Fantasias exuberantes: veja spoilers dos figurinos que as escolas de samba do Rio levarão à Sapucaí
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February 15, 2026
Fantasias feitas à mão para homenagear um multiartista com a Vila Isabel; luzes e pedras brilhantes da Viradouro para reverenciar o mestre de bateria que há décadas trabalha como um operário da folia; cores vibrantes, texturas variadas e mascote para celebrar uma das maiores cantoras brasileiras. As 12 escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro farão, no quesito fantasia, um desfile de diversificação de técnicas, matérias-primas e referências. Há as que apostam na tradição e nas referências a carnavais passados ou na fé como trunfos para o sucesso, caso da Portela, do Salgueiro e da Mangueira; e as que irão lançar mão da inovação para surpreender. Confira abaixo detalhes de fantasias que serão mostradas por cada escola de samba do Grupo Especial. Acadêmicos do Grande Rio A Tricolor de Caxias terá a lama, o caranguejo e as cores da bandeira de Pernambuco entre as referências para defender o enredo “A Nação do Mangue", sobre o manguebeat e o movimento de contracultura que teve como um dos representantes o músico Chico Science. Virginia Fonseca, a rainha de bateria, usará uma fantasia com plumas no costeiro e LED. Sob concepção de Antônio Gonzaga, a escola vestirá lantejoulas e fitas com inspiração nas festas de rua do Recife. Fará referência também às antenas parabólicas que representam a periferia e são retratadas nas letras de Chico Science. "Somos feitos de tradição e reinvenção. A costura, o bordado, a história. Temos o perfume do cangaço, e o manto dos caboclos do futuro. Somos Nação", informou a nota da representante de Caxias. Fantasia da Grande Rio, que defende o enredo 'A nação do mangue' Reprodução Fantasias da Grande Rio, que defende o enredo 'A nação do mangue' Reprodução/Instagram Beija-Flor de Nilópolis Como informou o blog Repinique, a Beija-Flor desfilará, entre as dezenas de fantasias, criações que representam Oxum e Iemanjá, orixás das águas. O enredo de 2026, “Bembé”, homenageia a tradicional celebração afro-brasileira realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro (BA). As fantasias integram o conjunto visual que o carnavalesco João Vitor Araújo vem desenvolvendo para narrar a fé, a ancestralidade e a resistência que ecoam no candomblé e nas ruas do Recôncavo Baiano. Fantasias da Beija-Flor que representam Iemanjá e Oxum para o enredo 'Bembé' Shouriço/Divulgação Fantasia da Beija-Flor que representa Oxum tem referência ao ouro da orixá Shouriço/Divulgação Estação Primeira de Mangueira A Mangueira vai apresentar o enredo “Mestre Sacaca do encanto tucuju — O guardião da Amazônia negra”, do carnavalesco Sidnei França. A leveza é a característica mais marcante das fantasias da Verde e Rosa neste ano. As referências indígenas, com plumas e cores que remetem à natureza, prevalecem. Como informou o blog Repinique, grandes apostas serão em tons cítricos e em variações terrosas, com muito marrom, coral, laranja e vermelho: "O verde e rosa, claro, estarão presentes, mas não em momentos supostamente óbvios do desfile". Mangueira: fantasias leves favorecerão enfretamento ao calor Reprodução Imperatriz Leopoldinense A Imperatriz Leopoldinense, como o carnavalesco Leandro Vieira adiantou, não contará a história de Ney Matrogrosso via cronologia biográfica. O enredo "Camaleônico" possibilitará homenagens a figurinos, ao bioma do estado em que o cantor nasceu e a canções marcantes. A transgressão estética e a liberdade para movimentos sobressaem entre os critérios de Vieira para os figurinos. Penas, plumas, fuxicos e miçangas prevalecem em três fantasias para o público prestar atenção durante o desfile: a que relê o figurino usado por Ney Matogrosso no Festival de Montreaux, em 1983; a "país tropical" e uma rosa pink, inspirada na canção "Homem com H". Figurino de Ney Matogrosso no FEstival de Montreux, país tropical e música 'Homem com H' serviram de referência para fantasias da Imperatriz Leopoldinense Reprodução Mocidade Independente de Padre Miguel A Mocidade defenderá o enredo em homenagem a Rita Lee, "Padroeira da Liberdade". As fantasias, sob concepção de Highor Pfaltzgraff, fazem referência a versos de canções de Rita Lee, a seus figurinos, às causas que ela defendia, como a dos animais e a das mulheres. A