{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreia3x576wtazpj7dnx2vwzfg333mp55ovjavlgwj2gzeb3gzds6tca",
"uri": "at://did:plc:jyxhsywpmmdp5j2fxziceuc7/app.bsky.feed.post/3meoltcpxxka2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreify5rh7nf7opkjoto4zdqaj2h2eanfjphsyzdjazkv7lxa2wqj77m"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 1226568
},
"path": "/mundo/noticia/2026/02/12/nas-redes-sociais-contas-russas-pro-kremlin-usam-caso-epstein-para-acusar-a-ucrania-de-ser-centro-mundial-de-trafico-sexual.ghtml",
"publishedAt": "2026-02-12T16:51:50.000Z",
"site": "https://oglobo.globo.com",
"tags": [
"O Globo"
],
"textContent": "\nApós a divulgação dos milhões de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein, contas nas redes sociais favoráveis ao governo russo divulgaram a ideia de que os documentos revelariam que a Ucrânia era um centro mundial de tráfico sexual. Segundo algumas das contas, os arquivos mostram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria tentado salvar crianças ucranianas de uma rede ligada ao falecido criminoso sexual. Os perfis aproveitaram o real envolvimento de figuras importantes de todo o mundo para propagar acusações contra Kiev, segundo investigações da AFP e um relatório do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD) publicado nesta quinta-feira. Veja: Epstein construiu laços com autoridades e empresários russos e tentou marcar encontro com Putin, mostram arquivos Caso Epstein: o que se sabe sobre escândalo que causou crise política e atingiu elites na Europa e nos EUA? Uma publicação recente no X, que teve mais de 3 milhões de visualizações, afirmou que os arquivos do caso Epstein \"confirmam que Putin não havia sequestrado crianças na Ucrânia, mas que as havia retirado para protegê-las de serem vendidas no tráfico sexual infantil\". As afirmações dispararam nas redes sociais, após a divulgação mais recente dos documentos, com mais de 15 mil publicações no X em dois dias, segundo o ISD, que tem sede em Londres. Initial plugin text Embora não exista nenhuma prova de que o governo russo esteja ligado a estas publicações, a divulgação dos documentos do caso Epstein \"serve aos seus interesses\", estima uma das autoras do relatório do ISD, Liana Sendetska. — Simplesmente tentam saturar o espaço informativo com tudo isto para ver se pega — disse Olga Tokariuk, outra autora do relatório. Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia deportou ou deslocou à força cerca de 20 mil crianças ucranianas, segundo o governo de Kiev. No entanto, Moscou afirma que os transportou para protegê-los dos combates. Em 2023, por exemplo, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra Putin pela \"deportação ilegal\" de crianças das zonas ocupadas da Ucrânia para a Rússia. Laços com empresários russos e encontro com Putin Os documentos, divulgados pelo Departamento de Justiça no dia 30 de janeiro, indicam que Epstein manteve relações com autoridades e empresários russos e buscou, por anos, organizar um encontro com Putin. O material amplia o alcance internacional dos contatos do financista, morto em 2019, e detalha trocas de mensagens, convites para eventos oficiais e pedidos de intermediação política e pessoal. Segundo os arquivos, Epstein manteve correspondências diretas com russos de alto escalão e recorreu a intermediários para tentar viabilizar uma reunião com Putin ao longo da década de 2010. Não há, porém, evidência de que esse encontro tenha ocorrido. O nome do presidente russo aparece mais de mil vezes nos documentos, em sua maioria em recortes de imprensa e boletins informativos recebidos por Epstein. Em e-mails privados, Epstein tentou repetidamente obter uma audiência com Putin, muitas vezes por meio do ex-primeiro-ministro da Noruega Thorbjørn Jagland (1996-1997). Em uma mensagem de 2013 ao ex-premier de Israel Ehud Barak (1999-2001), Epstein afirmou ter sido convidado para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, evento anual que conta com a presença de Putin, mas disse ter recusado. Sobre o presidente russo, escreveu: “Se ele quiser se encontrar, terá de reservar tempo real e privacidade”. Lesões, mandíbula e possível homicídio: O que revelam fotos do cadáver e documentos inéditos sobre a morte de Epstein? Correspondências com Jagland mostram Epstein pedindo que a possibilidade de um encontro fosse mencionada em visitas a Moscou: “Sei que você vai se encontrar com Putin no dia 20. Ele está desesperado para atrair investimento ocidental para o país… eu tenho a solução dele”, escreveu Epstein. E-mails posteriores indicam que não houve avanço. Mais tarde, Epstein reclamou que não recebeu resposta. O Kremlin, por sua vez, reagiu minimizando o caso. — As alegações de laços entre Epstein e a inteligência russa não merecem nada além de piadas — disse um porta-voz, acrescentando que o tema não justificava comentários sérios.",
"title": "Nas redes sociais, contas russas pró-Kremlin usam caso Epstein para acusar a Ucrânia de ser 'centro mundial de tráfico sexual'"
}