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  "publishedAt": "2026-03-02T17:17:00.000Z",
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  "textContent": "A disputa em torno da herança do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, tio materno de Suzane von Richtofen, voltou a colocar em evidência um tema que por muito tempo foi evitado nas conversas familiares: o planejamento do destino do patrimônio. E, em Mato Grosso do Sul, os números mostram que o assunto deixou de ser tabu.  Dados dos Cartórios de Notas apontam que o total de testamentos registrados no Estado cresceu 7,9% nos últimos cinco anos. Em 2020, foram 313 atos formalizados. Já em 2025, o número chegou a 338. Na comparação apenas com 2024, quando houve 337 registros, o avanço foi de 0,2%, indicando estabilidade em um patamar mais elevado de procura.  O crescimento acompanha uma mudança silenciosa de comportamento. Cada vez mais famílias têm buscado organizar a sucessão patrimonial ainda em vida, principalmente para evitar conflitos judiciais longos e desgastantes.  Segundo o presidente do Colégio Notarial do Brasil em Mato Grosso do Sul (CNB/MS), Elder Dutra, o caso recente envolvendo a herança milionária sem testamento funciona como alerta.  “A ausência de um testamento transforma o patrimônio de uma vida em um campo de batalha jurídico. O sul-mato-grossense começa a entender que planejar a sucessão não é falar de morte, mas evitar problemas para quem fica”, afirma.   Quando não há testamento   Sem manifestação formal de vontade, a divisão dos bens segue a chamada sucessão legítima, prevista no Código Civil. A ordem prioriza filhos, pais e cônjuge ou companheiro. Na ausência desses, entram parentes colaterais, como sobrinhos, até o quarto grau — situação semelhante à discutida atualmente no caso Abdalla Netto.  Se nenhum herdeiro for localizado, os bens podem ser considerados vacantes e destinados ao Estado.  Especialistas apontam que justamente essa insegurança jurídica tem levado mais pessoas a procurar os cartórios. Relações familiares mais complexas, novos modelos de união e patrimônios diversificados — que hoje incluem empresas, aplicações financeiras e até ativos digitais — aumentaram o risco de disputas após a morte.   Testamento também pode ser digital   Outra mudança que ajudou a ampliar o acesso foi a digitalização do serviço. Hoje, o testamento pode ser feito presencialmente em qualquer Cartório de Notas do Estado ou pela plataforma eletrônica e-Notariado.  No modelo tradicional, o interessado comparece ao cartório com documentos pessoais, informações sobre bens e beneficiários, além de duas testemunhas maiores de 18 anos.  Já no formato online, o procedimento ocorre por videoconferência com o tabelião, também com testemunhas, e assinatura por certificado digital notarizado — emitido gratuitamente pelos próprios cartórios. O valor do ato é tabelado por lei estadual.   Planejar virou prevenção   Para especialistas do setor, o aumento gradual dos registros em Mato Grosso do Sul revela uma mudança cultural em curso. O testamento deixa de ser associado apenas ao fim da vida e passa a ser visto como instrumento de organização familiar.  Em um cenário de patrimônio cada vez mais diversificado e relações familiares menos tradicionais, planejar a sucessão tem sido encarado como uma forma de preservar não apenas bens, mas também relações — evitando que histórias construídas ao longo de décadas terminem em disputas judiciais prolongadas.",
  "title": "Caso de herança milionária acende alerta e procura por testamentos aumenta em MS"
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