liberdade que dá título ao enredo também se mostra em fantasias que permitirão aos integrantes de algumas alas desfilar com o corpo à mostra. "Cansei desta gente careta" e "A tropicalista do verbo sem freio" são os nomes de dois dos figurinos. Fantasias da Mocidade, que defende o enredo "Padroeira da liberdade", em homenagem a Rita Le Divulgação Paraíso do Tuiuti A Paraíso do Tuiuti terá como enredo deste carnaval "lonã ifá lukumi". A letra é de Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas, e interpretada por Pixulé. A celebração da espiritualidade e da ancestralidade afro-cubana destaca figuras como Orunmilá e Eleguá. Por isso, nas fantasias, é marcante a representatividade de entidades. A agremiação teve os figurinos criados pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. O colorido, os colares de contas, as palhas e os brilhos são destaques. Paraído do Tuiuti representará ancestralidade afro-cubana no desfile de 2026 Reprodução Portela A Portela levará para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. Adereços de mão aparecem em diferentes fantasias, com representações de lanças e mais figuras associadas a orixás. É possível que a tradicional águia da Portela surja multiplicada na Marquês de Sapucaí. Lideranças negras também serão lembradas no desfile. Uma das fantasias da Azul e Branco de Oswaldo Cruz remete a Zumbi dos Palmares. Portela terá adereços de mão em fantasias com referências a orixás Reprodução Zumbi, líder de Palmares, também será lembrado na Avenida pela Portela Reprodução Salgueiro (Acadêmicos do Salgueiro) Rosa Magalhães será lembrada pelo Salgueiro, que defende o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”. Uma das fantasias mais celebradas é a da ala das baianas, a Dama da Corte. Como informou O GLOBO, durante o processo de criação, a equipe de carnaval estudou mais 5 mil imagens do acervo de Rosa, que foi doado por ela, em vida, para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No entanto, enquanto cada desfile tinha uma média de cem desenhos os ilustrando — a carnavalesca já assinou desfiles na Imperatriz, na Vila Isabel, na São Clemente, no Império Serrano e na Estácio, por exemplo —, os anos de 1990 e 1991, justamente quando ela assinou as apresentações do Salgueiro, tinham só vinte, cada. Tia Glorinha, presidente da ala das baianas do Salgueiro, com fantasia de 2026. Em homenagem a Rosa Magalhães, equipe se inspira em roupa do carnaval de 1990, assinado pela professora Ygor Gusmão / Acadêmicos do Salgueiro / Divulgação Unidos do Viradouro A Viradouro homenageia Mestre Ciça, responsável pela bateria da agremiação e que acumula décadas de experiências em mais escolas. Por isso, na Sapucaí, ao defender o enredo "Para cima, Ciça!", surgirão referências a escolas pelas quais ele já passou, entre elas a Estácio de Sá. As fantasias de algumas alas têm caveiras reluzentes, referência ao apelido do regente e, num dos carnavais mais luxuosos da história, a Vermelho e Branco ostentará brilhos e apostará em inovação. A festa na Avenida comemora antecipadamente os 70 anos de vida de Moacyr Silva Pinto, que faz aniversário em julho e dedicou mais de cinco décadas ao carnaval. Até a fantasia da rainha de bateria, Juliana Paes, terá uma novidade especial e que dá pompa ao desfile: ela usará um figurino confeccionado pela grife italiana Dolce & Gabbana. Pedras e plumas entre referências douradas nas fantasias da Viradouro Divulgação Fantasia da Viradouro tem capricho em pedrarias, brilhos e luzes Reprodução Unidos de Vila Isabel A Unidos de Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres. Uma das novidades são as fantasias pintaas à mão, em ode ao artista representado pelo enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”. No primeiro ano dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad na agremiação da Vila, também surgem novidades no figurino da bateria. Cores de boinas usadas pelos ritmistas representarão notas musicais. O violeta representará a nota sol. Haverá ainda uso de boinas em azul royal (lá), azul turquesa (si), verde (dó), amarelo (ré), laranja (mi) e vermelho (fá). Foram usadas 120 latas de tinta — equivalente a mais de 400 litros — além de 300 tubos de pigmento. Fantasias que ritmistas da Vila Isabel usarão foram pintadas a mão Ademir Júnior / Divulgação / Unidos de Vila Isabel
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