Inflação na Argentina sobe em janeiro pelo quinto mês consecutivo em meio a polêmica sobre metodologia
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February 10, 2026
A inflação na Argentina ficou em 2,9% em janeiro, quinto mês consecutivo de alta, anunciou nesta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), cujo presidente Marco Lavagna renunciou na semana passada ao se opor à decisão do governo de adiar a implementação de um novo método de medição. Enquanto tenta fechar acordo com os EUA: Milei defende laços da Argentina com a China Preços comportados? Argentina fecha 2025 com a menor inflação em oito anos O número representa um leve aumento em relação a dezembro (2,8%) e se afasta ainda mais dos 1,9% registrados em agosto do ano passado. Os preços cresceram principalmente nos setores de alimentos, bebidas, restaurantes e hotéis. “Consolida uma tendência de aceleração que começa em agosto, não é um bom número”, disse à AFP a economista Elisabet Bacigalupo, da consultoria ABECEB. Acordo-quadro: Argentina assina acordo de comércio e investimento com os EUA “Há dois meses, a inflação interanual também vem acelerando”, acrescentou a especialista. O aumento dos preços foi de 32,4% em janeiro em relação a janeiro do ano passado, detalhou o Indec. No entanto, a credibilidade do indicador — cuja queda é ao principal trunfo do governo de Javier Milei — ficou em xeque porque ele utiliza, em sua elaboração, itens que já não fazem parte da cesta básica dos dos argentinos, com base em pesquisas realizadas há mais de 20 anos. O órgão, com assistência do Fundo Monetário Internacional, vinha trabalhando na atualização do índice, que estava pronto para ser aplicado em meados de 2025, mas cuja implementação vem sendo adiada desde então. Críticas: Trump amplia importações de carne bovina da Argentina em ofensiva para reduzir preços nos Estados Unidos Isso ocasionou, na semana passada, a renúncia do presidente do Indec, Marco Lavagna, que esperava divulgar o índice de janeiro já com a nova metodologia, segundo explicou na ocasião o próprio ministro da Economia, Luis Caputo. O presidente Milei e sua equipe consideraram que a mudança no método de medição deveria ser feita quando o processo de desinflação estivesse “totalmente consolidado”, disse Caputo. A saída abrupta de Lavagna e a explicação posterior afetaram a credibilidade das estatísticas, embora “se o governo tivesse mudado a metodologia, a inflação não teria sido maior; na verdade, acreditamos que teria sido um pouco menor”, afirmou Bacigalupo. A metodologia antiga utilizava uma cesta de preços de 2004, sem considerar gastos com telefonia móvel, internet ou televisão por assinatura, entre outros. A nova tomará como base a pesquisa de renda e despesas dos domicílios de 2017–2018 e será ajustada às recomendações internacionais, segundo o Indec. A inflação foi reduzida de 211,4% em 2023 — quando Milei desvalorizou o peso pela metade — para 31,5% em 2025, seu nível mais baixo em oito anos.
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