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Parece, mas não é: Empresa britânica reforma Land Rover dos anos 70 com tecnologia moderna; veja imagens

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo February 14, 2026
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Ele é azul-escuro, mas não tem nada de discreto. Trata-se de um Land Rover Series III completamente reimaginado, um restomod batizado de “The Admiral”, ou "O Almirante" em referência à pintura Admiralty Blue, usada à época pela Marinha Real britânica em carros oficiais mais sofisticados. Por trás da aparência de utilitário clássico, esconde-se um V8 de 250 cv, interior luxuoso sob medida e uma inesperada atualização tecnológica que inclui até computador de bordo. Vale isso tudo? Ferrari dos anos 50 pode ser vendida por R$ 2,6 milhões em leilão nos EUA mesmo enferrujada e sem funcionar; veja imagens Veja também: Ferrari elétrica troca telas por botões e marca virada de modelagem com assinatura de designer do iPhone; vídeo O modelo é uma peça única — um de três projetos especiais que a oficina britânica Kent Heritage Works (KHW), de Tunbridge Wells, no sudeste da Inglaterra, costuma produzir um modelo por ano paralelamente às restaurações convencionais. Este exemplar custa £ 195 mil — valor que, diante do mercado atual de clássicos personalizados, chega a surpreender por não ser ainda maior. Interior do The Admiral Divulgação: kentheritageworks.uk A base é um Series 3 de entre-eixos curto (88 polegadas), de 1976. Chassi e carroceria foram desmontados e restaurados, com a divisória traseira reposicionada para ampliar o espaço interno. O acabamento foi elevado a um novo patamar, com couro e madeira aplicados em padrão de luxo sob medida. V8 retrabalhado e câmbio automático Mecanicamente, o projeto é ainda mais interessante. A KHW partiu de um V8 Rover 3.5 a gasolina do mesmo período e o enviou para uma série de aprimoramentos: virabrequim retrabalhado, cilindros alargados, novos pistões e comando de válvulas de maior levante. Recebeu ainda injeção eletrônica Holley, ignição eletrônica MSD, novos componentes auxiliares e escapamento em aço inox sob medida. O resultado são 250 cavalos e 220 lb-ft de torque. Inspirado em Le Mans e ultralimitado: Aston Martin lança hipercarro de pista Valkyrie LM Como o motor se mostrou arisco demais com câmbio manual, optou-se por uma transmissão automática ZF de quatro marchas com conversor de torque. A solução preserva as opções originais de tração — reduzida ou alta, traseira ou integral — mantendo o caráter do veículo. Durante o teste, a condução foi feita em tração traseira com relação alta. O "The Admiral", produzido pela Kent Heritage Works Divulgação: kentheritageworks.uk Os freios também foram modernizados: discos do Land Rover Defender na dianteira e do Land Rover Freelander 2 na traseira, que permitiram a adoção de freio de estacionamento eletrônico. Entre outras atualizações discretas estão geladeira embutida e sistema de som premium. A atualização menos discreta é a central multimídia com tela sensível ao toque de 10 polegadas, desenvolvida pelo próprio chefe da KHW, Cliff Smith, que trabalhou 18 anos na Apple. O sistema controla bancos e para-brisa aquecidos, além de oferecer compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay. Conforto clássico, com personalidade A suspensão mantém molas parabólicas — escolhidas por preservarem a estética original — combinadas a amortecedores ajustáveis. A direção hidráulica vem de um Range Rover Classic, com três voltas de batente a batente (em vez das quatro originais), e os diferenciais mais longos também derivam do modelo, proporcionando relações mais alongadas. “Você poderia dizer que, por baixo, ele é um Range Rover Classic”, resume Smith. O comportamento ao volante permanece fiel às origens. O rodar é, por assim dizer, autêntico — com alguma dose de balanço. Não se trata de um carro sofisticado nos padrões modernos, mas isso não o impede de ser encantador. A direção assistida tem peso leve a intermediário, os freios transmitem segurança, embora a aderência e a tração não sejam abundantes. E isso pouco importa. O V8 entrega um ronco marcante, a montagem impressiona pelo cuidado — há mais de 40 peças impressas em 3D discretamente integradas — e a sensação geral é de solidez e capricho. Para quem tem uma segunda casa no campo ou até uma ilha particular e busca um veículo de apoio com personalidade, é difícil imaginar algo mais adequado. Legado reinterpretado A própria KHW define o projeto como mais do que uma restauração. “The Admiral não é meramente um Land Rover restaurado — é uma obra-prima de intenção e precisão. Reconstruído à mão ao longo de dois anos, cada componente foi reengenheirado para honrar o passado enquanto comanda o presente”, afirma a empresa. “Um novo motor potente. Uma transmissão automática refinada. Freios a disco modernos. Tudo integrado de forma perfeita a uma carroceria que permanece inconfundivelmente icônica.” No interior, a cabine foi modificada para oferecer mais espaço para as pernas. O painel é revestido em couro bege; os bancos dianteiros e traseiros trazem costura em padrão diamante no mesmo tom, com detalhes em azul Admiralty e aquecimento nos assentos frontais. O assoalho traseiro usa acabamento em teca flexível de origem sustentável. A iluminação ambiente inclui luzes nas portas, no assoalho traseiro e iluminação de aproximação externa. Entre os equipamentos estão para-brisa e retrovisores aquecidos, sistema de aquecimento personalizado, câmera de ré, isolador de bateria e interruptor de corte por inércia para o sistema de injeção eletrônica. “Esta não é uma restauração”, resume a marca. “Este é o The Admiral — imponente em espírito, impecável na execução, construído para durar.”

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