Ministério Público quer rastrear dinheiro enviado por políticos à Capital
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March 12, 2026
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), nesta quinta-feira (12), abriu procedimento administrativo para acompanhar como a Prefeitura e a Câmara Municipal de Campo Grande recebem, registram e executam recursos provenientes de emendas parlamentares. A medida foi determinada pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da instituição. Essa iniciativa não significa que haja irregularidade comprovada. O objetivo é verificar se o município cumpre as regras de transparência e controle desses recursos públicos, especialmente quanto à possibilidade de rastrear o caminho do dinheiro desde a indicação do parlamentar até a aplicação final do recurso. A medida foi tomada após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 854, que ampliou para estados e municípios exigências de transparência já aplicadas às emendas federais. O entendimento da Corte é que os recursos precisam ser totalmente rastreáveis, permitindo identificar quem indicou a verba, qual projeto recebeu o dinheiro e como ele foi executado. Segundo o STF, a execução das emendas parlamentares no exercício de 2026 só poderá ocorrer após os governos demonstrarem que cumprem as regras de transparência previstas na Constituição, especialmente o artigo 163-A, que obriga os entes federativos a divulgar informações contábeis, fiscais e orçamentárias em sistemas acessíveis ao público. Com base nisso, o Ministério Público solicitou uma série de informações à Prefeitura de Campo Grande e à Câmara Municipal. O promotor requisitou dados sobre a base legal que permite a apresentação de emendas parlamentares no orçamento municipal, os critérios utilizados para sua aprovação, os limites de valores destinados por vereador e os mecanismos de fiscalização adotados pelo Legislativo. Também foi solicitado o envio de documentos que mostrem quais emendas foram apresentadas e aprovadas nos últimos anos, com identificação dos vereadores autores, valores indicados, finalidade das verbas e beneficiários finais. Com isso, a prefeitura deverá informar ainda quais valores foram recebidos pelo município por meio de emendas parlamentares nos anos de 2024, 2025 e 2026, além de detalhar os programas, obras ou serviços financiados com esses recursos. Outro ponto da apuração é verificar se existem mecanismos que permitam acompanhar o caminho do dinheiro público desde a origem até a execução. O Ministério Público quer saber, por exemplo, se as informações sobre as emendas estão disponíveis no Portal da Transparência e se há sistemas que permitam identificar o parlamentar responsável pela indicação, o destino do recurso e o estágio da execução financeira. No documento, o promotor também cita estudos apresentados ao STF que apontam falta de transparência em grande parte do país. Segundo os levantamentos mencionados na decisão judicial, apenas três estados brasileiros divulgam informações completas sobre emendas parlamentares, enquanto a maioria apresenta dados incompletos ou inexistentes. Em nível municipal, parte significativa das cidades sequer publica informações sobre recursos recebidos por esse tipo de indicação. A portaria também determina que a equipe da promotoria faça levantamento em bases públicas, como o sistema Transferegov, do governo federal, e o portal de transparência do Estado de Mato Grosso do Sul, para verificar se Campo Grande recebeu recursos oriundos de emendas parlamentares nos últimos anos. A Prefeitura e a Câmara Municipal terão prazo de 15 dias úteis para responder às solicitações do Ministério Público. Após a análise das informações, o órgão poderá convocar reuniões com representantes dos dois poderes para discutir eventuais ajustes ou orientações relacionadas à transparência e ao controle desses recursos. Dependendo do resultado da apuração, o procedimento pode evoluir para recomendações formais ou outras medidas caso sejam identificadas falhas na divulgação ou no acompanhamento das emendas parlamentares. O Campo Grande News questionou a gestão municipal e a presidência da Câmara sobre essa recomendação, mas ainda não houve retorno. O espaço está aberto para esclarecimentos.
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