ao carnaval, além de valorizar o posto. A propósito: familiares e vários de seus colegas de outras escolas virão no último carro, o “Bonde do caveira” (em referência a seu outro apelido). Entre eles estão os mestres Marcão (Tijuca), Gustavo (Salgueiro), Chuvisco (Estácio), Pablo (Porto da Pedra) e Macaco Branco (Vila Isabel). — Será uma grande homenagem para todos os sambistas — resume, sobre o desfile, o ritmista Mário Júnior, de 53 anos, que acompanha Ciça desde o início, na Estácio. CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME DO RIO COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO Initial plugin text
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