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  "publishedAt": "2026-02-11T17:30:00.000Z",
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  "textContent": "Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência visando a promover a ocupação feminina também das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). A ideia é combater desigualdades de gênero estruturais, buscando atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos ONU, o ODS 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.  Ressalte-se o TODAS, pois devido ao atravessamento, à encruzilhada de distintas formas de opressão e discriminação, à chamada interseccionalidade, muitas vezes as políticas não são pensadas para TODAS as meninas e mulheres. Além de gênero, também contam raça, territorialidade, classe, orientação sexual, idade, (d)eficiência e papéis no trabalho reprodutivo e do cuidado...     O INCT Caleidoscópio, um Instituto de Ciência e Tecnologia financiado pelo CNPq e sediado na Universidade de Brasília, realiza uma ciência feminista, engajada e comprometida com a mudança social, com o combate à violência e com a valorização de conhecimentos ancestrais e tradicionais na busca pelo bem-viver. Bem-viver que não é possível enquanto mais da metade da população, meninas e mulheres, enfrentam barreiras para acessar e permanecer em espaços de produção de conhecimento e comunicação privilegiada de conhecimentos.     Apresento algumas das ações desenvolvidas no INCT Caleidoscópio com vistas a considerar as “encruzilhadas da violência”, nos termos de Carla Akotirene, uma das maiores pensadoras brasileiras da atualidade. Um é a Incubadora Social Feminista Antirracista Norte, Nordeste e Amazônia Legal, que tem realizado ações de apoio ao acesso e a permanência de mulheres negras e quilombolas, promovendo o fortalecimento de redes afrodiaspóricas de pesquisa e comunicação científica. Ao promover a conexão entre pesquisadoras negras de diversos países, possibilita um aquilombamento dessas mulheres frente ao racismo estrutural, reforçando redes internacionais de cooperação e resistência antirracista. A presença de mais mulheres negras nos espaços acadêmicos serve de exemplo e inspiração para as meninas, futuras cientistas negras, que se espelham nas mais velhas e no seu visível pertencimento a esses espaços.  Outra frente de trabalho do INCT Caleidoscópio acontece em cooperação com a Rede Arandu, Rede Colaborativa de Pesquisa Povos Indígenas, Gênero e Sexualidade, considerando saberes e vivências indígenas, tecnologias que articulam corpo, gênero, territorialidade e bem-viver entre as populações indígenas e buscando aprender, entender e integrar ciências indígenas e ciências acadêmicas.  Ademais temos no INCT Caleidoscópio projetos dedicados a questões afetas ao corpo de meninas e mulheres, um corpo que, potencialmente, menstrua, gesta, pare e vive a menopausa. Corpo para o qual espaços institucionais muitas vezes não estão preparados. Meninas e mulheres fortalecidas pela reflexão, partilha de experiências estarão em melhor condições de reivindicar espaços mais acolhedores e para seus corpos. O projeto Meinstruação e o Menopausemos se dedicam a questão menstrual e ao período da menopausa visando a produção e a partilha comunitária de mais conhecimentos sobre a temática com vista a guiar políticas públicas e institucionais emancipatórias que promovam a dignidade desses corpos nos espaços públicos e do fazer científico.     Concluo com um convite a experimentar, nesse Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, um pouco do resultado dessas ações, com a escuta de vozes de cientistas mulheres, ouvindo o mais recente episódio de podcast publicado pelo INCT Caleidoscópio. No episódio da série “Trajetórias Feministas de Pesquisa”, disponível no Spotify e em nosso canal no Youtube, Mirlene Simões conversa com Lina Garcés, professora do ICMC/USP, pesquisadora em engenharia de software e coordenadora de iniciativas que ampliam a presença de meninas e mulheres nas ciências exatas e na computação. Escuta lá!  A escuta de vozes historicamente silenciadas também é uma contribuição no combate às desigualdades, principalmente se seguida da reflexão e de ação reparatória. Por mais meninas e mulheres ocupando a ciência em todas as áreas, TODAS as meninas e mulheres   (*) Jacqueline Fiuza da Silva Regis é pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística na Universidade de Brasília. Coordenadora na Incubadora Social do INCT Caleidoscópio na UnB.",
  "title": "Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência"
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