Quem são as rainhas de bateria das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval 2026?
As rainhas de bateria surgiram no Carnaval do Rio nos anos 1970, com a transexual Eloina dos Leopardos, na Beija-Flor. As responsáveis por animar o público com carisma e samba no pé se consolidaram no posto da década de 1980. Hoje, são 12 as que desfilam no Grupo Especial, que pelo segundo ano consecutivo terá desfiles em três noites. Em cada uma delas, quatro rainhas adentrarão a Avenida à frente dos ritmistas, com inovação em movimentos e interação. Conheça, a seguir, as histórias de cada uma. Programe-se: Já decidiu onde vai pular carnaval? Confira a ferramenta de blocos do GLOBO Carnaval RJ 2026: conheça os enredos e ouça os sambas das escolas do Grupo Especial A ordem das apresentações foi definida por sorteio realizado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Galerias Relacionadas Sabrina Sato, Vila Isabel Sabrina Sato é a rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel Reprodução / Instagram Sabrina Sato faz parte da Vila Isabel há 16 anos. Na primeira semana de fevereiro deste ano, a apresentadora comemorou seu aniversário de 45 anos com família, amigos e os ritmistas da escola da Zona Norte numa mansão em Santa Teresa. Há mais de duas décadas, a paulista vive o carnaval entre ensaios técnicos, barracões e a convivência com as comunidades. A interação é mostrada no programa "Carnaval da Sabrina", do GNT. De folga: Município do Rio e estado terão três dias de ponto facultativo no carnaval; entenda Na Marquês de Sapucaí, nesta terça-feira, Sabrina desfila pela Azul e Branco em homenagem a Heitor dos Prazeres, multiartista que transitou entre a música e a pintura. O desfile destaca referências às origens e à fundação das escolas de samba. Nos ensaios técnicos, já foi possível notar essas influências nas fantasias usadas pela rainha, com destaque para as cores da bandeira brasileira. “O Brasil que nasce na rua, no batuque, no suor e no sorriso. Essa fantasia é uma reverência a Heitor dos Prazeres, artista brasileiro que transformou dor em arte, margem em centro e silêncio em ritmo. Muito antes de chamarem isso de identidade, ele já retratava o povo em movimento. Heitor entendeu algo essencial: o Brasil não se explica, se sente. E o samba é mais do que música. É resistência, é sobrevivência, é alegria que não se rende. O Brasil que ele enxergou não é perfeito. É potente. E é esse Brasil que hoje atravessa a Sapucaí com a minha Vila Isabel”, escreveu Sabrina em uma publicação no Instagram, após um dia de ensaio técnico na Sapucaí. Virginia Fonseca, Grande Rio Virginia Fonseca é a rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio Reprodução / Instagram Com 54,4 milhões de seguidores nas redes sociais, Virginia Fonseca foi anunciada em maio do ano passado como a nova rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio para o carnaval de 2026. A escolha marca sua estreia oficial no carnaval carioca e ocorre após a despedida da atriz Paolla Oliveira, que deixou o posto em 2025, depois de anos à frente da bateria. Desde o anúncio, o reinado de Virginia foi cercado por polêmicas: a principal dela tinha o samba da influenciadora como tema. Para ocupar o posto, ela contratou professores de samba e tem aprendido sobre como ocupar os espaços da Avenida. Em 2026, a Grande Rio leva para a Avenida um enredo inspirado no Manguebeat. Surgido em Recife nos anos 1990, o movimento cultural permite paralelos entre Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e a capital pernambucana, ambas as regiões com histórias marcantes de resistência cultural e vínculo. Viviane Araújo, Salgueiro Viviane Araújo é a rainha de bateria do Salgueiro Reprodução / Instagram (@araujovivianne @viniciusmochizuki) A Acadêmicos do Salgueiro entra em cena com Viviane Araújo à frente da bateria. Com 30 anos de Avenida, a atriz e apresentadora ocupa o posto de rainha