Tradição de aliança em bolo de Santo Antônio começou em 2002
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial]
June 13, 2026
Quem compra um pedaço do tradicional bolo de Santo Antônio na Catedral de Campo Grande geralmente está em busca de uma das 3 mil alianças escondidas na massa. O que poucos sabem é que a tradição, hoje consolidada na festa do padroeiro da Capital, começou há 24 anos como uma forma de arrecadar recursos para a igreja. De acordo com a comerciante e vicentina Maria de Lourdes Furtado, de 65 anos, a história remonta a 2002, quando o então pároco, padre Orlando Knapp, pediu sugestões aos paroquianos para aumentar a arrecadação durante a festa de Santo Antônio. Frequentadora da paróquia desde 1992, Maria, juntamente com uma colega, apresentou uma ideia que mudaria os rumos da celebração. A inspiração veio de uma paroquiana chamada Laci, que havia visitado São Paulo e contado sobre a venda do bolo de Santo Antônio no estado vizinho. Maria, então, acrescentou um costume da própria família à proposta. “Na nossa família, quando alguém ficava noivo, colocávamos aliança, chave e terço, cada um com um significado. Ele gostou da ideia, pois assim chamaria a atenção da comunidade. Fizemos um café da manhã e a bênção do bolo. No início com um metro e meio, e depois de 24 anos, 17 mil potes”, conta. Ela recorda que, após os primeiros anos, outras equipes assumiram a produção do bolo. Na época da criação da iniciativa, ela coordenava o conselho da igreja. Embora as alianças sejam o principal atrativo para muitos fiéis, a tradição também está ligada à própria história de Santo Antônio. Conhecido popularmente como santo casamenteiro, ele é lembrado pela ajuda prestada a jovens sem recursos para se casar. A jornalista Deise Helena Vieira Buainain, de 33 anos, que frequenta a Catedral desde os anos 2000, explica que uma das versões mais conhecidas da devoção está relacionada à caridade praticada pelo santo. “Santo Antônio sempre foi muito preocupado com os menos favorecidos. Ele falava: ‘Acessem as palavras e falem as obras’. Dizem que, para ajudar as meninas que não tinham dote mas queriam casar, Santo Antônio conseguia emprestar moedas, dar moedas para essas meninas que precisavam do dote para casar e assim ajudar a comprar as alianças naquela época”, relata. Segundo ela, a tradição das alianças representa apenas uma das manifestações de devoção ao santo, que também é considerado protetor das famílias e dos matrimônios. A relação de Deise com Santo Antônio também ganhou um capítulo especial durante a festa do padroeiro. “Eu tive uma graça muito grande em Santo Antônio, que foi quando eu conheci o meu marido. Nós nos conhecemos no dia 13 de junho de 2009, na festa de Santo Antônio, lá na paróquia”, lembra. Hoje casada e mãe de três filhos, ela continua atuando como voluntária na festa e nas pastorais da Catedral. “Para mim, é um motivo de muita alegria, de gratidão, de fortalecimento da minha fé poder estar servindo tantos anos e retribuindo tantas graças que eu já recebi por intermédio de Santo Antônio”, afirma. Neste sábado (13), dia dedicado ao padroeiro de Campo Grande, serão realizadas a entrega e a bênção dos bolos de Santo Antônio, na Catedral localizada na Rua Lydia Bais, região central da Capital. Além das alianças, também estão escondidos nos 17 mil bolos um par de alianças de ouro e um voucher para uma televisão de 60 polegadas.
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