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Fora dos holofotes, encontro revela potência da ciência cidadã de MS na COP15

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial] March 23, 2026
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Enquanto os discursos oficiais dominavam a abertura da COP15, nesta segunda-feira (23), em Campo Grande, foi nos bastidores do evento que uma iniciativa sul-mato-grossense chamou atenção de autoridades e evidenciou a força da produção científica local. Em um encontro fora da plenária principal, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, foram apresentados a um amplo trabalho de mapeamento de fauna desenvolvido no Estado. A mediação foi feita pelo presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. O destaque ficou por conta da trajetória de Leonardo Avelino Duarte, presidente da ONG Panthera no Brasil e criador do portal Biofaces — hoje considerado a maior plataforma colaborativa de registros de biodiversidade do país, baseada em ciência cidadã. Durante a conversa, Leonardo entregou à ministra um exemplar do livro Mamíferos não voadores do Pantanal e entorno, obra que reúne registros inéditos e consolida o primeiro guia científico de referência voltado à catalogação de espécies da planície pantaneira. O material preenche uma lacuna histórica na literatura regional e fortalece o conhecimento sobre a biodiversidade local. Ao tomar conhecimento da dimensão do projeto, o governador demonstrou surpresa ao descobrir que a principal plataforma brasileira de biodiversidade tem origem em Mato Grosso do Sul. “Não sabia disto. Você é detentor do maior site de fauna do Brasil”, comentou Riedel durante o encontro. A descoberta ocorre em um momento estratégico para a política ambiental do Estado. Após a implementação da Lei do Pantanal, o governo estadual estruturou o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), iniciativa que remunera produtores rurais pela conservação do bioma. Até agora, cerca de R$ 3 milhões já foram destinados a 40 produtores, e uma nova etapa do programa está com inscrições abertas. Na cerimônia de abertura da COP15, Marina Silva destacou o simbolismo de Campo Grande sediar o evento às portas do Pantanal, descrevendo o bioma como um território de encontro da biodiversidade: “onde rios se tornam lagos, onde a floresta se abre em campos, onde aves do norte e do sul encontram pouso”. Com 13 anos de existência, o Biofaces reúne milhares de registros de fauna de diferentes partes do mundo e se consolida como ferramenta estratégica para monitoramento ambiental. Segundo Leonardo Duarte, a plataforma permite mapear a ocorrência de espécies em diversos biomas, contribuindo para pesquisas, políticas públicas e ações de conservação. Mais do que um encontro casual, a cena nos corredores da COP15 expôs um recado claro: parte das respostas para os desafios ambientais globais pode estar sendo construída, silenciosamente, a partir de iniciativas locais.

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