da agremiação há 18 anos e, na comunidade e na Vermelho e Branco, viu integrantes crescerem. Neste ano, o enredo do Salgueiro presta homenagem à carnavalesca multicampeã Rosa Magalhães, que morreu em 2024. O desfile não propõe uma biografia, mas um passeio pelos elementos que marcaram sua obra. Algumas dessas referências já apareceram nas fantasias de Viviane, que surgiu vestida de cisne branco no primeiro ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. No sábado anterior ao desfile principal, ela performou num tripé chamando o público para o samba e fez agachadinhas com os músicos. As fotos e vídeos publicados em seu Instagram, onde soma mais de 15 milhões de seguidores, renderam elogios e aumentaram a expectativa do público para a noite aguardada. Iza Iza é a rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense Reprodução / Instagram Após três carnavais afastada da Avenida, Iza retomou o posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense. A cantora desfilou pela escola entre 2020 e 2022, mas deixou o cargo por não conseguir conciliar a agenda com os compromissos exigidos pela função. Em abril do ano passado, a agremiação anunciou o retorno da artista ao posto, em uma das escolas mais tradicionais do carnaval carioca. Criada em Ramos, na Zona Norte do Rio, bairro onde fica a sede da Imperatriz, Iza mantém uma ligação especial com a escola. Nas redes sociais, onde reúne mais de 21 milhões de seguidores, a cantora já compartilha registros dos ensaios técnicos e da preparação para o desfile. Com o enredo Camaleônico, a Imperatriz homenageia neste carnaval o cantor Ney Matogrosso, destacando sua vida e carreira a partir das transgressões estéticas que marcaram sua trajetória. Juliana Paes Juliana Paes é a rainha de bateria da Unidos do Viradouro Reprodução/Instagram e Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação Juliana Paes retornou ao posto de rainha de bateria da Unidos do Viradouro após 17 anos. A atriz reinou na escola pela primeira vez em 2004 e deixou o cargo depois do desfile de 2008. Até o carnaval passado, o posto era ocupado por Erika Januza. Ao anunciar o retorno nas redes sociais, onde soma mais de 30 milhões de seguidores, Juliana contou que o convite partiu de Mestre Ciça, comandante da bateria da escola que será homenageado no enredo da Viradouro em 2026. A trajetória do mestre no carnaval, incluindo passagens por outras agremiações, será um dos destaques do desfile. “Eu 'tô' de volta para casa, minha Viradouro! Um pedido do Mestre Ciça é uma ordem e meu coração, mais uma vez, vai bater mais forte no ritmo do nosso Furacão Vermelho e Branco! Tudo para homenagear nosso amigo Mestre Ciça que vai brilhar como tema da escola na Sapucaí. Já tô arrepiada só de imaginar. Viradouro, que honra receber essa coroa mais uma vez!”, escreveu a atriz. Vanessa Rangeli Vanessa Rangeli é a rainha de bateria da Acadêmicos de Niterói Reprodução / Instagram (@vanessa.rangeli @luzmarschaider) Estreante no Grupo Especial após conquistar o título da Série Ouro no ano passado, a Acadêmicos de Niterói será a primeira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo. A rainha de bateria da agremiação foi anunciada em junho de 2025: a empresária Vanessa Rangeli. Esta não é a primeira vez que Vanessa assume o posto. No ano passado, ela desfilou como rainha de bateria da Inocentes de Belford Roxo, na Série Ouro. Agora, celebra a estreia no Grupo Especial. Fundadora de um programa de emagrecimento, Vanessa soma mais de 730 mil seguidores no Instagram, onde compartilha o dia a dia na escola e os preparativos para o desfile. Ao ser anunciada como rainha, comemorou em uma publicação e afirmou que o posto representa “mais que uma conquista pessoal”. Segundo ela, trata-se de um “chamado” para representar mulheres que transformaram dificuldades em força. “Obrigada a todos os que espalharam essa notícia com tanto carinho. Em especial a