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Indígenas recorrem ao Supremo para acelerar demarcação em Sidrolândia

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial] June 18, 2026
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As lideranças da Terra Indígena Buriti, situada a 71 quilômetros de Campo Grande, protocolaram nesta quarta-feira (17), no STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido para acelerar o processo de demarcação do território e abrir uma negociação entre indígenas, União e proprietários rurais. A informação foi confirmada ao Campo Grande News pelo advogado indígena Jucinei Terena, que representa as 14 comunidades da Terra Indígena Buriti e participou de agenda em Brasília (DF). Por telefone, Jucinei explica que a petição foi apresentada após reunião realizada na terça (16), em Sidrolândia, quando indígenas concordaram em suspender o avanço sobre duas fazendas reivindicadas como parte do território tradicional. Na ocasião, lideranças informaram que buscariam uma solução por meio do STF. "Hoje a gente foi no STF e protocolou a petição na qual a gente solicita celeridade no processo de demarcação da Terra Indígena Buriti", afirmou. De acordo com ele, o processo tramita há 26 anos e está atualmente no gabinete do ministro Flávio Dino. "As lideranças indígenas já esperam há mais de 26 anos esse processo, que está paralisado atualmente no gabinete do ministro Flávio Dino", disse. Além da análise do processo, os indígenas pedem uma audiência com representantes do STF e órgãos federais. "O que a gente pede nessa petição é uma audiência com o ministro, com os órgãos públicos, principalmente a Casa Civil, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai, para tentar chegar a uma negociação", declarou. A proposta, segundo o advogado, é discutir uma solução semelhante à adotada na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, onde houve acordo para indenização de proprietários rurais e reconhecimento do território indígena. "Recentemente houve uma negociação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu. Houve um acordo entre comunidade indígena e poder público. Como existe essa experiência, a comunidade indígena entendeu que também quer dessa maneira", afirmou. Jucinei afirmou que a comunidade decidiu priorizar a negociação diante do histórico de conflitos registrados na região. "A gente não quer mais perder ninguém. A gente já perdeu um guerreiro em 2013. Tem pessoas na comunidade com sequelas, na cadeira de rodas, algumas pessoas perderam movimentos de membros. A gente entende que a vida vale muito", disse. Ainda conforme o advogado, a iniciativa partiu das próprias lideranças da aldeia. "Esse é o protagonismo hoje da comunidade indígena, dos caciques, das lideranças e das mulheres que entenderam que o momento é de negociar", afirmou. Ele também sustentou que os estudos realizados durante o processo de demarcação já reconheceram a ocupação tradicional da área pelos terena. "Já houve estudo antropológico, perícia arqueológica. A gente entende que está comprovado que é uma terra tradicionalmente ocupada pelos terena. O que a gente quer agora é negociar", declarou. Vale lembrar que, na terça, o Campo Grande News mostrou que cerca de 300 indígenas terena permaneceram mobilizados na divisa entre a área de retomada da Terra Indígena Buriti e as fazendas São Sebastião e Água Clara. Após reunião com representantes da Funai e do Ministério dos Povos Indígenas, eles concordaram em suspender temporariamente novas ocupações e encaminhar ao STF uma proposta de negociação que inclui a desapropriação das propriedades e indenização aos proprietários com recursos federais.

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