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  "publishedAt": "2026-06-27T18:40:00.000Z",
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  "textContent": "Assim que o semáforo da Rua Joaquim Murtinho fecha, uma figura chama a atenção entre os carros. Vestido com terno social impecável e com um chapéu de palha de abas largas para enfrentar o sol forte, Cladyson de Oliveira, de 50 anos, atravessa as faixas anunciando em voz alta: \"Água, 3 reais\".  A cena já virou rotina para quem passa pelo cruzamento com a Rua Marquês de Lavradio. Enquanto muitos vendedores apostam apenas na rapidez, Cladyson acredita que a boa apresentação também faz parte do trabalho.  \"Eu sempre trabalho de terno porque isso faz parte do meu marketing. A apresentação ajuda a conquistar a clientela. A gente precisa ter uma postura profissional, trabalhar com educação e respeito\", afirma.  Natural do Paraná, ele mora em Campo Grande desde 1980. Depois de anos trabalhando para outras pessoas, decidiu abrir o próprio negócio e encontrou na venda de água uma forma de sustento.  \"Costumo dizer que deixei de trabalhar para os 'segundos' e passei a trabalhar para os 'primeiros'. Isso tem um significado para mim, ligado à Palavra de Deus\", explica.    Cladyson vende água desde 2002 e trabalha exclusivamente com a marca Pôr do Sol. A escolha, segundo ele, é uma questão de fidelidade ao proprietário da empresa. \"Para mim, qualidade é qualidade e fidelidade é fidelidade\", resume.  Antes de ocupar o atual ponto, ele vendia água na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Fernando Corrêa da Costa. Mas ficou cerca de dois anos sem trabalhar para organizar o novo espaço.  “Quando recomecei aqui deu certo. O mais importante do que o rendimento é manter um ponto fixo. Se hoje você vende aqui, amanhã ali e depois em outro lugar, não conquista a confiança dos clientes”.  A sua trajetória, no entanto, foi marcada por desafios. Quando tinha apenas 7 anos, ele sofreu um grave acidente ao ser arremessado da carroceria da caminhonete em uma estrada de cascalho. O impacto causou sangramento no cérebro e deixou sequelas.  \"Não quebrei nenhum osso, mas o impacto afetou meus nervos. Os médicos disseram que, se aquilo não fosse tratado, eu poderia até perder a sanidade, então tiraram todo o sangue que estava acumulado no meu cérebro. Só não morri porque Deus me protegeu. Às vezes enfrento episódios de depressão, mas Deus cuida de mim e sigo em frente”, disse.  Anos depois, já trabalhando, sofreu outro acidente ao tropeçar enquanto atendia cliente, machucando a perna. Ainda assim, não pensa em abandonar o trabalho. “Fui fazer uma manobra rápida para atender um cliente, acabei tropeçando e caindo sobre a perna. São coisas que acontecem com quem trabalha. Quem não trabalha só dá trabalho\", diz, com bom humor.  A fé é outro combustível que o mantém firme todos os dias. Antes mesmo de começar a vender, agradece pela oportunidade de estar nas ruas. \"Deus disse para mim: faça a sua parte que eu ajudarei. Então eu procuro fazer a minha. Fico muito feliz quando as pessoas reconhecem meu trabalho. Eu não trabalho só para mim, trabalho para o povo\".",
  "title": "Impecável no terno e com fé inabalável, Cladyson vende água e distribui educação"
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