todas as páginas de carnaval. Essa vitória é minha, mas também de cada mulher que carrega luz, garra e fé no coração”, escreveu. Neste ano, a escola apresenta um enredo sobre o presidente Lula, lembrando a infância em Garanhuns (PE), a vida de operário no ABC Paulista e a trajetória política. Bianca Monteiro Bianca Monteiro é rainha de bateria da Portela Reprodução / Instagram e Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação "Cria da comunidade”, Bianca Monteiro ocupa o posto de rainha de bateria da Portela desde 2017, quando recebeu o cargo de sua antecessora, Patrícia Nery. Criada em Madureira, na Zona Norte do Rio, iniciou sua trajetória na escola aos 13 anos, como passista. À frente da bateria de uma das mais tradicionais escolas de samba do carnaval carioca, Bianca é hoje uma das figuras mais marcantes da Sapucaí. Além da atuação na Avenida, dedica-se a projetos ligados à agremiação. Aos 37 anos, é fundadora da Oficina Paulo da Portela, iniciativa voltada à valorização da cultura do samba em Madureira, e diretora cultural do Filhos da Águia, escola de samba mirim fundada em 2001. Com quase 170 mil seguidores no Instagram, compartilha registros dos compromissos como rainha e dos ensaios técnicos. Nos comentários, é frequentemente exaltada pelo samba no pé, pelo estilo raiz e pela dedicação à Portela. Neste ano, a escola homenageia o líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, a partir do Batuque, do Negrinho do Pastoreiro e do orixá Bará. Evelyn Bastos Evelyn Bastos é rainha de bateria da Mangueira Reprodução / Instagram e Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação Rainha de bateria da Mangueira desde 2013, Evelyn Bastos ocupa o posto que um dia pertenceu à mãe, Valéria Bastos, rainha entre 1987 e 1989. Nascida e criada na escola, desfilou pela primeira vez aos 4 anos, na Mangueira do Amanhã, da qual hoje é presidenta. Também atua como diretora cultural da Liesa. Formada em História, Evelyn desfila pela 12ª vez como rainha da Verde e Rosa. Neste ano, a Mangueira leva à Avenida um enredo sobre Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, mago das ervas. O desfile propõe uma narrativa identitária, valorizando a cultura e o povo do Amapá. Nas redes sociais, onde soma mais de 600 mil seguidores, compartilha os compromissos na escola. Em registros do ensaio técnico, chamou atenção ao usar um cocar com pedrarias verde e rosa e pintura corporal, sendo apontada por fãs como a “mais bem vestida” do show do carnaval. Fabíola de Andrade Fabíola de Andrade é a rainha de bateria da Mocidade Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação Escolhida pela Mocidade Independente de Padre Miguel como rainha de bateria em 2024, Fabíola de Andrade segue no posto neste carnaval. Ela é casada há mais de uma década com o bicheiro Rogério de Andrade, patrono da escola que está preso desde outubro daquele ano e é apontado como mandante da morte de Fernando de Miranda Iggnácio, em 2020. Presença frequente na agremiação, Fabíola já havia desfilado no carro abre-alas e como musa, em 2016, antes de assumir o reinado. A mudança fez com que Giovana Angélica, rainha entre 2020 e 2023, passasse a faixa. No carnaval passado, a fantasia chamou atenção por um “R” verde purpurinado próximo ao pescoço, em homenagem a Rogério. Para este ano, a promessa é de um visual chamativo, alinhado ao enredo Rita Lee, a padroeira da liberdade, que homenageia a cantora morta em 2023, aos 75 anos. Nas redes sociais, Fabíola compartilha com quase 80 mil seguidores registros do primeiro look do ensaio técnico. “Exagerada, intensa e impossível de ignorar”, escreveu. Lorena Raissa Lorena Raissa é a rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis Reprodução / Instagram (@eulorenaraissa e @danilo.filme) e Reprodução / Instagram (@eulorenaraissa e @estudioevtonramos) Atual campeã do carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis manteve