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  "publishedAt": "2026-07-03T19:21:00.000Z",
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  "textContent": "Além de uma mala bem grande, a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, que morreu em um acidente aéreo em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (3), carregava consigo suas relíquias: vários exemplares do livro escrito por ela sobre aventuras no Pantanal. O vestígio silencioso da vida que a estrangeira construiu no Brasil estava em meio aos destroços do avião que caiu com ela na manhã desta sexta-feira (3).  A obra conta as aventuras de Lydia no Pantanal. Na sinopse, a alemã relata que vivia “há nove anos em uma fazenda no meio da natureza selvagem do Brasil e faz pesquisa de campo com tamanduás”. “A vida dela por lá é cheia de aventuras. Seja abrindo caminho pelo mato com um facão, seja encerrando a noite com uma boa caipirinha, o cotidiano nada comum da bióloga faz bater mais forte o coração de qualquer pessoa acostumada à cidade...”, completa, em terceira pessoa.  A pesquisadora morreu no acidente junto com o piloto Henrique Martin, pouco depois da decolagem do Aeroporto Santa Maria, na zona rural campo-grandense.    Os livros foram encontrados na aeronave durante o trabalho das equipes que atuaram no local da queda, em área de mata próxima ao aeroporto. A imagem dos exemplares retirados dos destroços chamou atenção porque a obra ajuda a contar outra parte da trajetória de Lydia.  Publicado em alemão, o livro se chama “Ich glaub, mein Puma pfeift: Als Forscherin im reichsten Tierparadies der Welt”. Em tradução literal, o título seria algo como “Acho que meu puma está assobiando: como pesquisadora no mais rico paraíso animal do mundo”. A frase, no entanto, brinca com uma expressão alemã de espanto e não significa que o puma seja o tema central da obra.  A capa também reforça a ligação dela com o Pantanal. Embora o título cite “puma”, que pode fazer referência às onças, a ilustração em destaque é a de um tamanduá-bandeira, um dos símbolos da fauna pantaneira e o animal que marcou os estudos da pesquisadora.    Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica. Tinha mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e fazia doutorado na Universidade de Bonn, com tese sobre conservação de mamíferos no Pantanal.  Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, em Bonn, e a CO.BRA (Computational Bioacoustics Research Unit).  O avião que caiu era um bimotor Seneca, modelo Neiva EMB-810D, matrícula PT-WYQ, fabricado em 1983. A aeronave havia decolado do Aeroporto Santa Maria e caiu poucos minutos depois, em meio à forte neblina registrada na região. A causa do acidente ainda não foi confirmada.  Segundo o delegado Sam Suzumura, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), uma das hipóteses iniciais é que o mau tempo tenha contribuído para a queda, mas qualquer conclusão depende da análise técnica. “A suspeita inicial é que, em razão do mau tempo, isso tenha provocado a queda. Só que a gente precisa seguir nos levantamentos. Vai precisar ser analisada a parte mecânica da aeronave e, para isso, a gente precisa da Aeronáutica. Então, isso vai ser só em um segundo momento para a gente ter certeza da causa do acidente”, explicou.  A aeronave não tinha caixa-preta, mas isso não indica irregularidade. O modelo Neiva não conta com esse tipo de gravador. Por isso, nenhum equipamento semelhante foi recolhido dos destroços.  A área da queda ficará isolada até a chegada dos técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à FAB (Força Aérea Brasileira). O trabalho deve ocorrer neste sábado (4), com acompanhamento da perícia criminal.",
  "title": "Legado de pesquisadora alemã, livros “sobreviveram” a acidente aéreo"
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