Galípolo fala em 'calibragem' dos juros e defende atuação do BC no caso Master
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February 9, 2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira que a política monetária brasileira entrou em uma "fase de calibragem", após a autoridade manter a taxa básica de juros em nível elevado por um período prolongado. — Eu acho que agora a gente chega num momento onde a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra calibragem — disse Galípolo, em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Na mesma ocasião, ele reconheceu a melhora do cenário econômico, com inflação e expectativas do mercado mais comportadas do que no início do ano passado, mas fez questão de afastar qualquer leitura de “volta da vitória”, ressaltando que a atividade continua mais resiliente do que o esperado: — A inflação se comportou melhor do que se esperava naquele momento, mas também é verdade que a atividade se mostrou mais resiliente do que se esperava. Ao tratar do Banco Master, Galípolo buscou esclarecer informações que circularam sobre a atuação da autoridade monetária e disse que não há qualquer ilegalidade na oferta de CDBs com rendimentos acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa usada como referência para rentabilidade de investimentos. Segundo ele, isoladamente essa prática não justificaria a intervenção do BC na instituição. — Não há nenhum tipo de regra que veda você fazer essas captações a uma taxa acima do CDI. Isso não configuraria, como muita gente achou que poderia configurar, um objeto para você fazer qualquer tipo de atuação e cuidar do banco, porque existiam CDBs que estavam sendo emitidos a uma taxa superior do CDI. Não se trata disso — disse. No fim do ano passado, o BC enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um histórico sobre o processo que culminou com a liquidação do Master, decretada em novembro. Entre outros pontos, o Banco Central apontou para uma “crise aguda de liquidez” que impedia o Master de satisfazer, com pontualidade, os compromissos assumidos. No início deste mês, o Banco Central acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) para ajudar em uma apuração interna sobre os motivos que levaram à liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro. O processo tem como foco avaliar os processos adotados no caso e a conduta de integrantes da autoridade monetária. Atuação 'meticulosa' Segundo Galípolo, para quem não acompanha de perto o sistema financeiro, a atenção dedicada ao Master pode parecer desproporcional, como se um banco de “terceira divisão”, com baixa participação de mercado, estivesse provocando uma comoção excessiva. Ele disse, no entanto, que o tamanho da instituição não diminui a complexidade do caso e que o Banco Central atuou de forma meticulosa durante a investigação — lembrando que, em outras épocas, a autoridade já foi questionada por ter recorrido à liquidação de instituições. Galípolo disse também “agradecer a Deus” por enfrentar esse momento tendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência e que 2025 foi um um ano em que o Banco Central precisou reforçar sua atuação em defesa da estabilidade monetária e financeira: — Garantir a autonomia do Banco Central e da Polícia Federal, muita gente pode dizer que é uma garantia constitucional. Mas ter essa certeza, essa tranquilidade, que vamos poder trabalhar com essa autonomia, sem que ninguém nos pergunte o que está sendo sugerido e garantir essa proteção do Presidente da República, [...] é bastante importante. Ele agradeceu à ABBC e a diversas entidades do setor financeiro pelas manifestações públicas de apoio ao longo do período. — Não consigo exagerar a importância desse apoio de vocês, da opinião pública e de estarem ao lado de quem joga luz e verdade, que é o mais importante nesse processo.
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