Lorena Raissa como rainha de bateria para o desfile deste ano. Coroada em 2022, aos 15 anos, ela assumiu o cargo após ser finalista do concurso que definiu a sucessora de Raíssa Oliveira e estreou na Sapucaí no carnaval passado. Aos 19 anos, Lorena é neta de Jorge Damu, integrante da ala de compositores que apresentou a família à agremiação. Representa a terceira geração da família na escola. No ano passado, deu à luz Gael, seu primeiro filho, e precisou adaptar a rotina para conciliar a maternidade com o reinado no carnaval de 2026. Para este ano, a Beija-Flor apresenta um enredo sobre o Bembé do Mercado, considerado o maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro (BA) e que reúne mais de 60 terreiros. Nos ensaios técnicos, Lorena tem homenageado a história e personagens marcantes da escola, como Pinah, passista conhecida como a “Cinderela Negra”. Mileide Mihaile Mileide Mihaile é a rainha de bateria da Unidos da Tijuca Reprodução / Instagram e Reprodução / Instagram (@mileidemihaile @paulocnicacio) Influenciadora digital maranhense, Mileide Mihaile ocupa pela primeira vez o posto de rainha de bateria da Unidos da Tijuca no carnaval de 2026. No ano passado, a escola optou por não ter rainha, em um gesto de homenagem à cantora Lexa, que reinava desde 2020 e vivia um momento delicado após o falecimento da filha, Sofia. Esta não é a primeira experiência de Mileide em cargos de destaque no carnaval. Durante oito anos, foi musa da Grande Rio. Depois, reinou como rainha de bateria da Independente Tricolor, em São Paulo, entre 2022 e 2024. Neste ano, a Unidos da Tijuca leva à Avenida um enredo em homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo. O desfile contará sua trajetória e exaltará Carolina como multiartista. Nos ensaios técnicos, já surgiram referências à homenageada nas fantasias de Mileide, como um look composto por cerca de 200 páginas de livros descartados. “Chegou o mês mais especial e mais importante do ano para quem ama o samba. O Carnaval é de quem vive, sente e faz parte do maior espetáculo da Terra. […] Vou dar o meu melhor, me entregando de corpo e alma pela minha escola e pela minha bateria. Que seja uma estreia triunfal, do jeito que a nossa história merece”, escreveu Mileide, que reúne 5,5 milhões de seguidores no Instagram. Mayara Lima Mayara Lima é a rainha de bateria da Paraíso do Tuiuti Reprodução / Instagram (@sou_mayaralima @emersoncastroph) e Reprodução / Instagram A Paraíso do Tuiuti abre o último dia de desfiles do Grupo Especial com Mayara Lima à frente da bateria. Rainha desde 2023, ela assumiu o posto após a saída de Thay Magalhães. A ligação com a escola de São Cristóvão é antiga: Mayara desfila pela agremiação desde os 14 anos. Antes do reinado, era Princesa de Bateria, até que um vídeo sambando em perfeita sintonia com os ritmistas viralizou em 2022. Desde então, seu samba rende elogios e grande repercussão nas redes sociais, onde soma mais de 1,4 milhão de seguidores. Neste ano, a Paraíso do Tuiuti leva para a Avenida um enredo inspirado em uma vertente religiosa afro-cubana ligada ao orixá Orunmilá, baseado no livro Ifá Lucumí: o resgate da tradição, de Nei Lopes. “Eleguá está em movimento. Quebra as correntes, as moendas, põe fogo na cana. Salsa, rumba, samba. A libertação das mulheres negras afro-cubanas e afro-brasileiras, que hoje se juntam e são coroadas pelos sons dos atabaques que ditam o ritmo da dança e são capazes de transformar tudo em asé e revelar os segredos de Ifá. Na batida dos tambores, elas nos contam o que a história tentou calar. Antes dos ritmos afro-cubanos ganharem o mundo, ecoaram nos terreiros […]”, escreveu a rainha na legenda de uma publicação sobre o ensaio técnico. Initial plugin text CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME DO RIO COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO Initial plugin text
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